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Adolescência e autonomia

Muitos pais estão confusos quanto ao seu papel educativo quando os filhos atingem a adolescência. Uma mãe conta que o filho de 15 anos aderiu ao uso do narguilé (espécie de cachimbo) e que ela não sabe que atitude tomar. Diz que, apesar de saber que pode ser prejudicial à saúde, fica na dúvida se deve ou não proibir o uso, já que o filho poderá fumar escondido.

A mãe de uma garota que fará 15 anos diz que, mesmo sabendo que menores não devem ingerir álcool, servirá "bebida leve" com parcimônia na festa, pois, diz a filha, sem bebida os amigos não irão e a mãe quer que a reunião seja um sucesso.

Os pais de um jovem de 17 anos permitiram ao filho que levasse a namorada para dormir em casa por acharem que, dessa maneira, estariam garantindo segurança ao casal. O problema é que, além de o jovem ter trocado várias vezes de namorada em um curto espaço de tempo, agora se relaciona com duas simultaneamente. O casal não sabe que atitude tomar porque acredita que não pode voltar atrás com o filho, que, afinal, já é quase um jovem adulto, mas não se sente à vontade com o que acontece.

Há algo em comum em todos esses casos: os pais abriram mão de sua coerência em nome da proximidade com o filho, da alegria e da satisfação dele. Em nenhum dos casos citados há convicção dos pais nas atitudes tomadas; há justificativas, apenas. Será que vale a pena fazer isso? Vamos analisar as consequências de atos desse tipo.

Considero que a educação que os pais dão aos filhos, seja ela do tipo que for, funciona como uma direção imposta a eles. Dessa maneira, eles aprendem o rumo que aquela família considera bom ou adequado. Mais ou menos como uma bússola: ela aponta sempre para o norte. Quem sabe usá-la e tem autonomia para escolher caminhos pode usar o instrumento como referência mesmo quando não quer ir para a direção apontada.

A educação que os pais dão aos filhos é assim: funciona como norte, como referência aos filhos, que, ao atingirem a autonomia, terão condição e liberdade de escolher outras direções para sua vida. Sem direção certa, os mais novos correm o risco de se perderem. A pergunta é: os adolescentes têm autonomia para tais escolhas? Ainda não. Adolescência é tempo de amadurecer, e amadurecer significa ganhar experiência a respeito da própria vida e da vida em comum, dar duro para estabelecer planos e aprender a agir para alcançá-los, batalhar para entender que direitos e deveres caminham juntos e que toda escolha gera consequências.

Autonomia é uma conquista árdua. Não é um ganho. Os pais não podem dar autonomia aos filhos: devem ceder espaço quando eles se mostram capazes de exercê-la. Ceder a casa -espaço dos pais- para que os filhos bebam, fumem, tenham encontros íntimos, não colabora em nada para que conquistem autonomia. O adolescente ainda exige tutela dos pais, que devem ter e manter a autoridade para exercê-la. Essa atitude permitirá o acesso dos filhos à maturidade exigida pela vida adulta.

Escrito por Rosely Sayão às 10h36
 
 

Intimidação e furto na escola

Muitos pais pedem providências da escola porque o filho passou por alguma situação problemática. Há dois temas que são campeões dessas solicitações: o bullying e os furtos. Acostumamo-nos a usar o termo bullying, mas um leitor reclamou desse uso, creio que com razão. Temos várias palavras em nossa língua que dão conta desse fenômeno e vou escolher uma delas: intimidação.

Os pais precisam saber que, apesar de essas situações ocorrerem principalmente na escola, eles podem atuar para reduzir sua incidência. A primeira coisa importante a saber é que os pequenos furtos que ocorrem na escola -em todas elas- não são atitudes de "alunos problemáticos" que não recebem uma boa educação em casa, que têm carências etc. São fruto do consumismo que temos praticado e ensinado aos mais novos. Qualquer criança, portanto, pode cometer um pequeno furto por um querer exagerado e incontrolado de ter algo.

Os pais têm contribuído muito para que as tentações na escola sejam irresistíveis para essa geração que tem aprendido que ter é ser. Mandam seus filhos para a escola carregados de eletrônicos: telefone celular com vários recursos diferentes, videogame portátil, iPod etc.

E o que dizer do arsenal de canetas diferentes, lapiseiras, réguas e outras quinquilharias que recheiam as enormes mochilas que eles carregam? Pois a primeira contribuição que os pais podem dar é a de evitar que seu filho leve para a escola todas essas bugigangas, que, aliás, atrapalham a concentração exigida pelo estudo. Para a escola, os alunos deveriam levar materiais simples para que saibam que a aprendizagem é o que importa.

Não podemos desvalorizar esses furtos quando o objeto é de pequeno custo nem valorizá-los em demasia porque é valioso. Todos devem ser tratados da mesma maneira, já que se trata de educar as crianças.

Quanto à intimidação, ao assédio, às provocações que ocorrem entre crianças e jovens, precisamos considerar a responsabilidade que nos cabe. Valorizamos muito a competição, os vencedores e os poderosos, não é? Acreditamos que as crianças devem se relacionar preferencialmente -quando não exclusivamente- com os de mesma idade e, desse modo, não ensinamos o respeito aos mais velhos e os cuidados com os mais novos. Pois as condutas deles seguem o que ensinamos.

Na verdade, poucos pais têm se preocupado com a educação moral de seus filhos, com o ensinamento das grandes virtudes -como a generosidade, a polidez, a humildade, a simplicidade, a compaixão, a coragem. Esta última, por sinal, tem sido bem desvirtuada, já que as crianças acreditam que é preciso coragem para pegar algo que não é seu e para brigar.
 
Os pais devem considerar que seus filhos não são apenas alvo de intimidação: muitas vezes são agentes dela. É bom lembrar que os papéis na escola circulam entre os alunos, não são fixos. Por isso, além de exigir um trabalho educativo primoroso da escola referente aos furtos e à intimidação, os pais têm o dever de ensinar seus filhos a serem morais e virtuosos.

 

Escrito por Rosely Sayão às 17h40