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Descoberta da sexualidade

Sexualidade é e sempre será um tema espinhoso. Combinada com a educação dos filhos, então, nem se fala! Pois é exatamente nessa situação delicada que estão muitas mães de garotas que já entraram na puberdade e vivem a adolescência ao modo contemporâneo.

Várias delas, muito comprometidas com a educação das filhas, inclusive na questão da formação dos valores, sempre encontram maneiras de se inteirarem dos costumes dos jovens para melhor orientá-las. E um fato as tem deixado bastante preocupadas.

É que muitas garotas têm curtido -como elas gostam de dizer- ficar com garotas, sem que isso signifique a descoberta de sua orientação sexual. Além disso, muitos jovens têm feito apologia da bissexualidade. Interessante é saber que eles associam isso à liberdade.

As mães acham que é um modismo, mas talvez possamos pensar melhor a respeito. Em primeiro lugar, é preciso reconhecer que a descoberta da sexualidade adulta é um acontecimento importante na vida dos adolescentes. E essa descoberta ocorre, primeiramente, em relação às sensações.

A excitação física, o prazer, a satisfação dos impulsos e até o orgasmo são questões experimentadas com entusiasmo pelos jovens, e não sem razão. Ao lado disso, é importante lembrar que nosso contexto privilegia as sensações -portanto, essa questão, que já fazia parte da vida dos adolescentes, encontra-se potencializada. Eles são praticamente impelidos para essa busca. Ouvi uma frase interessantíssima de uma garota a esse respeito. Ela disse que se divertir com experiências sexuais tinha o mesmo sentido de ir a um parque de diversões e que viver tinha de ser divertido.

Outro ponto importante a considerar é a questão do corpo. Em fase de transformações nem sempre com resultados satisfatórios para eles, a aparência é o primeiro elo no que se refere à atração. Nesse momento da vida -e, pelo jeito, não mais apenas nesse período-, é a aparência que aproxima ou repele. E, como eles estão muito submetidos aos modelos de corpo impostos, têm grandes dificuldades em serem donos de seu próprio corpo.

Isso gera uma conseqüência: se o corpo não lhes pertence, não conseguem cuidar dele segundo seus pensamentos e princípios. É quase uma dissociação entre o que pensam querer para si na vida e o comportamento que praticam. Uma garota de 13 anos disse que é totalmente contrária ao aborto, mas que, caso precisasse, certamente iria utilizar esse recurso.

Diante de tal complexo panorama, os pais têm muitas possibilidades de orientar os filhos na questão da sexualidade, mas sem esquecer que eles são bastante permeáveis às ideologias do mundo em que vivem e que a educação dada, por melhor que seja, não é vacina contra nada.

Talvez o que mais funcione seja a formação coerente, que começa bem cedo, dos limites entre vida íntima e convívio social, da importância do respeito às diferenças e do ensinamento de que qualquer comportamento gera conseqüências.

Os pais precisam saber que a educação sexual de seus filhos não é uma questão separada da educação como um todo e que ela começa quando o filho nasce. Dedicar-se a ela quando os filhos são adolescentes pode ser tarde demais.


 

Escrito por Rosely Sayão às 11h39
A hora do recreio na escola

Um dos trabalhos que faço quando realizo assessorias para escolas é o de instituir assembléias de classe e essa é uma experiência muito enriquecedora para alunos e educadores. Ontem, tive a oportunidade de realizar duas dessas assembléias, com alunos de 4ª e 5ª série, e sempre fico impressionada com o que acontece nesse momento dedicado à reflexão da convivência.

Sabemos que as escolas enfrentam problemas complexos no que diz respeito à chamada disciplina dos alunos. Um dos problemas nesse sentido é o da violência entre eles e esse foi o tema escolhido pelos alunos para ser debatido.

A hora do recreio, tão querido por eles, tem sido um dos momentos mais difíceis nas escolas justamente pelas inúmeras brigas que ocorrem. Soube, inclusive, que muitas delas têm diminuído a duração do recreio por causa disso.

Os alunos são os que mais sofrem com tal situação já que quando querem brincar, conviver, espairecer, precisam enfrentar provocações, brigas de grupos – panelinhas, como eles dizem – disputas acirradas de espaços e de jogos, agressões.

O mais interessante é que os alunos sabem que o motivo principal que permite que tudo isso aconteça é a falta da presença de adultos responsáveis e com autoridade nessa hora para mediar as relações entre eles. E o que ouvi ontem dos alunos dessas salas foi um pedido de ajuda, de socorro. O que podemos fazer em relação a isso?

A hora do recreio precisa também ser considerada um momento educativo, e todo processo educativo com os mais novos exige a presença de educadores, não é verdade? Por isso, as escolas precisam se organizar para que, no recreio, os alunos sejam acompanhados de perto por professores – que podem fazer um rodízio para garantir seu momento de descanso – e outros adultos que trabalham na escola, como inspetores, por exemplo, que precisam de formação e treinamento constantes para realizar bem esse trabalho.

Você sabe como acontece o horário do recreio na escola que seu filho freqüenta? Já ouviu reclamações de seu filho a respeito do que acontece nessa hora? O espaço é organizado para promover uma boa convivência entre eles? Há adultos preparados acompanhando, mesmo que à distância, tudo o que acontece para intervir sempre que necessário?

Essas são questões importantes sobre o funcionamento escolar que os pais precisam ter conhecimento. Para muitos alunos, essa é a hora preferida deles na escola e, portanto, precisa ser bem cuidada. Afinal, uma boa convivência social - e nosso mundo está precisando muito disso - também exige um longo e difícil aprendizado.

 

Escrito por Rosely Sayão às 11h44

Perfil falso no Orkut

A mãe de duas adolescentes me escreveu contando que as filhas criaram perfis no Orkut em nome de atrizes famosas e que ela não sabia como reagir. Considerava estranho que as garotas falassem em nome de outra pessoa, mas, ao mesmo tempo, pensava que poderia ser apenas brincadeira -já que, segundo as filhas, os freqüentadores do site de relacionamento saberiam que se tratava de um perfil "fake" (como são denominados os falsos).

Como eu nunca ouvira falar dessa prática, deixei para conhecer melhor esse fenômeno comum entre os jovens antes de comentar. Coincidentemente, quase ao mesmo tempo, fui avisada por uma amiga de que ela encontrara, no mesmo site, um perfil "fake" em meu nome.

Resolvi, então, pesquisar para constatar que tipo de "brincadeira" era essa. Primeira dificuldade: não conseguia entrar no site porque não sou cadastrada. Isso dificulta sobremaneira que pessoas que têm a identidade roubada possam acompanhar o que se passa na página criada em seu nome. Segunda dificuldade: conseguir contatar os administradores do site para que apaguem o perfil.

Fiz isso, e eles pedem uma série de documentos para quem solicita que seu perfil seja apagado, mas não pedem para quem cria, não é insólito? Depois, eles simplesmente não respondem.Esperei mais de três semanas para ter a página em meu nome e com minha foto apagada.

Não se trata de brincadeira, e sim de enganação, de fraude. Um advogado me informou, inclusive, que tal fato pode ser enquadrado como crime de falsidade ideológica. Na página criada em meu nome, por exemplo, muitas pessoas acreditaram que realmente fosse eu e encaminharam mensagens solicitando ajuda. Essas pessoas foram enganadas e algumas até forneceram dados pessoais ao autor da página, que, pelo texto, parecia se tratar de adolescente. Considero isso grave.

Os pais de adolescentes que sabem que os filhos fazem isso precisam ensinar que não se trata de uma brincadeira, e sim de fraude -e esse é um aspecto importante na formação moral do filho, futuro cidadão. É bom que os pais saibam também que há uma grande diferença entre se fazer passar por uma pessoa que existe e criar um perfil falso de si mesmo -o que pode até ser uma atividade criativa, que permite autoconhecimento e que não prejudica ninguém.

A internet tem sido palco de práticas problemáticas entre adolescentes. Muitos deles a usam para ofender, caluniar, expor colegas em festas etc.O livro "Gossip Girl" e o seriado nele inspirado têm feito sucesso entre a garotada e narram a história de um grupo de adolescentes ricos que têm sua vida exposta na internet por uma blogueira anônima. O sucesso tem sentido porque diz respeito ao que acontece entre eles, provoca identificação.

Muitos pais acreditam que os adolescentes podem usar a internet sem supervisão. Engano: eles precisam de tutela -e não apenas do tempo de uso-, já que podem sofrer ou provocar constrangimentos e passar por experiências desastrosas. Aprender a usar bem a internet exige ensinamentos, afinal.


 

Escrito por Rosely Sayão às 11h42
Brinquedo de adulto

Uma notícia na internet me fez saber que uma jovem mãe de 23 anos foi presa porque portava em seu celular fotos de seu filho de dois anos e dois meses com um cigarro na boca e com um revólver calibre 38 nas mãos apontando para a câmera. Ela confirmou que as fotos estavam mesmo em seu aparelho e disse que viu quando as tiraram, mas que não se dera conta da gravidade do fato.

Ao ler essa notícia, lembrei-me das muitas mensagens que chegaram pedindo que eu comentasse uma reportagem, exibida no programa Fantástico, a respeito de mulheres, a maioria delas sem filhos, que colecionam um determinado tipo de bonecas. Ainda não assisti ao programa, que parece estar disponível em sites de vídeos, mas mesmo assim aproximei os dois fatos e muitos outros que ocorrem no mundo contemporâneo.

Ocorreu-me a idéia de que temos construído um lugar especial para as crianças neste mundo: o lugar de brinquedo. Muitos adultos têm filhos e querem brincar com ele: satisfazer a todas as vontades que manifestam, encher de mimos, deixar a criança com uma imagem moderna, arrumada sempre que possível em cabeleireiros, bonita e limpa, comprar um monte de acessórios para eles etc. A foto tirada dessa criança é um belo exemplo. Esse bebê não foi mesmo tratado como se fosse um brinquedinho que tem a finalidade de realizar os caprichos de seu dono?

Como brinquedo - que tem o objetivo principal dar prazer - a criança não pode atrapalhar a vida dos adultos: em festas eles precisam de gente para cuidar delas, em finais de semana precisam de babás folguistas, em férias precisam de  monitores, e quando exigem a intervenção firme dos adultos, estes desertam já que não tinham esse plano quando decidiram ter filhos.

Este pensamento é apenas uma conjectura, exagerada eu sei, mas que deve servir de alerta porque um acontecimento radical sempre diz algo a respeito do nosso estilo de vida e o contexto em que vivemos tem tudo para que nós, adultos, nos coloquemos na posição infantil. Basta analisar rapidamente o mundo da publicidade. E, quando isso acontece, as crianças de verdade ficam sem lugar.

Tenho certeza que muitos de vocês conhecem pais e mães que se comportam desse modo em relação aos filhos. E a pergunta que devemos nos fazer é: que adultos serão essas crianças no futuro se são tratadas como brinquedos dos adultos do presente? E, a questão seguinte é: como será o futuro da humanidade?

Vale lembrar que essa tendência é global e não apenas nossa. Quem costuma assistir a vídeos em sites especializados, como o “youtube”, sabe que muitos pais, de diferentes nacionalidades, se divertem filmando seus filhos nas situações mais absurdas possíveis por pura diversão e entretenimento pessoal.

 

Escrito por Rosely Sayão às 11h45
A escola deve ser responsabilidade dos filhos

Na volta às aulas, os pais bem que poderiam fazer um acordo com os filhos: a vida escolar, com tudo o que ela implica, deve ser responsabilidade só destes.

Hoje em dia, tal acordo é bem difícil de ser feito já que o êxito escolar passou a ser meta buscada com todo esforço pelos pais. Isso dificulta muito que os filhos entendam que estudar, aprender, se esforçar para conseguir dar conta do que a escola cobra é problema deles e não dos pais.

Do jeito que muitos pais se comportam – seja indo continuamente à escola para tentar encontrar soluções para as dificuldades que os filhos lá encontram, seja sentando junto para fazer, muitas vezes por eles e não apenas com eles as tarefas passadas, seja estudando junto – os filhos apenas realizam tarefas e não assumem a vida escolar como compromisso e responsabilidade deles. É como se estudar e ter notas, no mínimo medianas, fosse algo que precisasse ser feito apenas para a satisfação dos pais.

Assim, fica bem mais difícil que as crianças e os adolescentes entendam cada vez um pouco mais que estudar é algo que tem a ver com eles, com a vida deles e não com a dos pais.

Claro que o acordo a que me refiro não significa dizer aos filhos que a vida escolar é uma batalha deles e esperar que eles façam sozinhos o que precisa ser feito. Isso seria abandonar os estudantes à sua própria sorte. É preciso lembrar que crianças e adolescentes ainda não conquistaram plenamente a autonomia, ou seja, a condição de autocontrole que possibilita, por exemplo, que a pessoa priorize suas responsabilidade e só depois use seu tempo para o lazer.

Para fazer tal acordo é preciso deixar claro ao filho o que se espera dele em relação à escola e, depois, cobrar, lembrar, tutelar a realização do que é necessário para que a responsabilidade escolar seja cumprida.

Muitos pais ficam tão ansiosos e aflitos com a vida escolar dos filhos que acabam por nem dar espaço para que estes assumam, do seu jeito, essa responsabilidade. E aprender a se conhecer na relação com o conhecimento e suas exigências é condição importante para saber como se comportar em relação a isso, não é verdade? Esse é o melhor caminho para que os mais novos se apropriem dos estudos.

É importante lembrar também que aprender é algo difícil: exige, em primeiro lugar, o reconhecimento de que não se sabe algo, de que envolve o risco de errar, de que é preciso perseverar frente às dificuldades que surgem e, principalmente, de que é necessário aprender a controlar a angústia que todo esse processo cria. Por isso, muitas vezes as crianças evitam encarar os estudos: para fugir desse difícil processo de crescimento.

Desse modo, em relação aos estudos, dos pais os filhos precisam principalmente é do encorajamento necessário para saber que têm potencial e capacidade para enfrentar com êxito todo esse processo.

Escrito por Rosely Sayão às 00h00