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Os pais e a adolescência dos filhos
Uma internauta enviou uma questão bem interessante. Com uma filha de 14 anos, ela está enfrentando os revezes da adolescência: conta que a filha se recusa a qualquer convivência familiar, vê muito poucos os amigos fora da escola e não tem ânimo para nada, nem para passear. Além disso, toma poucos banhos, o seu quarto é um horror e seu desempenho escolar vive de altos e baixos. Essa mãe conta que sempre foi presente na vida da filha, educou-a bem durante a infância e agora tem a impressão de que tudo o que fez ficou perdido no passado, que não resultou em nada.
Tenho visto muitos pais de adolescentes com essa mesma sensação: de sentirem o árduo trabalho educativo exercitado durante anos ir por água abaixo. É preciso mudar essa interpretação para que os pais encontrem forças para continuar sua tarefa até o término dela.
No período da adolescência, o filho passa por uma verdadeira metamorfose. O corpo, que lhe era tão familiar e também conhecido dos pais, passa a ser um desconhecido que muda a cada dia, e não do modo esperado e/ou idealizado. É como se fosse a metamorfose da borboleta às avessas: é esta que se transforma em lagarta. Esse é um dos motivos que colabora com o descuido corporal e da saúde que tantos jovens experimentam nesse período: como cuidar de um corpo que ele não conhece, não entende, não sente que é seu, como expor socialmente esse corpo?
Com tantas mudanças no corpo, muda radicalmente a relação do filho com ele mesmo e com o mundo: já não sabe o que lhe importa, quais suas prioridades, qual sua identidade. Trata-se de um período em que o filho coloca em xeque o amor de seus pais – se ele mudou tanto e precisa se afastar para construir sua própria vida, será que continua sendo um integrante importante daquele grupo?
Neste momento, cabe uma reflexão dos pais sobre a própria vida. O que fizemos com a herança educativa que recebemos? Nós nos apropriamos dela, não é verdade? Isso significa que muito do que aprendemos com nossos pais incorporamos, algumas coisas transformamos e outras, ainda, rejeitamos. Pois é exatamente no início desse processo que o jovem se encontra. Só que, de modo desajeitado, recusa tudo que veio dos pais porque ainda não sabe discriminar o que tem a ver com ele daquilo que não tem.
É nessa hora que os pais precisam lembrar ao filho quem ele é no sentido familiar. Os valores ensinados precisam ser reafirmados, o autocuidado, em todos os aspectos, precisa ser relembrado e a tutela exercida com firmeza cedendo espaço, de modo paulatino, à negociação e à autonomia.
Vou dar alguns exemplos: banho diário e higiene dental continuam sendo atos obrigatórios. Para tanto, os precisam usar toda sua autoridade: não deixar o filho ir dormir sem tomar banho. Ele irá resistir, fazer cara feia, ameaçar, burlar (deixar o chuveiro aberto um tempo sem se banhar) etc. Nada disso deve assustar ou demover os pais de sua tarefa. Aos poucos, o filho aceita a idéia que se trata de um bem para ele e não para os pais.
Reunião e convivência familiar? Os pais devem exigir o que consideram o mínimo, pois precisam entender que o filho precisa de momentos de solidão ou com os amigos. Ele está trocando de turma, afinal. Exigir um mínimo não significa obrigar que ele faça isso de bom grado: basta que esteja presente. Aos poucos – quem sabe? – poderá apreciar esses momentos.
E é assim, com os pais reafirmando a educação que deram, mas aceitando que o filho seja diferente deles ou do que sonharam, é que a tarefa educativa pode ser finalizada. Tudo o que o filho adolescente não pode é ser abandonados pelos pais nesse difícil e excitante trajeto de sua vida.
Recomendo que assistam ao filme “Aos treze”: é uma grande fonte de reflexões, compreensões e identificações para os pais que atravessam esse período.
Escrito por Rosely Sayão às 14h57

Ser criança
"Doze de outubro é declarado o Dia da Criança. Quem comemora tal data? O comércio, sem dúvida. Por mais tímidas que sejam as vendas de brinquedos, eletrônicos e toda sorte de produtos para o público infantil -aliás, é bom considerar que até adolescentes correm sério risco de serem presenteados-, um aumento sempre acontece. É que pais, tios, avós e amigos da família querem fazer um mimo para a criança, que, exposta que está aos veículos de comunicação, sabe cobrar o que acha devido. Ganhar presentes nessa data tornou-se fato quase banal. Obrigação, digamos.
Será que as crianças desfrutam dos presentes? Provavelmente, sim, por pelo menos uns 15 minutos. O fato é que, para crianças que já têm mais do que precisariam para descobrir o mundo pela brincadeira, fica difícil entregar-se a uma única atividade ou escolher um brinquedo entre tantos. Vale lembrar um velho ditado popular que diz que quem tem tudo não tem nada.
Pensando bem, o comércio e a indústria talvez sejam os únicos segmentos da sociedade com motivos para comemorar a data. Afinal, o que pais, profissionais da educação e adultos implicados com o futuro teriam a celebrar? O fato de a identidade infantil estar perdida no mundo contemporâneo?
Vejamos: as crianças pertencentes a famílias de classe média não têm tempo nem espaço para brincar. Desde cedo, são estimuladas para o aprendizado que deverá render frutos no futuro. São intencionalmente dirigidas pelos adultos em brincadeiras que visam algum aprendizado. Ora, brincadeira com objetivo e traçado planejados não é divertimento, tampouco passatempo. É lição disfarçada de brincadeira.
O espaço da criança foi eliminado. Em casa, muitos pais têm a ilusão de que destinar o quarto do filho para que ele esparrame seus muitos brinquedos e faça o que quiser é dar espaço a ele. Mas a criança fica é confinada em seu quarto. O espaço público foi roubado dela. Não dizemos que rua não é lugar para criança? Por outro lado, consideramos que shopping o é.
Mas o fator que mais contribui para a eliminação da identidade infantil é a maneira como tratamos e educamos as crianças. Elas são introduzidas no mundo adulto de modo repentino e prematuro -pelas informações que recebem, pelo modo de se vestirem e se portarem, pelos locais que freqüentam, pela linguagem que aprendem, pela cobrança que recebem etc. Não: as crianças de hoje não são precoces, como muitos acreditam. Suas manifestações são só reflexos dos ensinamentos e estímulos que recebem e do mundo em que vivem.
Podemos considerar o Dia da Criança, hoje, um dia vazio de sentido. Precisamos construir muitos outros dias para que a criança possa ser criança. Afinal, são bem poucos os anos em que se pode ser criança: mais ou menos seis para a primeira fase da infância e, depois, outro período equivalente para a segunda. E temos o restante da vida -quase 60 anos, em média- para aprender a ser adultos e a cuidar dos mais novos. Por um Dia da Criança infantil!
Escrito por Rosely Sayão às 09h45

Gravidez precoce
Uma jornalista que está escrevendo uma matéria sobre gravidez precoce enviou-me uma pergunta e, como creio ser de interesse geral, vou comentar aqui no blog. Ela quer saber por que as adolescentes, mesmo com tanto acesso à informação, ainda continuam engravidando precoce e inesperadamente.
Pois é: essa é uma questão importante no nosso tempo, caracterizado como a era da informação. Nunca tivemos tantas informações a respeito de tudo, mas mesmo assim os problemas continuam existindo. Talvez, tenhamos que admitir: processar informações não é o mesmo que dar algum sentido a elas. Vamos analisar a questão da gravidez precoce nessa perspectiva.
Quase todas as jovens têm, de alguma maneira, acesso a informações preciosas a respeito dos mais variados métodos anticoncepcionais. Algumas poucas garotas engravidam mesmo usando os métodos já que nenhum deles tem 100% de eficácia. Mas a maioria delas, segundo várias pesquisas, engravida por ter praticado sexo sem prevenção para a gravidez.
Por que isso ocorre? Tenho algumas hipóteses. A primeira delas é que o sexo, neste tempo, transformou-se em item de consumo. O que antes era proibição hoje se transformou em obrigação, em anseio plantado em nossos jovens. Basta dar uma rápida olhada nas revistas dirigidas a esse público para perceber o quanto o assunto é estimulado, exaltado, mitificado. Desse modo, as jovens praticam o sexo antes de ter maturidade para isso, antes de perceber as responsabilidades que isso implica.
O segundo ponto que considero importante nesse fenômeno é o de que crianças e jovens são formados, hoje, para buscar o prazer e a felicidade a qualquer custo e evitar a frustração e a espera. E é bom lembrar que o conceito de felicidade que temos posto em prática tem muito mais a ver com alegria no presente do que com a construção de um caminho, de um trajeto. Desse modo, os jovens têm sido levados a agir impulsivamente em assuntos sérios e complexos: primeiro agem, depois pensam no que fizeram e se preocupam e/ou se arrependem com seu comportamento.
Finalmente, considero também que os adultos têm assumido responsabilidades e deveres que deveriam ser delegados aos mais novos e deixado que eles desfrutem dos prazeres e exijam seus direitos sem muito compromisso. Isso leva os jovens a uma concepção arriscada: a de que eles têm direitos que não levam aos deveres correspondentes. Sim: o exercício da sexualidade é um direito que lhes cabe, mas que acarreta em muitos deveres, não é mesmo?
Claro que esses não são os únicos fatores que contribuem para a gravidez precoce, mas hoje ficaremos com essa reflexão. Fica para uma próxima a confusão entre afeto e sexualidade que temos promovido e as questões de gênero, que também têm grande influência nessa questão.
Escrito por Rosely Sayão às 19h14

A tarefa educativa é longa e árdua
“Tenho uma filha de 11 anos cujo pai é falecido. Casei há três meses e minha filha esta começando a fazer coisas que não fazia: sai e não avisa, quer que façamos tudo para ela e não assume as tarefas que lhe foram incumbidas. O que faço?”
A mensagem de nossa internauta retrata o embaraço de muitos pais frente aos comportamentos dos filhos e à sua responsabilidade na questão. Diariamente, perguntas desse tipo de pais e mães com filhos das idades mais variadas são encaminhadas para o blog.
A primeira coisa que observo é que, quase sempre, os pais relacionam o comportamento desobediente ou rebelde do filho com alguma situação vivida por eles mesmos: ora dizem que trabalham muito, ora que não têm paciência com crianças, ora que se separaram, que viajaram etc. É fato raro os pais pensarem que é próprio dos filhos desafiarem a autoridade paterna, que representa o mundo adulto.
Consideremos o caso de nossa leitora: vejam que, mesmo sem perceber, ela relaciona o comportamento da filha ao casamento recente que fez. Ocorre que a mudança da filha pode não ter relação alguma com a vida da mãe. Sabemos que os filhos podem mudar radicalmente na época em que entram na adolescência: passam a contestar a ordem e a autoridade estabelecidas e tentam, de todos os modos, fazer valer o seu modo de viver e de pensar. Sabemos, também, que de nada adianta entrar em confronto com eles nessa fase: melhor a atitude firme e carinhosa de manter a autoridade no que é necessário e negociar o que possível.
E é justamente a questão da autoridade dos pais no exercício da educação dos filhos que observo como o segundo ponto importante nesse tipo de questão. Por que tem sido difícil para muitos pais buscarem maneiras de enfrentar o comportamento rebelde dos filhos? Que o conceito de autoridade está em crise é certo, mas já considero, atualmente, que esse fato em si é insuficiente para compreender tal fenômeno.
Hoje, considero que outros fatores concorrem para criar o desconforto desses pais. Em minha interpretação, o mais importante é que criar filhos é tarefa árdua, trabalhosa e exigente, que dura pelo menos uns 20 anos no mundo atual, e os adultos têm resistido a enfrentar os problemas e dificuldades que surgem durante todo o percurso. A impressão que dá é a de que os pais esperavam uma tarefa mais simples e mais rápida e que gostariam que os filhos se submetessem sem apresentar problemas ao tipo de educação que recebem.
Em resumo: os adultos, hoje, estão tão comprometidos com a própria vida que não se conformam com o fato de não existirem soluções mágicas na educação dos filhos e de terem de enfrentar, por anos a fio, as mesmas questões de sempre, apenas com aparências diferentes. Afinal, o que está em jogo é quase sempre a mesma coisa: os filhos querem agir levando em conta apenas o princípio do prazer e os pais precisam lembrar sempre a eles o princípio da realidade.
Isso é ensinar a viver, é formar uma pessoa para enfrentar a vida como ela é.
Escrito por Rosely Sayão às 08h52

Faculdade interminável
Uma internauta escreveu pedindo ajuda porque o filho está enfrentando problemas para terminar o curso universitário. Como esse fato está se tornando cada vez mais freqüente, vamos pensar a respeito.
Passar no vestibular para entrar numa boa faculdade tem sido um investimento intenso que pais e escolas, de um modo geral, têm realizado já há alguns anos junto aos mais novos. Desde que a criança inicia seu ciclo fundamental – algumas vezes até antes, por incrível que pareça – os pais já estão preocupados com o aprendizado para o tal exame seletivo.
O que conseguimos construir dessa maneira? A idéia, para os filhos, de que passar nesse exame é a grande meta da vida deles. E lá vão eles, cada um a seu modo e ano após ano, enfrentar essa árdua batalha. Até que um belo dia eles terminam o ensino médio, passam no vestibular e entram na faculdade.
O que acontece então? Muitos jovens conseguem refazer sua meta: terminar a faculdade e passar a contribuir com a sociedade. Mas, muitos deles não conseguem dar esse passo porque, depois de conseguirem realizar o que consideravam seu grande objetivo na vida, ficam vazios de anseios. Esse fato, aliado ao modo como os filhos têm sido criados, faz com que muitos fiquem paralisados ao cursar a graduação.
Alguns jovens desistem logo nos primeiros anos porque acham que o curso escolhido não correspondeu e voltam a querer prestar outro exame para outra faculdade. Percebem como, desse modo, tentam resgatar o sonho perdido?
Outros não conseguem cursar disciplinas importantes para o curso, outros esticam o tempo do curso, outros se distraem com qualquer outra coisa e não priorizam os estudos; assim, terminar o curso universitário torna-se uma tarefa sempre adiável.
Tal fato é um alerta a os pais: estes podem deixar de se preocupar com o vestibular. A questão, agora, não é mais o filho entrar na faculdade e sim sair dela e cair na vida por conta própria.
Os pais que estão com os filhos paralisados nessa fase precisam encorajá-los a seguir seu caminho, seja do modo que for. Alguns só precisam de um empurrão carinhoso mas firme; outros precisam se defrontar com a realidade da vida. Afinal, depois dos 18, 19 anos, se o jovem não consegue estudar, precisa trabalhar para viver.
Permitir que, nessa idade, os filhos permaneçam dependentes dos pais não colabora para o crescimento deles. Eles não podem adiar a entrada na vida adulta e os pais precisam mostrar isso nas atitudes que tomam, a não ser que queiram manter o filho infantilizado.
Escrito por Rosely Sayão às 10h38

Sobre as influências da televisão
Autor: FERNANDO SAVATER
“A revolução que a televisão causa na família, principalmente por sua influência sobre as crianças, nada tem a ver, segundo o sociólogo americano Neil Postman, com a sabida perversidade de seus conteúdos, mas provém de sua eficácia como instrumento de comunicação de conhecimentos. O problema não reside no fato de a televisão não educar suficientemente, mas no fato de educar demais e com força irresistível; o mau não é a televisão transmitir falsas mitologias e outros embustes, mas é ela desmistificar vigorosamente e dissipar sem contemplações as névoas cautelares da ignorância que costumam envolver as crianças para que continuem sendo crianças.
Durante séculos, a infância manteve-se num limbo à parte do qual as crianças só iam saindo gradualmente, de acordo com a vontade pedagógica dos adultos. As duas principais fontes de informação eram, por um lado, os livros, que exigiam um longo aprendizado para serem decifrados e compreendidos, e, por outro, as lições orais de pais e professores, sabiamente dosadas. Os modelos de comportamento e de interpretação do mundo que se ofereciam à criança não podiam ser escolhidos voluntariamente nem rejeitados, porque careciam de alternativa. Só depois de chegarem a uma certa maturidade e de se curar da infância os neófitos iam se inteirando de que havia mais coisas no céu e na terra do que até então lhes tinha sido permitido conhecer. Quando a informação revelava as alternativas possíveis aos dogmas familiares, dando lugar às angustiantes incertezas da escolha, a pessoa estava suficientemente formada para suportar melhor ou pior a perplexidade.
Mas a televisão acabou com esse desvendamento progressivo das realidades ferozes e intensas da vida humana. As verdades da carne (o sexo, a procriação, as doenças, a morte...) e as verdades da força (a violência, a guerra, o dinheiro, a ambição e a incompetência dos príncipes desse mundo...) antes eram escondidas dos olhares infantis, cobertas com um véu de recato ou vergonha que só se levantava pouco a pouco. A identidade infantil ( a mal denominada “inocência” das crianças) consistia em ignorar essas coisas ou em lidar apenas com fábulas a respeito delas, aos passo que os adultos caracterizavam-se justamente por possuir e administrar tantos segredos. A criança crescia numa obscuridade aconchegante, levemente intrigada por esses temas sobre os quais ainda não lhes davam respostas completas, admirando com inveja a sabedoria dos adultos e desejosa de crescer para ser digna de compartilhá-la.
Mas a televisão rompe esses tabus e, de maneira generosamente desordenada, conta tudo: deixa todos os mistérios com a bunda de fora e, na maioria das vezes, da forma mais literal possível. As crianças vêem na tela cenas de sexo e matanças bélicas, é claro, mas também assistem a agonias em hospitais, ficam sabendo que os políticos mentem e roubam ou que outras pessoas zombam daquilo que seus pais dizem que deve ser venerado. Além disso, para ver televisão não é preciso nenhum aprendizado especializado: acabou-se a trabalhosa barreira que a alfabetização impunha aos conteúdos dos livros. Com algumas sessões diárias de televisão, até mesmo assistindo aos programas menos agressivos e aos comerciais, a criança fica por dentro de tudo o que antes os adultos lhe escondiam, enquanto os próprios adultos vão se infantilizando também diante da “tevê”, na medida em que se torna supérflua a preparação por meio de estudos, antes imprescindível para se conseguirem informações.
A televisão fornece meios de vida, exemplos e contra-exemplos, viola todos os recatos e promove entre as crianças a urgência de escolher que está inscrita na abundância de notícias frequentemente contraditórias. E há mais: a televisão não só opera dentro da família como também emprega os instrumentos de persuasão cálidos e acríticos da educação familiar. ...
Não há nada tão subversivo educacionalmente falando quanto uma televisão: longe de submergir as crianças na ignorância, como acreditam os ingênuos, ela as faz aprender tudo desde o início, sem respeito pelos trâmites pedagógicos. Ah, se pelo menos os pais estivessem junto delas para acompanhá-las e comentar esse impudico bombardeio de informações que tanto acelera sua instrução! No entanto, é próprio da televisão funcionar quando os pais não estão e, muitas vezes, para distrair os filhos do fato de os pais não estarem... ao passo que em outras ocasiões eles estão, mas tão mudos e enlevados diante da tela quanto as próprias crianças.”
(FERNANDO SAVATER, O Valor de Educar)
Escrito por Rosely Sayão às 23h26
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