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do Blog da Rosely Sayão
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Quando o filho tropeça nas palavras
A mãe de um garotinho que tem quase três anos escreveu-me aflita. Ela está preocupada porque o filho, segundo ela, demorou para começar a falar e agora está gaguejando bastante. Como ela está grávida do segundo filho, pensou na possibilidade de essa ser uma maneira de ele manifestar ciúme e ter a atenção dos pais. Nos tempos atuais, muitos pais observam atentamente o desenvolvimento do filho para constatar se segue o padrão considerado normal. Nunca falamos tanto em normalidade quando o que está em questão é o desenvolvimento infantil. Temos tabelas indicativas para o início da fala, para o crescimento, o alcance de um caminhar desenvolto, a destreza manual etc. Um dos problemas que criamos ao tentar comparar o desenvolvimento de uma criança a essas tabelas é que passamos a pensar em atraso ou em precocidade. Mas, o que ocorre é que essas tabelas dizem respeito a médias estatísticas. Além disso, o sujeito tomado como objeto da ciência é anônimo e fictício. Essas tabelas ou suas idéias aproximadas precisam ser levadas em consideração com muito cuidado quando consideramos uma criança com nome, família e um contexto de vida. Vamos tomar como exemplo algumas crianças que demoram para começar a se expressar pela linguagem falada. Entretanto, a maioria delas se expressa por outros tipos de linguagem, como a gestual, por exemplo. Conheço muitos casos de crianças que não falavam porque não precisavam falar: alguém falava por elas. Quando demandadas, passaram logo a utilizar o recurso que já tinham potencialmente. Vamos pensar um pouco agora sobre o comportamento de gaguejar na idade do filho de nossa leitora. Muitas crianças passam por essa fase de gaguejar perto dos três anos e superam sozinhas, meses depois, sem que seja preciso preocupar-se com isso e muito menos realizar algum tipo de intervenção. Mas, o que é uma fase passageira, provocada pela dificuldade de articulação que nessa idade as crianças têm, pode se prolongar em virtude das reações que os adultos – pais, principalmente, ou professores - manifestam. Uma criança não gagueja porque quer: esse é um ato involuntário, por isso é difícil afirmar que seja um modo de chamar a atenção. Pode – isso sim – ser uma maneira de manifestar uma dificuldade qualquer, mas aí é preciso acompanhar de perto a criança para buscar entender essa manifestação. Se seu filho passa por essa fase, não se mostre desconfortável quando ele gagueja e não peça para ele ter calma: quem precisa de paciência para não completar a frase ou a palavra que ele tenta dizer são os pais. Também de nada serve pedir para ele respirar e recomeçar: isso só o atrapalha. Nessa hora os pais precisam bom senso para aguardar um pouco e só pensar em procurar ajuda profissional após, pelo menos, seis meses de manifestação do comportamento sem mudança alguma.
Escrito por Rosely Sayão às 15h20
![]() Em busca da maturidade
Fazer faculdade, morar sem os pais e bem longe das vistas e do controle deles pode parecer a chance de ganhar a tão sonhada liberdade. Foi exatamente assim que sentiu a jovem que me contou um pouco dessa sua experiência de estudar fora. A primeira sensação que ela teve foi de independência ao perceber que não tinha mais de dar satisfações de seu cotidiano a ninguém. Afinal, professor de faculdade não costuma “pegar no pé” de seus alunos como os de ensino médio e de educação fundamental. Além disso, sem os pais por perto ela teria liberdade de ir e vir a qualquer hora para qualquer lugar, de escolher fazer ou não fazer as coisas, de comparecer ou não às aulas etc. “Foi a melhor coisa da minha vida perceber que eu tinha, finalmente, a oportunidade de fazer o que eu quisesse”, disse ela. Mas, essa sensação durou pouco e custou muito. Logo depois das primeiras avaliações no curso ela se deu conta de que precisava comemorar menos e se comprometer mais com horários, estudos e freqüência nas aulas se quisesse se desenvolver e aprender o que tinha se proposto. Ela ainda queria, sim, desfrutar de toda a diversão disponível, descobrir uma vida nova, mas queria também fazer bem o seu curso. Entendeu que tinha de dosar as coisas. Ponto para ela e, provavelmente, para a boa formação que teve já que levou apenas um semestre para chegar a essa conclusão enquanto muitos jovens passam anos nessa situação rodando em círculos. “Se liberdade não é fazer apenas o que se quer, é o que, então?”, perguntou ela. Talvez seja saber escolher, saber renunciar, saber dosar, não é? Ou talvez seja conseguir maturidade para saber avaliar bem no contexto três elementos distintos: “eu quero”, “eu posso” e “eu devo”. E mais: para ser livre é preciso descobrir que a liberdade tem um custo. Ela disse que começou a tentar arcar com o custo de sua autonomia e liberdade a partir do segundo semestre de seu curso e que continua na batalha. Não é fácil acordar na hora quando podia permanecer na cama, fazer trabalho e estudar quando podia estar na balada ou descansar em vez de varar a noite na internet conversando com as amigas, entre tantas outras coisas, sem que ninguém lhe diga que é o que ela deve fazer. E tem sido assim que essa corajosa jovem tem feito sua travessia para a maturidade: falhando muitas vezes e aprendendo com seus erros, fazendo escolhas algumas vezes equivocadas, outras acertadamente, buscando aprender a se cuidar e a se controlar e dando muito valor às palavras de alguns adultos que ela respeita. Os pais, por exemplo. “Ainda falta muito para eu aprender a ser gente grande”, disse ela ao final de nosso encontro. Pois eu diria que ela já achou o rumo, agora é uma questão de esforço, dedicação e perseverança. O relato dela me fez pensar que vale a pena (no mais exato sentido da expressão) todo o nosso trabalho na educação das novas gerações.
Escrito por Rosely Sayão às 19h30
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