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Sugestão para o Fim de Semana

Alguém falou a respeito de trabalho infantil e esse não é um assunto simples de se entender no mundo atual. Para começo de conversa, é preciso buscar compreender o que significa ser criança no mundo contemporâneo.

Para tanto, recomendo um Curta-Metragem ótimo, o "A Invenção da Infância", da diretora Liliana Sulzbach, que permite excelente reflexão a esse respeito. O link para assistir é:

http://www.portacurtas.com.br/Filme.asp?Cod=672

Bom fim de semana a todos!


 

Categoria: Filmes e Livros
Escrito por Rosely Sayão às 15h29

Princípios e valores

Uma mãe quer saber se deve ou não permitir que sua filha, de nove anos, viaje com a família de uma colega num fim de semana. Ela diz que a garota nunca fez isso antes e que ela considera precoce esse passeio mais longo sem a família, mas que está em dúvida porque muitas crianças da mesma idade já fazem isso. Outra leitora indaga a melhor idade para colocar o filho, de cinco anos, em aulas de outro idioma e conta que ela mesma, fluente em inglês, começou a estudar depois dos 12 anos, mas que agora percebe que a criançada já começa bem mais cedo.

Um pai diz que o filho de 15 anos leva a namorada para dormir em casa e que ele fica constrangido com a situação, mas acredita que, se impedir, vai se afastar do filho. Finalmente, um outro leitor afirma que quer ensinar valores aos filhos, mas, ao mesmo tempo, considerando o clima competitivo de nosso tempo, quer saber como ensinar que há momentos em que é preciso abrir mão desses valores para não ser ingênuo.

O mundo contemporâneo tornou a educação uma tarefa muito mais complexa. Até o final da década de 50, a maioria não enfrentava questões como as citadas e tampouco tinha de tomar diariamente decisões sobre o tipo de educação a praticar com os filhos. A educação era uma só, os rumos faziam parte de um grande consenso social e assim caminhavam os pais, sem grandes conflitos. Vale dizer que pais e filhos sofriam muito mais, já que eram tão diferentes e tinham de se ajustar a um rumo comum.

Hoje, os pais ganharam a liberdade da escolha sobre como educar seus filhos e, por outro lado, assumiram também uma responsabilidade muito maior por eles. Afinal, cada escolha feita produz efeitos significativos na vida dos filhos, já que estes estão em formação.

Vale refletir a respeito das dúvidas dos pais. À primeira vista, todas parecem questões práticas sobre como agir. Mas cada uma delas guarda em si conteúdos bem mais amplos, que tratam de moral, ética, conceito de infância, limites entre privacidade e convívio social e relação entre pais e filhos.

E talvez esse seja o nó da questão da educação contemporânea que os pais podem desatar ou, ao menos, afrouxar: ao educar os filhos, precisam ter clareza de alguns princípios dos quais não abrem mão e, a partir desse norte, tomar as decisões sem se importar tanto com as decisões dos outros pais. Afinal, já que temos a oportunidade hoje de ter a riqueza da diversidade em educação, há que se aprender a conviver com ela, não?

Pensando assim, a mãe cuja filha pede para viajar sem a família precisa é pensar no conceito de infância que quer garantir para a filha, tanto quanto a mãe que se preocupa com o ensino de línguas; o pai que se sente constrangido com a intimidade do filho em casa precisa considerar como colaborar para fazer a passagem do filho para a maturidade e, finalmente, o que se preocupa com os valores precisa refletir se quer dar uma educação moral de ocasião ao filho ou se quer mesmo é ensinar que os valores fazem parte de um ideal de vida e que, portanto, exigem fidelidade.

"O que quero ensinar aos meus filhos, priorizar na educação deles?" Essa é a questão que os pais devem se fazer quando enfrentam situações que demandam decisões. Afinal: de festas, namoros, aprendizados diversos etc. eles terão muitas chances para desfrutar, mas da educação familiar, só enquanto estiverem sob a tutela dos pais. E esse tempo é curto, acreditem.


 

Escrito por Rosely Sayão às 10h57
Com açúcar e com afeto

A Diana, ao comentar o post anterior, escreveu: “Cozinhar não é a minha especialidade e confesso que, às vezes, opto por ir a algum restaurante nos fins de semana. Não tenho nenhuma criatividade na arte culinária. Será que alguém pode me ajudar?”.

Quem leu minha biografia aqui no blog constatou minha paixão pela cozinha. Mas entendo muito bem quem não tem afinidade com o ato de cozinhar porque, por muito tempo, eu não a tive também. Aprendi a cozinhar por necessidade de sobrevivência quando deixei de morar na casa de meus pais para cursar a faculdade. E não foi amor à primeira vista não: só muito mais tarde é que aprendi a gostar. Foi amor cultivado. Sabem a partir de quando? Depois que meus filhos nasceram. E vou contar a associação que fiz então entre cozinhar e educar.

Eu já era psicóloga quando tive meus filhos e constatei, na prática, que educá-los era algo que eu não sabia, mesmo conhecendo psicologia e educação. Fui aprendendo na prática e com a experiência. Uma noite, ao chegar exausta do trabalho e ter de administrar a convivência entre eles e o preparo do jantar, tive a idéia de envolvê-los na função apenas como entretenimento e distração para eles. E ao observar a curiosidade e deles com a atividade e o gosto em comer algo feito pela mãe – e que eu nem considerei tão gostoso, devo confessar – fiquei emocionada.

À noite, depois que eles foram dormir, lamentei não ter talento para arte culinária porque senti muita vontade de fazer coisas mais gostosas para eles. Eu acreditava que, para cozinhar bem, era necessário um dom especial e muito conhecimento especializado. Foi nessa hora que associei a arte de cozinhar com a de educar. Pensei que, se todo mundo podia se transformar em mãe e pai e educar bem seus filhos sem nenhuma experiência anterior nem curso, o mesmo poderia acontecer com o ato de cozinhar. E tratei, então de me aventurar e de experimentar na cozinha da mesma maneira que estava fazendo na educação.

Diana: assista, com seus filhos, ao filme “Ratatouille”, se ainda não o fez, e aprenda com ele uma lição: “todo mundo pode cozinhar”, assim como todo mundo pode educar bem seus filhos. E lembre-se que para cozinhar, tanto quanto para educar, é preciso ser generoso – gastamos muito de nosso tempo com o outro –, corajoso – enfrentamos frequentemente situações difíceis e críticas que dão medo -, paciente, persistente e tenaz - estamos sempre sob pressão nessas atividades.  Ah: e principalmente saber que exercemos um trabalho árduo em que podemos errar e que teremos de refazer todo santo dia, de outro modo.

Como é possível se apaixonar por atividades desse tipo, que exigem muito compromisso e disponibilidade pessoal? Como eu não sei, mas que é possível, eu sei que é. Coragem e boa sorte – que, aliás, ajuda muito em ambas as atividades - à Diana que, neste post, representa muitos outros internautas e amigos virtuais.


 

Escrito por Rosely Sayão às 22h07