UOL Estilo UOL Estilo





BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Mulher, de 56 a 65 anos, Portuguese

Quem é Rosely Sayão

Neste blog Na Web

e-mail
Sugestão
 Visitas  
 

Folha Equilíbrio

Descoberta da sexualidade

Sexualidade é e sempre será um tema espinhoso. Combinada com a educação dos filhos, então, nem se fala! Pois é exatamente nessa situação delicada que estão muitas mães de garotas que já entraram na puberdade e vivem a adolescência ao modo contemporâneo.

Várias delas, muito comprometidas com a educação das filhas, inclusive na questão da formação dos valores, sempre encontram maneiras de se inteirarem dos costumes dos jovens para melhor orientá-las. E um fato as tem deixado bastante preocupadas.

É que muitas garotas têm curtido -como elas gostam de dizer- ficar com garotas, sem que isso signifique a descoberta de sua orientação sexual. Além disso, muitos jovens têm feito apologia da bissexualidade. Interessante é saber que eles associam isso à liberdade.

As mães acham que é um modismo, mas talvez possamos pensar melhor a respeito. Em primeiro lugar, é preciso reconhecer que a descoberta da sexualidade adulta é um acontecimento importante na vida dos adolescentes. E essa descoberta ocorre, primeiramente, em relação às sensações.

A excitação física, o prazer, a satisfação dos impulsos e até o orgasmo são questões experimentadas com entusiasmo pelos jovens, e não sem razão. Ao lado disso, é importante lembrar que nosso contexto privilegia as sensações -portanto, essa questão, que já fazia parte da vida dos adolescentes, encontra-se potencializada. Eles são praticamente impelidos para essa busca. Ouvi uma frase interessantíssima de uma garota a esse respeito. Ela disse que se divertir com experiências sexuais tinha o mesmo sentido de ir a um parque de diversões e que viver tinha de ser divertido.

Outro ponto importante a considerar é a questão do corpo. Em fase de transformações nem sempre com resultados satisfatórios para eles, a aparência é o primeiro elo no que se refere à atração. Nesse momento da vida -e, pelo jeito, não mais apenas nesse período-, é a aparência que aproxima ou repele. E, como eles estão muito submetidos aos modelos de corpo impostos, têm grandes dificuldades em serem donos de seu próprio corpo.

Isso gera uma conseqüência: se o corpo não lhes pertence, não conseguem cuidar dele segundo seus pensamentos e princípios. É quase uma dissociação entre o que pensam querer para si na vida e o comportamento que praticam. Uma garota de 13 anos disse que é totalmente contrária ao aborto, mas que, caso precisasse, certamente iria utilizar esse recurso.

Diante de tal complexo panorama, os pais têm muitas possibilidades de orientar os filhos na questão da sexualidade, mas sem esquecer que eles são bastante permeáveis às ideologias do mundo em que vivem e que a educação dada, por melhor que seja, não é vacina contra nada.

Talvez o que mais funcione seja a formação coerente, que começa bem cedo, dos limites entre vida íntima e convívio social, da importância do respeito às diferenças e do ensinamento de que qualquer comportamento gera conseqüências.

Os pais precisam saber que a educação sexual de seus filhos não é uma questão separada da educação como um todo e que ela começa quando o filho nasce. Dedicar-se a ela quando os filhos são adolescentes pode ser tarde demais.


 

Escrito por Rosely Sayão às 11h39

Perfil falso no Orkut

A mãe de duas adolescentes me escreveu contando que as filhas criaram perfis no Orkut em nome de atrizes famosas e que ela não sabia como reagir. Considerava estranho que as garotas falassem em nome de outra pessoa, mas, ao mesmo tempo, pensava que poderia ser apenas brincadeira -já que, segundo as filhas, os freqüentadores do site de relacionamento saberiam que se tratava de um perfil "fake" (como são denominados os falsos).

Como eu nunca ouvira falar dessa prática, deixei para conhecer melhor esse fenômeno comum entre os jovens antes de comentar. Coincidentemente, quase ao mesmo tempo, fui avisada por uma amiga de que ela encontrara, no mesmo site, um perfil "fake" em meu nome.

Resolvi, então, pesquisar para constatar que tipo de "brincadeira" era essa. Primeira dificuldade: não conseguia entrar no site porque não sou cadastrada. Isso dificulta sobremaneira que pessoas que têm a identidade roubada possam acompanhar o que se passa na página criada em seu nome. Segunda dificuldade: conseguir contatar os administradores do site para que apaguem o perfil.

Fiz isso, e eles pedem uma série de documentos para quem solicita que seu perfil seja apagado, mas não pedem para quem cria, não é insólito? Depois, eles simplesmente não respondem.Esperei mais de três semanas para ter a página em meu nome e com minha foto apagada.

Não se trata de brincadeira, e sim de enganação, de fraude. Um advogado me informou, inclusive, que tal fato pode ser enquadrado como crime de falsidade ideológica. Na página criada em meu nome, por exemplo, muitas pessoas acreditaram que realmente fosse eu e encaminharam mensagens solicitando ajuda. Essas pessoas foram enganadas e algumas até forneceram dados pessoais ao autor da página, que, pelo texto, parecia se tratar de adolescente. Considero isso grave.

Os pais de adolescentes que sabem que os filhos fazem isso precisam ensinar que não se trata de uma brincadeira, e sim de fraude -e esse é um aspecto importante na formação moral do filho, futuro cidadão. É bom que os pais saibam também que há uma grande diferença entre se fazer passar por uma pessoa que existe e criar um perfil falso de si mesmo -o que pode até ser uma atividade criativa, que permite autoconhecimento e que não prejudica ninguém.

A internet tem sido palco de práticas problemáticas entre adolescentes. Muitos deles a usam para ofender, caluniar, expor colegas em festas etc.O livro "Gossip Girl" e o seriado nele inspirado têm feito sucesso entre a garotada e narram a história de um grupo de adolescentes ricos que têm sua vida exposta na internet por uma blogueira anônima. O sucesso tem sentido porque diz respeito ao que acontece entre eles, provoca identificação.

Muitos pais acreditam que os adolescentes podem usar a internet sem supervisão. Engano: eles precisam de tutela -e não apenas do tempo de uso-, já que podem sofrer ou provocar constrangimentos e passar por experiências desastrosas. Aprender a usar bem a internet exige ensinamentos, afinal.


 

Escrito por Rosely Sayão às 11h42