UOL Estilo UOL Estilo





BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Mulher, de 56 a 65 anos, Portuguese

Quem é Rosely Sayão

e-mail
Dúvida
Neste blog Na Web

 Visitas  
 

Conversas com mães

Conversei com um grupo de mães muito interessadas em educar bem seus filhos menores de cinco anos. O tema da conversa girou em torno de uma questão crucial para elas: o que dá para ensinar e o que não dá para esperar que aprendam nesse período da vida.

Primeiro ponto interessante, que interfere decisivamente na relação das mães com seus filhos: elas trabalham e colocaram seus filhos na escola de educação infantil, mas todas sentem culpa por passar pouco tempo com eles. Esse sentimento, aliás, parece nascer nas mulheres quando elas dão à luz pela primeira vez, não é?

Que invenção é essa do nosso tempo? Afinal, deve sentir culpa quem assume que provocou, intencionalmente ou não, algum mal a alguém, e isso nada tem a ver com o fato de as mães se ausentarem para o trabalho.Desconfio que essa emoção tão dolorosa seja uma das grandes responsáveis por muitas confusões na educação dos filhos. Por isso, convido à reflexão todas as mães que se sentem culpadas.

Lidar com os filhos já dá muito trabalho e conviver com essa emoção inútil só atrapalha.
Outro ponto da conversa com essas mulheres é que, com estilos de vida muito parecidos, elas tinham mais discordâncias do que consensos quando comentavam o que queriam ensinar aos filhos. Isso significa que não compartilhamos de um conceito de infância -outro fator importante da confusão reinante na relação dos adultos com as crianças pequenas. Tomarei aqui alguns exemplos citados por essas mães para apontar os equívocos que temos cometido em nome de uma boa educação.

Ensinar ao filho que seja generoso e saiba compartilhar brinquedos com colegas ou irmãos é um anseio de muitas famílias que não querem criar um filho egoísta. Mas emprestar exige que a criança tenha posse sobre os objetos, e isso leva tempo para ser aprendido.
Na verdade, para os menores tudo o que está em volta deles ou com eles é só deles, tanto objetos quanto pessoas.

Vamos lembrar que a criança é autocentrada e regida pela busca do prazer e que só aos poucos a realidade passará a fazer parte de sua vida. Por isso, para ensinar uma criança a ceder algo, primeiro é preciso esperar que ela saiba o que, de fato, é seu.Para tanto, ela não pode ser obrigada a emprestar seus brinquedos e precisa ser levada a deixar o que não é seu quando necessário.

Muitos adultos esperam, também, que a criança aprenda logo que deve cuidar tanto de seus pertences quanto dos da casa. Algumas mães contaram que os filhos, por mais que elas ensinem, quebram os brinquedos, mexem em enfeites delicados e destroem vasos com plantas. Ocorre que, para a criança pequena, viver significa investigar e explorar e é desse modo que elas conhecem o mundo.

Não adianta esperar que aprendam a respeitar as coisas quando estão na função de conhecê-las. Por isso, o melhor é deixar que disponham de seus brinquedos -afinal, são delas ou não?- como queiram e tirar do alcance aquilo com que ainda não sabem lidar. Só depois dessa fase fica possível começar a ensinar a respeitar e a cuidar.

Uma coisa as crianças podem aprender desde pequenas: a obedecer aos pais. Para isso, é preciso que eles mandem com atos e não só com palavras, ou seja, impeçam que a criança faça o que não deve e levem a criança a fazer o que precisa.


 

Escrito por Rosely Sayão às 10h26
Votos para melhorar a educação nas cidades

Quem freqüenta o nosso blog tem grande apreço pela educação e não apenas de seus próprios filhos, mas de todos os mais novos. É por isso que tenho o maior orgulho deste nosso espaço de reflexão e debate.

Com a proximidade das eleições municipais, temos o dever de pensar como cidadãos e eleger pontos importantes para melhorar a educação - um direito de todos nós - na cidade em que moramos. Escolhi três expectativas que tenho que, sei, podem parecer utópicas para muitos. Entretanto, se não tivermos utopias em educação, não teremos motivos para lutar por mudanças.

Em primeiro lugar, gostaria que todas – todas – as crianças com menos de seis anos tivessem vagas disponíveis em escolas de educação infantil. Se lugar de criança não é mais na rua, que seja então na escola.

Em segundo lugar, gostaria que as empresas tivessem a obrigação de oferecer creche aos filhos de funcionários. A maioria das empresas, sabemos, sequer oferece o berçário e prefere dar o auxílio- creche, previsto em legislação.  Mas alguém tem dúvida de que os pais – mães, principalmente – trabalhariam muito mais tranqüilos sabendo que os filhos estão próximos e conhecendo de perto a creche que os acolhe? E depois se fala em responsabilidade social.... Isso só tem a empresa que a pratica primeiramente com seus próprios funcionários, não é verdade?

Finalmente, gostaria que o salário dos professores de educação infantil não fosse relacionado à idade dos seus alunos. Alguém conhece uma explicação lógica que justifique nossa política de oferecer salários maiores para professores que lecionam para alunos mais velhos e salários menores para professores de crianças mais novas?!?

Como deu para perceber, elegi a educação infantil como a prioridade para melhorar a educação na cidade em que moro, São Paulo. É que considero os anos iniciais da vida como os mais importantes já que são decisivos na formação da criança. Além disso, nessa idade a criança não sabe nem tem como se defender da educação com ela praticada, por isso precisa de educadores profissionais capacitados para acompanhá-la. E como temos reclamado muito da educação de nossas crianças, nada como pensar em medidas que permitam que ela tenha chances de começar melhor seu processo educativo.

E você: já pensou nas medidas em educação que poderiam melhorar a vida em sua cidade e no que os candidatos propõem? Está feito o convite para o debate aqui em nosso blog. Participe!

 

Escrito por Rosely Sayão às 01h18

Filhos precoces, pais atônitos

Parece que perdemos o jeito de lidar com crianças pequenas. Situações antes consideradas cotidianas, como crises de birra, gritos, choros intermináveis, manhas ou um sonoro "não!" a pequenas ordens dos pais, e que eram resolvidas de modo simples, hoje costumam deixar pais e adultos de cabelo em pé, atônitos ou impotentes.

Ao lado dessa situação, sabemos também de vários incidentes e tragédias que envolvem crianças: bebês caídos de lugares altos, esquecidos no carro ou deixados sozinhos em casa, crianças pequenas mortas em situações trágicas que envolvem adultos, outras que são espancadas e torturadas etc. Tomemos aqui essas situações extremas como sinais reveladores, tanto quanto os primeiros, de nossas dificuldades atuais de honrarmos nosso papel com as crianças -cuidar e proteger- e de nos relacionarmos com elas.

Sabemos há tempos -e pesquisas confirmaram recentemente- que bebês interagem desde muito cedo com as emoções e os sentimentos dos adultos que cuidam deles. Isso não é sinal de precocidade, como muitos pais pensam; é apenas a manifestação da característica potencial do ser humano, que é a de se comunicar.

Ouço muitos pais afirmarem com convicção que os filhos com alguns meses de vida, ou poucos anos, já sabem muito bem o que querem e sabem, inclusive, como agir para obter satisfação. Talvez seja mais sensato pensar que temos ensinado isso a eles: como os pais sentem o maior orgulho -mesmo sem saber- quando observam tais comportamentos considerados precoces nos filhos, é tal sentimento que alavanca o comportamento das crianças.E ter filhos crescidos parece ser a melhor maneira de encontrarmos nosso espaço em relação a eles num mundo que aboliu o lugar da infância.

Um bom exemplo disso é o anseio de tantos pais de crianças com menos de seis anos que querem que a escola de educação infantil dedique parte de seu tempo a ensiná-las a escrever e a ler. Ora, muitas crianças com quatro ou cinco anos podem manifestar interesse em brincar com as letras, mas brincar não supõe ensino sistematizado, expectativas, cobranças, não é verdade? Considero até perigoso para a criança o fato de ela aprender a escrever antes de entrar no ciclo do ensino fundamental, já que ela corre o risco de ter os pais centrados nessa sua atividade tão característica do mundo adulto.

É necessário que reinventemos o lugar da infância e, portanto, também o nosso, para que as crianças possam ter a mínima garantia necessária ao seu desenvolvimento.

Sim, o mundo mudou muito, e as crianças também. Só uma coisa não mudou: elas continuam a necessitar da presença cuidadora, reguladora, protetora, dedicada e atenciosa dos adultos.

Para realizar isso, precisamos saber de fato que elas não são como nós, não se comunicam como nós nem vêem o mundo pela nossa perspectiva.Não podemos esperar que se comportem como cremos que devam se comportar porque são crianças e não um projeto de vida adulta.


 

Escrito por Rosely Sayão às 23h30
Mães, Pais e o exercício da autoridade

“Por que o pai tem mais autoridade do que a mãe?” Essa pergunta, feita por uma jovem mulher em uma reunião que fiz com pais de duas escolas em Curitiba, merece nossa atenção. Afinal, é grande o número de mães que dedicam boa parte do tempo à educação dos filhos e que se desgastam mandando que eles façam isto ou aquilo e que só são atendidas com muita insistência. E quando elas constatam que se o pai manda o filho fazer algo ele pode ser atendido de pronto, ficam cismadas. Afinal, por que isso ocorre?

Vamos, então, pensar um pouco a esse respeito. Em primeiro lugar, é bom reconhecer que o exercício da autoridade é praticado de modo bem diferente por homens e mulheres e não apenas com os filhos. Não podemos considerar que um seja mais efetivo que o outro tampouco melhor, mas que é diferente, é.

Em segundo lugar, é preciso também lembrar que a função da mãe na vida da criança tem características distintas das da função do pai. Aliás, função não tem necessariamente relação com a figura, ou seja, a função materna pode ser exercida pelo pai e a paterna pela mãe.  Quando, por exemplo, uma criança acorda no meio da noite e é o pai levanta para acalmá-la, ele exerce nesse momento a função materna, caracterizada como proteção, aconchego, aquietação. Quando uma criança pequena pede para dormir com a mãe porque o pai está viajando e ela não permite, está a exercer a função paterna que é a de colocar a ordem familiar em ato, organizar os papéis dos integrantes e suas relações.

Pois bem: como ainda cabe à mãe, em geral, a maior parte do trabalho com os filhos, rapidamente estes identificam o quanto podem jogar com as ordens dela, qual o espaço de tolerância e de paciência com que contam para retardar a obediência. É bom lembrar quer as crianças pequenas permitem que sejam educadas pelos pais por um único motivo: medo de perder o amor deles. Desse modo, se comportam assim com a mãe porque identificam que não correm tal risco.

Esse fato, aliado às diferenças citadas no início, acaba por construir o quadro do qual muitas mães reclamam. Mas, quando a mãe se desgasta em demasia com essa situação, pode mudar: basta deixar claro aos filhos que o limite de jogo com as ordens que dá ficou mais restrito. Só que, como a criança já aprendeu diferente, precisa de um tempo – e paciência da parte da mãe – para se adaptar.

Em resumo: as crianças são muito hábeis em identificar o espaço autorizado implicitamente para transgredir ou retardar uma ordem dada, por isso é preciso localizar nos pais e não nelas as reações que apresentam frente ao exercício da autoridade.

 

Escrito por Rosely Sayão às 12h05