Diversidade sexual

Conversei com uma garota de 15 anos que se encontrava confusa em relação à sua sexualidade. Ela já havia ficado com meninas, meninos e rapazes mais velhos. Em plena fase de experimentação sexual, não conseguia distinguir o que queria e quem era.

Ela contou que tinha adorado ficar com meninas porque tinham um bom papo e interesses convergentes. O problema é que não havia "curtido" a intimidade física. Já com os meninos essa parte a deixara satisfeita, mas não havia conseguido uma boa comunicação com nenhum porque os considerava imaturos, sem assunto e centrados neles mesmos.
Com os rapazes cerca de dez anos mais velhos do que ela, que conhecera em sites de relacionamento -nos quais, aliás, ela publicava fotos em poses sensuais-, encontrara boa conversa, mas ficava intimidada e tinha receio disso.

Depois de contar sua saga, reclamou do que considerava uma grande limitação: a sexual.Ser mulher ou homem deveria ser uma escolha, segundo a garota, e não uma determinação física. Ao ouvir isso pensei que talvez, no futuro, isso possa ser uma possibilidade. Pois bem: parece que esse futuro já está se aproximando.

Li a notícia de que um casal sueco decidiu não revelar à sociedade o sexo de seu (sua) filho (a). Os pais querem que a criança, de dois anos e meio, cresça sem a limitação de gênero para que tenha liberdade, quando quiser, de escolher se será menino ou menina. Polêmico, não?

O que é ser homem e o que é ser mulher hoje? Até a primeira metade do século 20, isso era certo: além da característica sexual, havia uma identificação com uma série de comportamentos, características e modos de se relacionar com o sexo oposto que faziam parte do perfil masculino e do feminino. A partir da segunda metade do século 20, o movimento pela libertação das mulheres mudou tudo e não apenas para elas. Desde então, há uma luta por direitos iguais e isso foi, e ainda é, muito positivo.

Entretanto, ao mesmo tempo em que vivemos tantas transformações nesse campo, alguns fatos revelam que há muito o que caminhar ainda. A violência do homem contra a mulher entre jovens casais de namorados, de todas as classes sociais, parece ter crescido.

Recentemente, um famoso cantor americano agrediu sua namorada. O que causou espanto foi o apoio dado a ele por um grande número de fãs. A alegação era a de que, se a namorada apanhara, era porque merecia. História antiga, não?

A educação que praticamos com os filhos contribui decisivamente para a formação de identidades, valores e imagens de gênero e sexualidade, tanto quanto na construção de estereótipos e preconceitos.Não precisamos radicalizar como o casal sueco. Mas nossas crianças e jovens merecem uma educação que contemple a diversidade, o respeito às suas diferenças e às do outro e, principalmente, a oportunidade de superar as antigas concepções do feminino, do masculino e das relações entre ambos.