Receba o boletim
do Blog da Rosely Sayão
Este blog é atualizado às segundas, quartas e sextas.
Visitas
|
Desabafo de Mãe
Recebi o texto abaixo de Tatiana Ferraz, uma mãe que fez um desabafo tão interessante que achei que precisava compartilhar com vocês. "Não sou psicóloga. Sou jornalista. Preciso contar a história que segue para ver se eu é que sou uma mãe “anormal” ou as outras é que estão ficando malucas: Estou vivendo a ressaca de um dia de “festa” na escolinha das crianças, meus filhos de 7 e 6 anos. Um verdadeiro estresse. Saí do meu trabalho mais cedo ( com consentimento de chefes, claro, algo sempre constrangedor... não é todo mundo que se sensilibiza com festinha de filhos na escola...) demorei duas horas para chegar ao ginásio onde ocorreria o “ espetáculo de final de ano da educação infantil”. Lugar para parar o carro? Esqueça... Cheguei atrasada. Mães, pais, avós, madrinhas se acotovelavam para tentar chegar ao local do show. Vi meu filho de longe, muito longe...tentando desviar das máquinas, flashes, filmadoras e pais mal-educados que só pensam em filmar o próprio filho, esquecem que há pessoas que também têm o direito à visão. Entram as crianças mais novinhas. Fantasias, muitas fantasias. Elas não dançam... andam, praticamente... olham assustadas para aquilo que, em tese, deveria lhes dar prazer, ser didático, sei lá... muitas choram. Não é pra menos: A fantasia deve ser incômoda.O local, assustador. Os pais e mães, histéricos. O barulho, ensurdecedor. Não é raro ver cenas de pais brigando para ter o melhor ângulo fotográfico da cena. Todos, sem exceção, se preocupam muito mais com o registro “eletrônico’ do que com o registro “cerebral”. Mas... afinal de contas... fotos e filmagens não servem para que um dia possamos recordar aquilo que vimos? Nada disso... hoje, a prioridade é registrar na máquina... sem o simples prazer de olhar a cena... desfrutar, sentir, guardar...Ninguém se preocupa em observar a olho nu... ao pé da letra... o estresse do registro prevalece sobre o fato em si: As crianças, em tese, estão lá para mostrar algo que aprenderam ao longo do ano, ou algo que gostam de fazer. Em tese, estão lá para compartilhar com os pais algo prazeiroso, gostoso de fazer, de aprender... definitivamente não é o que acontece. Aí me pergunto: para quem é o espetáculo? Será que um “show” desses, que mais serve de propaganda para a própria escola ( com o “uso” dos filhos) é mesmo importante, didático, faz parte de uma experiência curricular, sei lá... Conclusão: Parentes “desesperados”, crianças exaustas e estressadas, pais brigando por espaço e egoísmo, dando um péssimo exemplo aos próprios filhos. Eu amo meus filhos e faço questão de estar presente nos principais momentos da vida. Seria muito mais produtivo convidar pais e familiares para montar , juntos, no páteo da escola, uma enorme árvore de Natal com material reciclado que as próprias crianças trariam para a escola, sabendo da importância disso.... teria sido muito mais divertido. E estaríamos muito mais próximos. Quer saber o pior? Eu era a única mãe insatisfeita. Enquanto me perguntava se aquilo realmente valia a pena, observava ao redor mães sorridentes e eufóricas com o “ desempenho” teatral de seus filhos. Queria ter ficado em casa nesse dia... pediria uma enorme pizza de muzzarela e acabaríamos a noite lendo Ruth Rocha antes de dormir...eu dormiria mais feliz. Talvez eles também." Tatiana Ferraz
Escrito por Rosely Sayão às 21h09
![]() Criança em casa nas férias
Uma professora de educação infantil, minha conhecida, ligou-me para pedir que eu escrevesse um artigo aqui no blog para ressaltar a importância da relação dos pais com os filhos durante o período de férias. Ao perguntar a ela o motivo de tal pedido ela disse que, na semana passada, últimos dias em que as crianças freqüentaram a escola, ouviu muitas queixas dos pais por terem de passar muito tempo com os filhos em casa. A idéia de que os filhos dão muito trabalho quando estão em casa é resultado de um conceito muito atual da relação entre pais e filhos. Os pais, hoje, acreditam que o filho precisa ter atenção o tempo todo, que precisam que os pais – em geral a mãe – brinquem com ele, planejem programas para fazerem juntos, inventem brincadeiras etc. E, como esse tipo de relação muito próxima começa muito cedo, a criança passa realmente a depender dos pais – da babá ou de outro adulto – para fazer qualquer coisa. A não ser as travessuras, é claro. Nem sempre foi assim e não precisa, necessariamente, ser assim. A criança, desde pequena, pode aprender a conviver consigo mesma e com a casa, pode explorar o ambiente sozinha – só precisa de tutela para não entrar em situações perigosas porque ainda não reconhece riscos –, pode brincar sozinha. O que ela precisa dos pais é do sentimento de segurança, ou seja, saber que eles estão ali caso precise, e sentir-se amada e acolhida. Precisa também estabelecer uma relação com sua casa: conhecer os ambientes e saber em quais tem liberdade e em quais não pode se esparramar. O vínculo com os pais é essencialmente afetivo e se estabelece pelo olhar, pelos cuidados, pela firmeza, pelas palavras carinhosas, pelo aconchego, pelo tipo de toque etc. Estar com o filho em casa pode ser mais simples. Quando a mãe cozinha, por exemplo – nada mais aconchegante para a criança do que ver a mãe fazer sua comida, sentir o cheiro dela – pode oferecer aos filhos um vegetal e alguns utensílios para que ela “cozinhe” também, de modo lúdico, mas sozinha: em paralelo com os afazeres da mãe. Quando a mãe sai para o trabalho, pode deixar um bilhete ao filho – em forma de desenho ou para que alguém leia para ele – para que saiba que, mesmo na ausência, os pais estão com ele. A tarefa educativa é mesmo árdua, mas o convívio com os filhos é que tem sido. Talvez precisemos repensar o tipo de relação que temos estabelecido com eles. Eles precisam menos do que temos oferecido – companhia quase infantil, impaciência, tutela exagerada – e mais do sentimento de pertencimento, ou seja, de perceber e sentir que têm lugar reconhecido e valorizado na família. Não é preciso reclamar diretamente aos filhos para que eles percebam que seus pais prefeririam que eles estivessem na escola. A percepção que eles têm dos sentimentos dos adultos é muito intensa. Vamos dar as boas vindas com alegria aos filhos que ficarão em casa durante as férias!
Escrito por Rosely Sayão às 11h31
![]() |