O ensino da generosidade

Uma leitora pergunta como ensinar o filho a ser generoso. Recebo muita correspondência de pais, mas poucas dizem respeito ao ensinamento das virtudes e à educação moral. Aliás, esta parece ter deixado de ser uma questão importante para pais e professores.

Em tempos em que se fala tanto da necessidade de ética, valores e moral, vale a pena refletir sobre como os pais podem educar seus filhos para que tenham a qualidade da generosidade.

Vamos começar por um equívoco que muitos pais cometem: praticamente obrigam-nos a "emprestar" seus brinquedos a um colega, um irmão etc. Em primeiro lugar, só empresta quem tem, e a criança pequena ainda não tem a posse de seus brinquedos. Por isso, é preciso esperar um pouco. Depois, ninguém aprende a ser generoso sob pressão. Como ensiná-las, então, a serem generosas?

Como as primeiras relações das crianças são sustentadas pelos afetos, nada mais coerente do que convidá-las a olhar para outros de quem gostam a fim de saber do que eles precisam ou pedem e que a criança tem condições de atender. Perguntar ao filho se ele pode imaginar o quanto o irmão ou o colega ficaria alegre caso ele emprestasse algo seu ou o ajudasse no que precisa é dar à criança a oportunidade de se dirigir ao outro sem se sentir prejudicada. É bom também analisar com a criança o pedido, pois pode ser um mero capricho.

Um ponto importante a considerar é que só é generoso quem tem liberdade para tanto. Por isso, quando os pais permitem que o filho faça ou empreste algo, mas acham inapropriado que empreste um brinquedo porque é caro, não ajudam a desenvolver a generosidade.

Mais importante é ajudar a criança a perceber suas reais possibilidades de praticar a generosidade. Algumas crianças querem ser generosas quando não podem. Uma de sete anos, por exemplo, pediu à mãe para dar um presente de aniversário caro para a família do amigo. Pensar com a criança sobre essas situações é, portanto, fundamental para suscitar nela a verdadeira generosidade.

Ser generoso significa sacrificar seus interesses em benefício do outro, diz o dicionário Houaiss. Como a criança aprende muito observando seus pais e os adultos significativos de seu entorno, seria bom que tivesse oportunidades de presenciar atos generosos da parte deles. E vamos reconhecer que, em uma sociedade individualista, a generosidade não é uma virtude em alta no mundo adulto. Se quisermos melhorar o mundo em que vivemos, precisaremos praticar a generosidade sempre que tivermos oportunidade.

À medida que as crianças crescem, é preciso aprimorar essa virtude, ou seja, ensinar-lhes a dirigi-la não mais apenas para as pessoas queridas mas também a outro com quem tem relações impessoais.

Ensinar a criança a ser generosa é uma grande contribuição para que ela construa uma boa imagem de si mesma. Vale a pena, portanto, investir nesse ensinamento.