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do Blog da Rosely Sayão
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Como enfrentar o ruído em sala de aula?
Li uma notícia no jornal que considerei muito curiosa. Algumas escolas, incomodadas com o nível de ruído produzido pelos alunos em sala de aula, resolveram elaborar uma estratégia para tentar uma solução. Criaram uma escala de zero a 10 que marca, de modo subjetivo, o nível de ruído na sala. Quando o barulho aumenta, o professor – ou um aluno – vai até a escala e sobe o marcador. Esse gesto sinaliza à classe que é preciso baixar o volume de voz. Assim que li a notícia, lembrei-me imediatamente da estratégia criada na Escola da Ponte – aquela em Portugal - para enfrentar esse problema. Em todo ambiente de estudo – eles não chamam de sala de aula – há um aparelho de som que toca música clássica. As músicas foram selecionadas por especialistas para produzir determinados efeitos: tranqüilizar, estimular o aprendizado e a concentração etc. A orientação dada aos alunos é exatamente essa: ouvir a música que toca estimula o aprendizado, por isso a sala toda deve ser capaz de ouvir a música sempre. Quando algum aluno ou professor não consegue ouvir por causa do barulho que aumentou muito, ele levanta a mão até que todos o vejam, e esse é o sinal para a sala produza menos barulho. Pode parecer, à primeira vista, que as duas estratégias são muito semelhantes, não é? Mas não são. A primeira é muito mais subjetiva. A tolerância para o barulho é diferente para cada pessoa. Um aluno pode considerar a sala silenciosa e o professor achar muito ruidosa, por exemplo. Isso dificulta a adesão de todos na estratégia coletiva. A segunda é mais objetiva: conseguir ouvir a música enquanto trabalha é uma atividade mais fácil de ser compartilhada. Mas, a grande diferença é que a segunda estratégia não apenas enfrenta um problema em sala: seu uso educativo tem maior amplitude, ou seja, ela vai além de enfrentar a dificuldade. Com ela, os alunos conhecem alguns compositores de música erudita – eles precisam saber o que está tocando -, refinam o gosto estético e ganham bagagem cultural. Em resumo: eles aprendem mais do que simplesmente fazer menos barulho. Talvez seja a hora de pais e professores pensarem que já chega de dar mais do mesmo remédio, não é verdade? Precisamos ousar pensar diferente para buscar soluções que dêem conta dos problemas que filhos e alunos criam no mundo atual.
Escrito por Rosely Sayão às 18h46
![]() Cuidados que devemos ter ao falar com crianças
Mesmo sem perceber, a gente adora enquadrar as pessoas em categorias para defini-las e descrevê-las. Quando isso envolve uma criança, criamos um problema. E pais e professores fazem isso em profusão. “Meu filho é tímido”, “aquela criança é agitada”, “fulano é mentiroso”, “tal aluno é fofoqueiro” são algumas descrições que já ouvi adultos fazerem a respeito de crianças. E, de fato, essas crianças podem apresentar as características apontadas. Mas, por que isso é problemático? É que a criança vive, na infância, o período em que constrói sua imagem, e esse processo ocorre a partir de matrizes de identificação que ela encontra no ambiente em que vive. Quando uma criança mente algumas vezes e, a partir de então, passa a ser descrita como mentirosa, essa matriz passa a fazer parte da imagem que ela constrói a seu respeito. E vira até profecia, mesmo quando negada. Quando um educador, familiar ou escolar, diz para uma criança que ela não deve ser mentirosa, por exemplo, está afirmando que ela já é, ou está se tornando. Mentir é diferente de ser mentiroso, mas uma criança ainda não faz essa distinção e, quando percebe que essa imagem a descreve, acaba por tomar essa referência para se situar, para se perceber e para se identificar. Ela adota uma parte como o todo e, a partir de então, é bem mais provável que a mentira passe a se tornar mais freqüente em sua vida. É que é assim que ela se reconhece porque é assim que os adultos próximos a reconhecem. O que um adulto diz para uma criança a respeito dela funciona, na verdade, como em espelho. Pode parecer apenas uma questão de construção lingüística, mas não é. Dizer para uma criança que ela mentiu e dizer que ela é uma mentirosa faz uma grande diferença no seu desenvolvimento. Ralhar com o filho por ele ter feito sujeira onde não deveria é diferente de dizer que ele é um porcalhão. Chamar a atenção de um aluno por ele não parar quieto quando deveria é bem diferente de dizer que ele é hiperativo. Além disso, enquadrar a criança em determinadas categorias de comportamento ou de atitude, aniquila também a possibilidade de ela experimentar até encontrar o jeito mais adequado para si. Lembro-me de um fato bem interessante que ilustra essa questão. Três crianças entre seis e oito anos, mais ou menos, almoçavam juntas no restaurante de um hotel. Os pais estavam por perto, mas elas preferiram a independência. Enquanto almoçavam, conversavam e se observavam, é claro. Em determinado momento, uma delas tirou um alimento do prato e colocou sobre a toalha da mesa. A outra, atenta, disparou: “Isso é feio! Se você não quer comer, deixa no prato”. A resposta veio curta e grossa: “Eu sei”. E, quando indagado do motivo de, mesmo assim, fazer, o garoto afirmou com a maior tranqüilidade: “É que sou teimoso”. Dá para imaginar que essa criança ouve isso com muita freqüência, não é verdade?
Escrito por Rosely Sayão às 14h17
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