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Adultos não precisam explicar tudo para os filhos

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Escrito por Rosely Sayão às 16h37
O uso da chupeta e a retirada dela

A mãe de uma garotinha de pouco mais de três anos tem dúvidas a respeito do uso da chupeta pelas crianças. Quem tem filhos com menos de cinco, seis anos, em geral não escapa dessa questão. São poucas as crianças que não recebem a chupeta dos pais quando bebês: no Brasil, em torno de 70% das crianças pequenas têm ou tiveram esse hábito. É que o uso da chupeta produz efeitos na criança que os pais gostam muito porque estes acalmam a ansiedade. Dos pais e, principalmente, das mães.

O fato é que, chega uma hora em que a mãe acha que o filho precisa deixar tal hábito. Aí começam as dúvidas como, por exemplo, a respeito da idade para que isso ocorra. Não há uma resposta certa para isso, mas o bom senso nos faz pensar que, após os dois a nos, a criança já apresenta potencial para superar essa fase da relação com a chupeta. Por que essa idade?

É que a partir dos dois anos, a criança se ocupará de outra questão importante que é o início do aprendizado do controle esfincteriano. Isso tem um sentido: o de que deixou de ser bebê. Por isso, pode viver bem sem a chupeta, centrada no ato de sugar tão importante para o bebê.
O problema é que nem sempre é esse o motivo dos pais quererem que o filho renuncie à chupeta. Em geral, é a preocupação com a futura dentição. Isso complica o processo para os pais e para a criança porque não há tanta convicção de que, de fato, o filho não precisa mais usar tal recurso. Os pais querem que ele deixe a chupeta, mas ficam penalizados porque sabem que o filho sofrerá sem ela. Assim, o filho resiste mais do que, normalmente, resistiria. Quando os pais têm a convicção de que o filho realmente pode viver bem sem a chupeta, eles apresentam mais firmeza de atitude e, assim, a resistência do filho é menor.

Perto do Natal, quero falar de um costume muito usado pelos pais: a proposta, ao filho, de que ele troque a chupeta, com o Papai-Noel, pelos presentes que receberá. Não considero essa uma boa estratégia. Primeiro, porque é um negócio que nem sempre poderá ser bancado pela criança. Segundo, porque isso não acrescenta crescimento à ela.

Uma boa maneira de retirar a chupeta é a que se faz por etapas. Aliás, todo processo educativo é assim realizado. Tira-se um período do dia, depois outro e, finalmente, o período mais difícil, que é o da noite, na hora de a criança dormir. Desse modo, o processo ajuda a criança a se acostumar aos poucos com a falta da chupeta, e isso facilita a criação de novas possibilidades para enfrentar os momentos em que precisava da chupeta. O resultado desse processo costuma ser muito mais efetivo, apesar de ser mais demorado e de exigir mais da mãe do que da criança.

Aos pais que têm filhos com mais de dois anos que usam chupeta: não se alarmem. Essa idade é apenas uma referência, portanto não significa que o uso além dessa fase cause danos irreversíveis, ok? Basta respirar fundo e se convencer do crescimento do filho e, então, iniciar o processo de retirar o uso.

Escrito por Rosely Sayão às 12h17
Negociação de conflitos na adolescência

Pode não parecer, mas alguns adolescentes odeiam o período de férias. Uma garota contou-me os motivos dessa repulsa com um tempo que, em geral, é tão esperado pelos jovens. Os pais se separaram quando ela tinha em torno de seis anos. Filha única, teve a sorte de ter o pai sempre por perto, o que nem sempre acontece. Só que ele teve de ir morar em outra cidade, por questões profissionais, e assim passaram a se ver bem menos. Por isso, o casal decidiu que, daí em diante, ela passaria as férias com ele. E ela adorou,  até entrar na adolescência.

O problema é que, nessa fase da vida, eles adoram as férias justamente porque é o período em que ficam à vontade para curtir a vida livremente com os amigos: ir ao cinema a qualquer dia e hora, reunir os amigos em casa para jogar videogame, paquerar ou assistir a filmes comendo pipoca, contar piadas, jogar conversa fora, fazer bagunça com a turma, fazer festas ou falar horas ao telefone mesmo sem ter assunto algum.

Mas, para essa garota, férias passaram a significar compromisso de viajar para estar com o pai, ou seja, se ausentar de tudo isso. Ela tentou escapar: discutiu, brigou, fez greve de fome e tudo o mais que achou ter o direito. E depois de tudo, é claro que se arrependeu. Desistiu da batalha porque percebeu que não teria êxito, mas principalmente porque ouviu o pai reclamar que ela gostava mais dos amigos do que dele.

Quem tem razão nessa história? Os pais, que decidiram valorizar o relacionamento com a filha, ou ela, que passou a desejar ter vida própria? Quem acha que tem a resposta certa na ponta da língua é melhor parar para pensar um pouco mais. A situação não é de fácil solução para nenhuma das partes. Mas, mesmo assim, dá para negociar.

Os pais precisam respeitar o fato de que, quando chega a adolescência, a turma preferida dos filhos muda e isso faz parte da vida e do crescimento. Mas, o afeto não muda. É fazendo amigos que os adolescentes começam a testar a independência emocional, a experimentar a autonomia, a aprender a criar vínculos estáveis por conta própria. E isso é fundamental para o futuro deles. Os pais não podem resistir a esse movimento do filho que busca o afastamento da família. Por outro lado, eles continuam precisando – e muito! – da referência familiar.

Se todos morassem na mesma cidade seria bem mais fácil encontrar uma solução, se bem que mesmo assim poderiam surgir dificuldades. Mas, no caso dessa garota, será preciso um pouco mais de tolerância dos pais para que possam chegar a um acordo que considere todos os envolvidos. OS pais precisam aprender a ouvir mais os filhos nessa etapa da vida.

Talvez, o ideal não seja bater pé firme na decisão em busca da manutenção da coerência e os valores dos pais, mas negociar a vida prática sem abrir mão deles. Quem sabe, os pais possam permitir que ela volte um pouco antes de as férias terminarem ou que vá um pouco depois de começarem, de modo a dar espaço para que ela viva um pouco mais a própria vida.  Assim, é possível considerar e respeitar a vida dela e, ao mesmo tempo, os valores dos pais. Afinal, os filhos são educados e preparados para viverem sozinhos logo mais, não é isso?

Escrito por Rosely Sayão às 17h06
Criança hiperestressada

Subiu o índice de utilização de calmantes pelo brasileiro. Isso significa que o adulto anda estressado, não é? E as crianças, como andam? Fiquei perplexa com o resultado de uma pesquisa a respeito do equilíbrio emocional de crianças e adolescentes patrocinada pelo canal Nickelodeon. Foram ouvidas 2800 crianças e adolescentes entre 8 e 15 anos, da classe A e C em quatorze países. A notícia está na revista Veja: as crianças brasileiras são as mais estressadas do mundo.

Um resultado espantoso, não é verdade? Como é que pode crianças brasileiras serem mais estressadas que as japonesas, que as americanas, que as sul-africanas, que as mexicanas e que as chinesas, entre outras? Tem o nosso dedo nessa história.

Temos feito uma pressão desmedida sobre os filhos quando o assunto é a vida escolar. Como disse a Estrela Negra no post a respeito do vestibular, passar em universidade particular não é considerado mérito. É preciso disputar as universidades consideradas “nobres” e os cursos mais concorridos para ter o devido reconhecimento. E isso é só um pequeno detalhe da vida escolar da criançada e dos jovens.

E quanto à questão da chamada popularidade? Como já comentei, os pais querem e até forçam os filhos a se comportarem de modo a terem muitos conhecidos ou “amigos”, como eles dizem. Filho que não é convidado a ir a determinadas festas ou finais de semana com colegas provoca o maior estresse em casa.

E no que diz respeito à vida dos pais e dos adultos em geral? Não há quase mais segredos de adultos para com as crianças, dos pais para com os filhos, do mundo adulto em relação à infância. Ora, se para o adulto é pesado encarar algumas dificuldades e características da vida atual, imaginem só o que deve ser para as crianças!

E tem mais: a pesquisa apontou também que 95% das crianças brasileiras (!!!!) acham que é obrigação delas tornar os pais felizes, contra 20% das inglesas e 50% das chinesas. Por que será que eles tomaram para si tal responsabilidade? Certamente porque, de algum modo, a jogamos sobre elas.

Por fim, há essa paranóia geral a respeito da falta de segurança. Não deixamos mais nossos filhos nas ruas nem permitimos que usem transporte público por medo da violência. Violência que está entre nós e que nós mesmos praticamos no nosso cotidiano, em nome da insegurança que sentimos. Por falar nisso, há violência maior do que a de criar uma geração de crianças e jovens estressados?

Espero que o resultado dessa pesquisa produza frutos na prática. Eu não canso de dizer: temos tratado crianças e jovens como adultos, temos esperado deles um comportamento que cabe a nós levá-los a ter. Lembram-se das mães que acham "chato" ter de repetir ao filho 10 vezes a mesma coisa? O índice de estresse que eles carregam é apenas um dos resultados desse nosso estilo de conviver com eles. E, talvez, nem seja o mais importante.

Escrito por Rosely Sayão às 23h41

Recuperação e reprovação

Neste período do ano, muitas crianças e muitos adolescentes enfrentam dissabores em casa. É que os pais já sabem se os filhos irão para recuperação escolar ou se repetirão o ano. E essa notícia provoca reações emocionais intensas.

No caso de alunos que irão para recuperação, muitos pais decidem agir na tentativa de salvar o ano do filho e saem em busca de socorro pedagógico. Mas será que eles querem mesmo ajudar o filho? Pelas atitudes tomadas, parece que não.

Eles querem é evitar a reprovação, custe o que custar. Alguns professores que dão aulas particulares -e que ficam sobrecarregados de trabalho nos últimos meses do ano- informam que o pedido dos pais é simples: que o filho passe de ano. E mais: quase todos mencionam o valor alto da mensalidade das escolas. Já no caso de pais que tiveram a notícia de que o filho irá repetir o ano, as reações são bem mais radicais. Muitos aplicam algum tipo de punição: o filho perde o direito de viajar, recebe a notícia de que não ganhará determinado presente, fica proibido de jogar videogame e de acessar a internet, perde a mesada, não pode sair no final de semana etc. Tudo isso acompanhado de muita reclamação e de um descontentamento visível que acaba por criar uma barreira entre os pais e seus filhos e até entre estes e sua relação com os estudos.

A primeira coisa que os pais precisam saber é que, do modo como a escola funciona hoje, o desempenho escolar dos alunos tem pouca relação com o aprendizado adquirido. As instituições escolares ficaram tão viciadas no tipo de avaliação que fazem que boa parte dos alunos, assim que consegue apreender a gramática da escola, responde a ela, tão somente.
Desse modo, as notas estão mais ligadas à relação dos alunos com a instituição escolar do que ao conhecimento. Assim, um aluno que passa o ano com boa avaliação pode não sinalizar nada mais do que simplesmente ter conseguido cumprir a tarefa de não ficar retido e a de ter bons resultados nas avaliações. Isso significa que muitos alunos que serão aprovados não conseguiram, necessariamente, construir um sentido para o ato intelectual de aprender nem uma relação de gosto pelo conhecimento.

Já os alunos que farão recuperação ou repetirão o ano podem só mostrar as falhas da escola no ensino e na organização ou a dificuldade que eles mesmos tiveram em focar sua atenção no estudo e em dar um sentido ao fato de freqüentar a escola. Tarefas, aliás, que fazem parte do trabalho da escola.

Conclusão: o êxito escolar diz muito pouco a respeito do estudo e do empenho dos alunos na relação com o conhecimento sistematizado. Outro fator que os pais precisam saber é que estudar não é a coisa mais importante na vida de seus filhos -nem precisa ser. Jogar futebol, namorar, brincar, ficar sem fazer nada, procurar diversão etc. são comportamentos, na vida de crianças e adolescentes, que não indicam necessariamente preguiça, pouco empenho, irresponsabilidade ou mesmo dificuldade de aprendizado. Muitas vezes, as crianças e os adolescentes precisam de um tempo para amadurecer intelectualmente, e se dedicar intensamente a algo apaixonante pode ser um passo nesse caminho.

Agora, salvar o próximo ano escolar deve ser, para os pais, a meta mais importante. Para tanto, deixar claro ao filho o transtorno familiar que ele provocou é o suficiente. Não é preciso qualificar a situação escolar como fracasso nem aplicar punições severas. Aliás, em muitos casos os filhos precisam, neste momento, de consolo. E, na próxima etapa, é importante transmitir a eles, desde o início e cotidianamente, a idéia de que estudar e passar o ano é um dever para com eles mesmos e não para com seus pais. Afinal, a escola é a primeira luta que os mais novos precisam enfrentar sozinhos.

*Texto publicado originalmente no Folha Equilíbrio

Escrito por Rosely Sayão às 00h40
Tempo de vestibular

Recebi correspondência de um jovem que está, nesta época do ano, ocupado com essa tarefa insana que é prestar vestibular. Fiquei sensibilizada com algumas palavras que ele escreveu e, creio, representam o estado dele e de boa parte de seus colegas. Ele diz que não sabe se irá dar conta da prova que irá realizar no próximo domingo – a primeira fase da Fuvest – de tão ansioso e preocupado que está. E mais: que não sabe o que irá fazer da vida caso não seja aprovado.

É isso: para muitos jovens, a maioria da classe média, passar no vestibular transformou-se na coisa mais importante da vida. Isso sem falar, é claro, na escolha do curso, processo anterior ao atual. Não que isso faça grande sentido a eles. Na verdade, faz muito mais sentido aos pais do que aos próprios jovens.

O fato é que construímos, para os filhos, a idéia de que a grande batalha da vida deles é tal exame. Imaginem vocês que pais de crianças com menos de seis anos já se preocupam se a escola de educação infantil considera o vestibular em sua programação. Não é uma loucura isso?

Pois é assim, desde muito cedo, que criamos uma pressão que acaba sendo monstruosa sobre os jovens. E, quando chega a hora H, como chegou para esse internauta, é um desespero só. Medo do fracasso, de não vencer a batalha para a qual vem sendo preparado boa parte da vida.

O problema é que, depois de passar, muitos entendem que já cumpriam sua missão e relaxam. Pois é: o índice de estudantes universitários que não consegue terminar o curso tem aumentado a cada dia. Eles desistem de algumas disciplinas ou do curso, pedem transferência, param por um ou mais semestre ou vão acumulando dependências.

Talvez seja necessário que os pais repensem essa questão para conseguir reduzir a importância do vestibular a seus limites reais. O que significa passar no vestibular em relação ao futuro desses jovens? Nada de tão importante assim, afinal. Quando um jovem não consegue passar pela etapa do vestibular para determinada faculdade, ele tem disponível muitas outras opções.

É isso que o internauta que escreveu e os jovens que irão fazer a mesma prova devem considerar: se eles não forem aprovados, a vida continuará a correr regularmente. Alguns tentarão outras faculdades, outros decidirão se preparar melhor por mais um ano, outros ainda podem querer procurar um trabalho enquanto estudam para o próximo exame. Nenhuma tragédia. Portanto, em frente e boa sorte.

Escrito por Rosely Sayão às 01h24

É preciso colocar ordem nas relações amorosas

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Escrito por Rosely Sayão às 20h18
Educação e felicidade

Assisti novamente ao filme “Dança comigo?” nestes dias, agora em versão nova. A primeira – que foi a que mais gostei – é japonesa e foi lançada em 1996. A segunda, americana e lançada em 2004, foi filmada com atores consagrados e apreciados pelo público e é a versão mais conhecida.

Esse filme me fez pensar em duas coisas e hoje vou tratar de uma delas: a questão da felicidade. Já comentei aqui, em outro texto, que vivemos na atualidade uma obrigação incômoda que interfere diretamente na educação que praticamos. Hoje, é obrigatório ser feliz.

O problema é que a felicidade, em uma cultura que também estimula o consumo, a aparência, o individualismo e o imediatismo, ganhou uma face muito duvidosa. Hoje, felicidade é ter alegria, prazer imediato e pessoal. Como isso interfere na educação? Só para citar os efeitos provocados nos anseios que temos com os mais novos: não há pais nem escola que não afirmem que “o importante é que seus filhos e/ou alunos sejam felizes”.

Considerando o conceito atual de felicidade, fica difícil educar, não? Na verdade, educar, em geral, descontenta os mais novos. Afinal, que criança fica alegre ao ter de trocar a brincadeira pela escola, ao receber um não a um pedido? E o adolescente, então, que precisa cumprir horários em vez de sonhar, que tem de arcar com responsabilidades e compromissos – afetivos, inclusive – e não apenas se deixar levar por seus impulsos?

Pois o filme nos dá algumas pistas sobre como esse conceito de felicidade é falso. O personagem principal, um advogado, tem tudo o que, supostamente, deveria render felicidade: uma família que ama, um trabalho bem remunerado, uma posição social e econômica boa. Mas, por dentro, é só angústia.

Talvez os pais e a escola não devessem se preocupar tanto com a aparente felicidade – ou prazer e alegria - dos mais novos. Os pais têm funções mais importantes do que essa. Algumas delas, que talvez possam contribuir para que, na maturidade, os filhos encontrem com mais facilidade os caminhos da própria felicidade, são ajudar o filho a se conhecer melhor para procurar os seus meios de expressão e ensinar a “ler” o mundo em que vive para ser capaz de encontrar maneiras de interferir nele.

No filme, é na dança que o personagem encontra um modo de expressar suas emoções, de relaxar, de se divertir. E, mesmo assim, percebe que para alcançar tudo isso precisa investir compromisso, esforço, concentração e, acima de tudo, enfrentar a si mesmo e, conseqüentemente, aos outros que compartilham sua intimidade.

Foi essa a reflexão que fiz ao assistir ao filme. Pensei que, se de fato acreditarmos nas novas gerações, delegaremos a elas a tarefa de buscar a própria felicidade. Nosso trabalho seria anterior, na formação deles. Mas, como parece, acreditamos mais em nós do que neles. Por isso, assumimos o dever de proporcionar a eles a felicidade. É aí que a coisa complica ainda mais para quem precisa educar, não é verdade? Afinal, o que é que possibilita a felicidade para cada um de nós?

Escrito por Rosely Sayão às 10h54
Mães sinceras?

Li uma reportagem publicada na revista Época da semana passada cujo título é “Só as mães são sinceras”. Sabem do que ela trata? Da grande confusão a respeito de como a mulher se relaciona com o papel de mãe nos dias atuais. Confusão, aliás, que tem tudo a ver com o meu post anterior.

A nova mulher é bem diferente da que viveu até a Segunda Guerra e que passou por mudanças intensas e rápidas a partir dos anos 60. Mas, alguns anseios continuaram para muitas delas: o de ter filhos. Não sei bem se é um anseio próprio ou fruto de pressão social, mas o fato é que boa parte das mulheres ainda querem ter filhos.

E a equação ter filhos mais se dedicar ao desenvolvimento profissional, à carreira, à diversão e ao entretenimento, ao lazer, à busca de novos desafios etc. não tem resolução simples tampouco resultado conhecido, ou seja, resposta certa. Agora, muitas mulheres decidiram reclamar da árdua tarefa de criar e de educar os filhos. Publicamente. E mais: essa reclamação passou a fazer sucesso na mídia e, portanto, tem audiência certa.

Se pensarmos bem, nunca ninguém disse que ser mãe seria uma tarefa fácil. Lembram-se daquela famosa frase que afirmava que “Ser mãe é padecer no Paraíso”? Ela já anunciava, em alto e bom som, que a vida de mãe, mesmo bem-aventurada, de fácil não tem nada. Muito bem: já superamos essa pieguice, mas daí a chegar a dizer que a vida de mãe é quase um inferno já é demais, não é? Pelos depoimentos publicados, dá para pensar que muitas mulheres que encararam a maternidade consideram, hoje, que caíram numa armadilha. Vejam essa frase que a reportagem mostrou: “Dizem que filhos são um presente enviado pelo céu. Mas ninguém diz que às vezes a gente tem vontade de mandar o presente de volta.”.

E a matéria ainda elaborou uma lista: “10 chatices da vida de mãe”. Vou citar só as duas primeiras: “Pedir 10 vezes para o filho tomar banho, escovar os dentes e fazer o dever de casa” e “Levar o filho para ir ao banheiro nos locais e momentos mais absurdos”.

Para mim, essas frases não soam como um relato sincero de mãe frente às dificuldades que enfrenta e sim como uma reclamação de adolescente que não quer dar conta do que assumiu.

Ser mãe não é mesmo tarefa simples ou fácil: repetir 10 vezes a mesma coisa é pouco, muito pouco. Na verdade, quem tem filhos repete a mesma coisa por, pelo menos, uns 18 anos...  Quem tem filhos precisa fazer um parêntese na vida para tantas coisas, não é verdade? E nem vou dizer que ser mãe é uma maravilha, uma coisa mágica coisa e tal. Ser mãe é um compromisso que exige muito esforço, paciência, persistência e dedicação, entre outros predicados. E, acima de tudo, disponibilidade e maturidade.

Não vejo problema algum no fato de mulheres confessarem as perplexidades e as confusões que a maternidade provoca, ainda mais com humor. Mas, um pouco de recato cairia bem. Dizer coisas do tipo “Sinto muito, mas meus filhos são um tédio mortal” – título de um artigo publicado por uma jornalista inglesa e citado na reportagem – não é tratar da questão com humor. É debochar.

Escrito por Rosely Sayão às 23h44