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A guerra das garotas com o corpo

A notícia está em todos os jornais: a Secretaria de Estado da Saúde realizou uma pesquisa no ambulatório de Ginecologia da Adolescente do Hospital das Clínicas com garotas entre 12 e 20 anos usuárias do serviço. Alguns dos resultados do estudo: 67% das adolescentes pesquisadas estão insatisfeitas com o corpo, 37% sentem vergonha de seu físico e 75% deixam de fazer pelo menos uma refeição ao dia em busca do emagrecimento.

A frase de uma garota aponta o quanto a aparência é priorizada em detrimento da saúde: “Nem me preocupo com os métodos, o importante é a felicidade que a magreza traz”. Recentemente, ao buscar na internet um artigo sobre felicidade, deparei-me com uma frase semelhante dita por uma artista de tv: “Felicidade é terminar o dia com o mesmo peso que acordei”.

Já faz tempo que o padrão de corpo imposto pela sociedade como bonito é o magro, muito magro e com poucas curvas. Entretanto, são poucas as mulheres que conseguem atingir tal padrão já que, principalmente em nosso país, a constituição física das mulheres é bem diferente. Para ter o corpo das modelos e, ao mesmo tempo, saúde, é preciso uma carga genética que permita isso.

Mas, nossas garotas insistem em atingir o padrão imposto – e na maioria das vezes inatingível - porque acreditam que só assim terão uma boa auto-imagem e boas relações sociais por terem um corpo perfeito. Isso é uma loucura. O pior: a responsabilidade é muito mais nossa do que dessas jovens.

Vamos reconhecer: no universo das mulheres adultas, muitas provavelmente mães de adolescentes, um tema freqüentemente abordado é a preocupação com o peso, tanto em conversas como em comportamentos. Basta dar uma olhada na oferta de sites, revistas e programas de tv a respeito de dietas para termos uma idéia da demanda que há sobre o assunto. Acredito ser mais comum mães de garotas conversarem com as filhas sobre a relação da alimentação com o peso do que com a saúde.

A adolescência é uma etapa encantadora da vida; vamos permitir que as garotas passem boa parte dela ocupadas com o peso? Precisamos introduzir – e por que não impor? - outros valores na vida delas, não é verdade?  E o primeiro passo talvez seja ouvi-las para dialogar com suas angustias nessa fase da vida tão cheia de insatisfações e inseguranças com a própria imagem.

Escrito por Rosely Sayão às 22h42
Filhos precisam de pais potentes

A mãe de um garoto de 10 anos, ao contar a dificuldade que enfrenta para fazer o filho dormir em seu quarto e os meios que tem utilizado para tentar resolver a questão, falou duas frases que têm sido formuladas cada vez mais por pais. A primeira foi “eu não sei mais o que fazer” e  a outra “eu já tentei tudo”. Vamos pensar sobre o alcance e o significado dessas frases.

Uma das coisas que sabemos é que educar é tarefa árdua que exige potência da parte de quem educa, quer dizer, condições para se fazer obedecer e exercer autoridade e, sobretudo, capacidade para criar, agir e produzir. Além disso, sabemos também que as crianças, principalmente as pequenas, estabelecem uma comunicação tão direta com as pessoas com quem interagem com freqüência e intimidade – pais e professores – que logo percebem se há ou não convicção e firmeza em suas atitudes e/ou falas.

 Quando os pais dão alguma ordem mas não acreditam que irão ser obedecidos pelos filhos, estes logo percebem que há espaço para a transgressão. Do mesmo modo, quando os pais se sentem impotentes ou fracos para enfrentar a rebeldia ou a teimosia dos filhos, estes se sentem fortalecidos na desobediência e passam a acreditar que nada e ninguém podem detê-los. E isso não faz bem a ele.

Quando os pais dizem – mesmo que não diretamente ao filho -  que não sabem mais o que fazer, demonstram atitude de fragilidade no exercício de seu papel, e isso provoca na criança ou no adolescente a sensação de abandono: eles sentem como se os pais tivessem desistido dele.

Sempre há o que fazer e nunca os pais já tentaram de tudo para encontrar alguma solução para as dificuldades que enfrentam ao educar os filhos. O problema é que, em geral, os pais repetem a mesma atitude tomada anteriormente e que já sabem que não irá funcionar.

É por isso que o mais importante para quem educa é pensar a respeito do que foi feito e do que pode ser feito, e não agir. Quando os pais estão a sós, conversando entre si ou com seus botões, é a hora de refletir a respeito das atitudes educativas que foram tomadas no dia com os filhos, reconhecer as que não deram certo ou foram impulsivas e equivocadas e criar novas possibilidades. 

Não querer repetir o mesmo erro cometido é uma das maiores qualidade que os pais podem ter na busca de uma boa educação. Jamais abandonar o posto ou desistir de sua função é outra. Para tanto é preciso, principalmente, coragem.

Escrito por Rosely Sayão às 23h12