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Brigas e desentendimentos

Muitos pais querem saber que atitudes tomar quando o filho se desentende com amigos ou colegas, quando chega em casa com marcas de briga, quando tem o costume de dirigir palavrões aos outros, quando se queixa de ter sido humilhado por colegas etc. É, a convivência entre as crianças não está nada fácil.

Muitas brigam por qualquer coisa, ofendem colegas com a maior facilidade e, quando provocadas, revidam à altura. Elas brigam na escola, na casa dos colegas, nos clubes, nos passeios que fazem juntos. Brigam com irmãos e até mesmo com os que consideram seus melhores amigos e, depois, pedem desculpas, às vezes obrigadas.Mas não parece que ficam verdadeiramente sentidas pelo que fizeram porque logo repetem o feito, que aparenta já fazer parte da sua rotina.

Muitos pais querem encontrar medidas eficazes para conter essas atitudes, mas talvez não sejam sanções, castigos e punições aquilo de que as crianças precisam. O melhor seria que tivessem exemplos dos adultos e que estes alterassem sua abordagem com as que se envolvem em confrontos.

Um dos motivos para tantas brigas pode ser a falta de tato resultante do pouco aprendizado no convívio com pessoas próximas. Muitos pais costumam manifestar amor aos filhos com beijos e abraços, elogios em profusão e muitos presentes, isso sem falar na dedicação à gestão da vida dos filhos, o que tem sido bem desgastante. Boa parte do tempo que os pais têm para dedicar ao filho é gasto nisto: levar, buscar, acompanhar o estudo, checar do que mais ele precisa etc.

Ao contrário do que costumamos pensar, o tempo que os pais têm disponível para os filhos é grande. O problema é como ele tem sido usado, já que os adultos estão imersos em uma vida individualista, sem disponibilidade interna para o outro. Por isso, quando pais e filhos estão juntos, nem sempre os afetos e a consideração entre eles são prioridade.

Por outro lado, as relações familiares horizontais e verticais têm sido suprimidas no nosso novo estilo de vida. As crianças não convivem mais -ou convivem pouco- com seus parentes, por exemplo, o que torna as relações com os pais quase que únicas no aprendizado de fazer parte de um grupo. Por isso, faltam às crianças oportunidades para experimentar relações com pessoas com as quais descobrem ter pouca afinidade e com quem nem sempre se dão bem. E é justamente nessas situações que poderiam aprender que para conviver é preciso ter consideração pelo outro, relevar e fazer concessões.

Finalmente: quando os filhos se envolvem em brigas, vale mais desvalorizar o fato do que procurar saber quem tinha razão. Se houve briga, foi porque todos participaram, portanto, ninguém pode estar certo.

Se nos dedicarmos a ensinar aos mais novos, em família e na escola, que é preciso a contenção individual para o bem comum e que isso é o que promove uma vida boa, eles aprenderão melhor a controlar seus impulsos em favor do equilíbrio da vida em grupo.

 

Escrito por Rosely Sayão às 00h16

Educar para a diversidade

Discursos politicamente corretos: a escola tem se especializado nessa questão.Vamos tratar da expressão "educação para a cidadania" para mostrar o quanto ela é usada apenas como ferramenta de marketing, e não como experiência educativa de fato.Afinal, o que cada escola que usa tal conceito em seu projeto político-pedagógico pratica nesse sentido?

Nessa altura do ano, em que a maioria dos pais toma decisões quanto à matrícula dos filhos, um número significativo deles está à beira do desespero. Seus filhos, pelos mais diversos motivos, são considerados portadores de necessidades especiais, e a maioria das escolas não quer recebê-los.

As justificativas são variadas: ora a escola não está preparada para receber tais alunos, ora suas dependências não são apropriadas, ora a idade do aluno é muito discrepante dos colegas da classe que teria de freqüentar etc. O fato é: a matrícula deles não está garantida nas escolas particulares.

É interessante lembrar que a educação escolar não tem como objetivo apenas o desenvolvimento de habilidades pelo uso do conhecimento, o contato com a cultura e a arte. É principalmente uma prática que leva à integração social. É na escola que o aluno aprende a conviver em sociedade: ocupa, pela primeira vez, um papel social fora do núcleo familiar, se integra a um grupo de pessoas diferentes que compartilham o mesmo objetivo, aprende a ser solidário, colaborativo e respeitoso nas relações. E tem mais: toda criança pode aprender.

Pelo jeito, vida em sociedade é um direito de quase todos, e não de todos. Estão aptos a freqüentar uma escola particular apenas os alunos que apresentam características próximas às das crianças que já freqüentam ou tradicionalmente freqüentaram a escola regular. Isso é "educar para a cidadania"?

A prática escolar tem sido a de adaptar os alunos ao seu funcionamento e ensino. Tal equação precisa ser invertida para que a escola cumpra seu papel social. Rendimento escolar abaixo do potencial do aluno, problemas na convivência com as normas da escola e com os pares, dificuldade para superar a angústia que aprender suscita não devem ser tratados como problemas pessoais de determinados alunos. São problemas da escola, sobre os quais ela precisa refletir para reconsiderar sua prática usual.

Quais as nossas responsabilidades diante dessa questão? Temos ou não compromisso com as gerações mais novas e com o futuro, com a convivência com a diversidade e a busca de relações sociais mais democráticas? Como muitas escolas particulares, temos esse discurso, mas nossa prática se assemelha à das escolas que não aceitam certas crianças.

Por um futuro melhor para nossos filhos, precisamos todos nos envolver diretamente com essa questão. A não ser que estejamos satisfeitos com o fato de que nossos filhos vivem em uma sociedade que segrega e exclui. Estamos?

 

Escrito por Rosely Sayão às 17h13