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Coragem para crescer

Muitas crianças com menos de seis anos vão à escola pela primeira vez neste início de ano e, em muitos casos, sofrem mais os pais do que elas. Nessa idade, ficar sem a mãe e fora de sua casa -ambiente acolhedor que transmite segurança- é difícil, por isso tantas choram nos primeiros dias. O chamado período de adaptação permite que a criança se acomode mais facilmente à sua nova realidade.

Para muitos pais, o processo pode ser difícil porque, além de suportarem a dor da separação, ainda têm de aguentar sem esmorecer o choro e os gritos do filho, que implora para não ser "abandonado". Como os pais sabem que criança precisa de outras crianças para crescer bem, a maioria deles consegue resistir e logo tudo fica bem para todos. Mas hoje nossa conversa é a respeito da adaptação de pais de crianças maiores, que já estão nos anos iniciais do ciclo fundamental.

Entre cinco e sete anos, mais ou menos, as crianças passam por um período crítico na vida.Elas precisam deixar o mundo mágico, fantástico e lúdico da primeira infância porque precisam crescer, em todos os sentidos. Deixam de acreditar nas fantasias da primeira infância (Papai Noel, fada dos dentes e similares) e se encontram com a necessidade de aprender os códigos do mundo adulto. É hora de começar a trabalhar com letras, números e problemas.

O período é crítico porque é complexo para a criança deixar uma fase que esbanja segurança e estabilidade e iniciar um ciclo desconhecido. Essa passagem gera insegurança, desequilíbrio e ansiedade principalmente porque ela percebe que crescer significa perder um pouco seus pais. E cada criança enfrenta isso à sua maneira.

Perder os pais significa aqui perder a segurança, mesmo que ilusória, de que eles têm o poder de resolver tudo em sua vida. Agora, cada vez mais a criança percebe que alguns problemas cabem a ela, e só a ela, resolver. É o caso das aprendizagens escolares, da convivência na escola etc. É na escola que a criança começa a dar os primeiros passos com suas próprias pernas.

Os pais, nesse momento, podem contribuir para que o filho inicie esse seu novo trajeto com coragem e, para tanto, precisam acreditar que seu filho é capaz e que precisa enfrentar isso sozinho. Alguns, entretanto, resistem a deixar que o filho enfrente seu tempo de crescer porque vivem, eles mesmos, sua própria crise: a de perder um pouco o filho para a vida.

Podemos observar, nas escolas, mães de crianças que estão no segundo ou terceiro ano do ensino fundamental que agem do mesmo modo que agiam quando o filho frequentava a educação infantil: querem levá-lo até a sala e lá ficar até a aula começar, conversar com a professora diariamente, pedir transferência de classe etc.

Para a criança, isso pode significar que seus pais não querem ou não aceitam seu crescimento ou, então, que não confiam que ela seja capaz de resolver sozinha seus problemas. Por isso, além de encorajar o filho a crescer, os pais precisam também ter coragem para permitir que ele cresça.

Escrito por Rosely Sayão às 11h31
 
 

Novas diretrizes

Toda mulher, assim que engravida, passa a receber noções de puericultura. Tanto as ciências da saúde quanto a sabedoria popular contribuem para rechear esse conjunto de conhecimentos e técnicas que têm por objetivo os cuidados com as crianças pequenas e que abrangem desde a atenção com a saúde física até o desenvolvimento psíquico.

Conversei com algumas mães de bebês com menos de um ano para averiguar as orientações atuais. Fiquei surpresa com algumas que elas têm recebido porque são antigas, mas chegam agora com aparência sofisticada e com o aval do conhecimento técnico-científico.

Circula, por exemplo, um método para acalmar bebês conhecido como o "método dos cinco S". Trata-se de um conjunto de cinco dicas que ajudam os pais a aquietarem o filho quando ele chora e fica inquieto e o nome faz referência a cinco palavras da língua inglesa. Envolver o bebê firmemente em panos, carregar o bebê na posição lateral, emitir sons que lembrem o pedido de silêncio (shhhh) próximo aos ouvidos da criança (algumas mães me disseram que vale também o ruído do secador de cabelos, vejam só!) e embalar são as principais orientações do método.

Outra dica que faz o maior sucesso entre essas jovens mães é a de banhar a criança, principalmente quando ela está agitada, em um balde. É isso mesmo: a conhecida banheira de bebês está sendo trocada pelo velho balde que todo mundo usa em casa, principalmente para a limpeza doméstica. Por que a troca? Porque desse modo o bebê fica com o corpo todo imerso na água, como se fosse um ofurô, e isso é relaxante, mesmo para adultos.

O mais interessante dessas e de outras dicas que os jovens pais têm seguido é uma mudança na maneira de tratar e de cuidar das crianças. À primeira vista, pode parecer que o que os pais buscam é apenas um bebê mais calmo para que eles fiquem mais tranquilos. Entretanto, mesmo que seja essa a maior intenção, muda o estilo de viver passado ao bebê.

Até pouco tempo atrás, a orientação geral era a de deixar o bebê solto, com o corpo livre para que ele se movimentasse à vontade. Os pais deveriam suportar o choro insistente porque era o modo de o bebê se comunicar com o mundo e o ônus inicial de se ter um filho. Agora, pelo jeito, o que se pretende é transmitir a noção de que o corpo pode e deve ser controlado.

Hoje temos muitas crianças que não têm a mínima noção de seu corpo: elas correm desajeitadamente e sequer sabem evitar quedas ou desviar de obstáculos ou de pessoas que encontram pelo caminho. Quando carregam mochilas ou malas escolares, então, não conseguem pensar que precisam ampliar o espaço físico que usam. Do mesmo modo, muitas são irrequietas e agitadas a maior parte do tempo e não conseguem se acalmar.

Quem sabe essas novas -e ao mesmo tempo antigas- orientações contribuam para que as crianças cresçam mais tranquilas, mais conscientes de seu corpo e, desse modo, aprendam mais cedo a ter uma melhor percepção de si e do entorno.

Escrito por Rosely Sayão às 11h28