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do Blog da Rosely Sayão
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Remanejamento de classe no início das aulas
Hoje, proponho uma conversa considerada delicada por muitos pais: a mudança de turma que muitos alunos enfrentam no início do ano letivo. Da escola de educação infantil ao ensino médio, nas escolas privadas e nas públicas, esse é um fato corriqueiro. Os motivos que justificam essas mudanças são os mais diversos: turmas que se juntam por diminuição de alunos, turmas que se separam por multiplicação de séries, separação de grupos ou de duplas consideradas explosivas ou impermeáveis etc. A questão é que muitos alunos resistem a essa mudança ora porque foram separados de colegas queridos, ora porque caíram na mesma turma em que estuda um antigo desafeto etc. Aí, eles reclamam em casa, fazem a maior pressão, e alguns pais tomam as dores de seus filhos como suas e procuram negociar com a escola a troca de classe do filho. Eu entendo o que esses pais sentem e pensam. Eles acreditam que a vida escolar por si só já é árdua e, por isso, o filho não deveria ser atrapalhado por questões secundárias. Outros acreditam que a presença de um colega rejeitado ou a ausência de um querido no cotidiano escolar é desgastante e prejudica o desempenho no aprendizado. Outros, ainda, temem que a adaptação do filho demore muito a ocorrer ou, então, que nem ocorrerá. Por isso tudo e outros motivos mais, os pais iniciam uma pequena batalha com a escola para conseguir a mudança. As estratégias que os pais usam são as mais variadas possíveis: alguns pedem com jeitinho doce, outros já chegam ameaçando, outros já avisam que responsabilizarão a escola por qualquer problema que ocorra com o filho, e por aí vai. No fundo, o que os pais buscam ao agir assim é o bem do filho, não é? Mas, quero avisar a esses pais que há um equívoco nessa questão. Os filhos não vão à escola apenas para aprender o conhecimento sistematizado. Vão também para aprender a viver no mundo público. Na escola, o aluno precisa aprender a trabalhar e a estudar junto com colegas que ele não escolhe. O encontro de colegas na escola é um encontro totalmente aleatório. Não é assim a vida pública? Além disso, toda escola tem suas regras e é bom saber que elas não existem para atrapalhar a vida dos alunos e/ou de suas famílias, tampouco facilitar. A finalidade delas é permitir que a instituição viva em função do coletivo, e esse é um aprendizado fundamental para crianças e adolescentes: aprender a deixar de ser o centro do mundo e a abdicar de seus interesses egocêntricos para conseguir enxergar o mundo também com os olhos dos outros. Isso é que é educação para a cidadania. Os pais que insistem na troca de classe de seus filhos negam a estes tal aprendizado e os consideram sem aptidão para viver a vida como ela é. E as escolas que sucumbem a tais pedidos não têm consciência da importância desse aprendizado. Afinal, é preciso lembrar que a escola é responsável por realizar uma iniciação fundamental na vida dos mais novos: ela faz a transição das crianças e dos jovens da família para o mundo, como bem diz Hannah Arendt. Os pais precisam estimular os filhos a enfrentarem as vicissitudes da vida: dar apoio quando as dificuldades são grandes, incentivo frente às adversidades e, principalmente, confiar na capacidade de os filhos resolverem os problemas que enfrentam, mesmo e inclusive quando eles próprios não confiam. Isso é educar.
Escrito por Rosely Sayão às 12h18
![]() O período de adaptação na escola de educação infantil
Estou de volta, depois de um revigorante período de férias. Puxa, eu estava precisando muito desse tempo. Como presto trabalho para diferentes empresas e escolas – profissional liberal não tem um patrão, tem muitos! – fiquei uns cinco anos sem conseguir tirar férias de tudo ao mesmo tempo. Consegui desta vez, e foi uma maravilha. O tempo acaba por se tornar pequeno pra tanta coisa que a gente quer fazer nesse período, não é mesmo? Reunir-se com a família, ver amigos, viajar um pouco, organizar a casa... essas coisas todas eu havia planejado fazer. Mas, não deu tempo. Paciência: irei fazendo o que faltou aos poucos. Agora, é hora de voltar com nossos encontros. Nesta semana e na próxima, muitas crianças pequenas irão, pela primeira vez na vida, enfrentar uma grande aventura: ir para a escola. As escolas de educação infantil em geral tratam esse período com muita atenção porque sabem que é um momento delicado na vida da família. Por quais motivos? Em primeiro lugar, não é fácil entregar o filho nas mãos de gente estranha, não é verdade? Em segundo, porque toda separação é dolorosa. Em terceiro, porque as mães sabem que criança pequena não sabe se defender sozinha e não consegue ainda identificar o que sente, manifestar o que quer etc. Por isso, na hora de deixar o filho na escola pela primeira vez, as mães sofrem. Mas, algumas exageram na expressão de seu sofrimento e isso atrapalha a grande aventura do filho. Para tornar esse período menos árduo e sofrido para as mães e mais produtivo para as crianças, tenho algumas dicas. Vamos lá. É preciso confiar na escola que você vai deixar seu filho. Para tanto, converse muito com o pessoal que lá trabalha. Não guarde dúvida alguma: pergunte aos professores e diretores tudo o que você precisa saber para ficar tranqüila enquanto seu filho estiver lá. Mas, não deixe para fazer isso no primeiro dia de aula. Nesse dia, os professores precisam se dedicar integralmente aos alunos, não podem dar atenção aos pais. Se a escola organiza um período de adaptação, procure seguir rigorosamente as instruções que eles dão. Se pedirem para não entrar nas salas, não entre. Mesmo que você ouça seu filho chorando. Espere o pessoal da escola agir. Afinal, lá você é convidada, ok? E também não interprete o choro de seu filho como desgosto com a professora, falta de atenção dela ou briga com colegas. A criança chora nesses dias porque enfrenta um mundo desconhecido até então para ela. Finalmente, seja firme com seu filho. Se ele gritar, agarrar em você, espernear, peça ajuda ao pessoal para ajudá-lo a separar-se de você, diga baixinho, no ouvido dele, algumas palavras de encorajamento e de carinho, mas encaminhe-o para a professora. Sem essa firmeza – coragem, você dá conta disso! – seu filho irá sentir que você não quer separar-se dele, que você não acredita que ele seja capaz de ficar sem você, e então a resistência e o sofrimento dele serão muito maiores. Ajuda muito saber que chorar não prejudica a criança e que, caso os profissionais da escola percebam que seu filho precisa, de fato, da sua presença, eles a chamarão. Desejo coragem e boa sorte às mães e aos pais que enfrentarão, nos próximos dias, essa experiência.
Escrito por Rosely Sayão às 16h47
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