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Onde estão os adultos?
Vocês devem ter lido a notícia da morte da garota Ana Carolina, 21 anos, modelo. Ela foi vítima de anorexia. Esse tipo de notícia sempre me faz pensar muito. Afinal, qual a parcela de nossa responsabilidade nessas mortes trágicas de jovens? Não dá para fazer de conta que não temos nada com isso, não é verdade? Será que não estamos jogando nossas crianças e nossos jovens aos leões?

Nossos jovens buscam, hoje, um corpo perfeito. O índice de cirurgias plásticas praticadas em adolescentes em nosso país já é alarmante. O de distúrbios alimentares também, e as garotas são as vítimas preferenciais. A anorexia, por exemplo, é nove vezes mais comum em mulheres do que em homens. A idade em que mais ocorre é na adolescência, mas os médicos dizem que ocorre cada vez mais precocemente.

Essa busca por uma aparência socialmente cultuada pode ser constatada facilmente por qualquer observador. As academias de ginástica estão repletas de jovens e consultórios de médicos que orientam dietas também, só para citar dois indicativos do fenômeno. E a fabricação e a comercialização de produtos diet e ligth, então?

Alguém já parou em frente a uma banca de revistas e olhou atentamente para as capas delas? Mulheres magras, sempre muito magras. Parece que ter um corpo magro, hoje, é fundamental. Os adolescentes que não são magros sabem muito bem o peso que é carregar um corpo que não se encaixa nesse padrão.

Mas, precisamos saber que nós alimentamos cotidianamente esse conceito. Nós, os adultos. Quem paga as cirurgias desses jovens, quem estimula – mesmo sem perceber – o consumo de alimentos de baixas calorias, quem banca as mensalidades das academias, afinal? Quem consome as caras roupas mostradas em desfiles por essas modelos extremamente magras?

Estamos tão ocupados na busca de nossa juventude permanente - tema que tem muito a ver com a aparência também - que estamos tratando de questões delicadas da vida dos mais novos com muita displicência.

Outro dia, uma leitora reagiu a um texto meu e escreveu perguntando se eu não tinha compaixão pelos pais. Vou falar com franqueza: minha compaixão é dirigida às novas gerações. Os mais novos, crianças e adolescentes, precisam de nós. E, pelo jeito, estamos tão mergulhados em nós mesmos que o lugar de adulto perante eles tem permanecido vago.

Não é à toa que a palavra educação tem sido tão usada – muitas vezes de forma inconseqüente – na atualidade. Educar exige a presença de adultos. Onde estão eles?
Escrito por Rosely Sayão às 23h39
Qual o valor que damos ao consumo?

Acabo de chegar de um trabalho em uma escola situada no interior paulista. Como faço assessoria regularmente, de vez em quando acompanho o trabalho dos professores em sala para observar os efeitos de nossas discussões e reflexões. Hoje, vou contar um fato que observei, que me chamou muito a atenção e me deixou bem pensativa.

Na Educação Infantil, em uma sala com crianças com idade em torno dos quatro anos, no início do período a professora reuniu os alunos – mais ou menos 20 – e fez o que se chama uma “roda de conversa”, um dispositivo bem interessante quando bem utilizado.  Mas, mais do que o procedimento, o que quero ressaltar foi o conteúdo da fala dessas crianças.

Como hoje é segunda-feira, elas queriam contar à professora e aos colegas o que fizeram no final de semana. Bem, muitas relataram atividades realizadas com a família e todas elas tinham um elo em comum: o consumo. Algumas crianças disseram que foram ao supermercado e contaram o que compraram; outras fizeram referência a lojas, outras ao shopping local, mas o que ressaltavam mesmo é o que havia sido comprado pelos pais, para a casa ou para a própria criança.

Claro que isso não significa que nenhuma criança dessa sala não tenha feito coisa diferente de consumir. Suponho que várias delas tenham ido visitar alguém ou tenham recebido alguma visita, que tenham brincado de algo diferente etc. Mas, uma coisa é certa: o consumo, pelo relato delas, foi a atividade mais valorizada.

Vamos nos deter um pouco nessa palavra: valor. Quando valorizamos algo, ou seja, quando investimos e/ou reconhecemos valor em algo - seja uma característica humana, um objeto ou uma atitude - significa que damos importância a isso que, de alguma maneira, desperta nossa admiração e/ou interesse.

Então, caros: se crianças pequenas valorizam dessa maneira o consumo, quer dizer que é essa a lição que temos transmitido. E vejam que o que está em jogo não é o ato de consumir mais ou menos, com maior ou menor regularidade, e sim o de VALORIZAR o consumo. Fiz questão de escrever essa palavra em letras maiúsculas porque já percebi que muitas pessoas, quando se referem ao consumismo, pensam na quantidade  e na freqüência do consumo e não no VALOR que se dá a ele.

Consumir é algo bem simples e faz parte da vida de todos: trata-se de usar ou adquirir para uso algo que queremos e/ou que precisamos. Consumimos nosso tempo, os alimentos, objetos dos mais variados tipos etc. O que importa para quem educa não é o consumo, e sim o valor que se dá a ele.

Gosto de dizer que a parte mais importante da educação é o ato de pensar a respeito das ações que tomamos. Os equívocos e os erros que cometemos quando educamos nossos filhos e alunos não são problemáticos. Aliás, são inevitáveis. O problemático é valorizarmos determinadas características sociais sem reflexão, sem crítica, sem resistência alguma.

Os mais novos bem que poderiam considerar outros aspectos da vida como mais valorosos do que o consumo, não é verdade? Isso certamente contribuiria para uma vida melhor no futuro, para eles mesmos e para a humanidade. Para tanto, precisamos pensar nos valores que transmitimos de fato a eles e nos que realmente gostaríamos de ensinar.

Escrito por Rosely Sayão às 18h54

Crianças e jovens VIP

Toda a educação começa em casa -dessa afirmação ninguém duvida. Também sabemos agora, mais do que nunca, que não é apenas a família a responsável pela educação. Aliás, nenhuma criança deve ficar submetida apenas à prática educativa familiar se almejamos uma sociedade democrática. Como todo pequeno grupo, o familiar sempre apresenta seus preconceitos, suas próprias tradições e, principalmente, seus limites. Para isso, contamos com a escola, a segunda instituição responsável formalmente pela educação, e sabemos que ela tem enfrentado dificuldades para dar conta dessa função.

Acontece que as crianças e os jovens não se comunicam apenas com essas duas instituições -eles estão em contato permanente com toda a sociedade e observam atentamente os movimentos à sua volta, os assuntos em discussão, os temas sociais em destaque. Tal participação, mesmo que à distância, resulta em um aprendizado: a visão de como é a vida. Toda a comunidade educa, e todos têm sua quota de responsabilidade.

Nesse sentido, quero destacar uma característica do nosso estilo de viver que já invadiu a vida dos mais novos: a busca de privilégios pessoais. Nossa sociedade tem uma queda pela palavra VIP e por seu significado. O que é ser VIP? Nada mais do que se destacar por desfrutar de regalias em detrimento, é claro, da maioria. São VIP as pessoas que têm muito mais dinheiro ou pistolão, que têm fama ou são amigas das que têm, que estão na mídia e nas colunas sociais, que consomem muito e com regularidade em determinados estabelecimentos etc. Em muitas situações, ser VIP significa ter passaporte para ser fura-fila.

Em uma reportagem da Folha do último domingo a respeito dos embalos da noite, a jornalista Mônica Bergamo mostrou bem como isso funciona para quem busca as diversões noturnas. Cliente VIP não pega fila: passa na frente, entre outras vantagens. Uma freqüentadora habitual de casas noturnas que desfruta desse privilégio declarou: "O pessoal na fila fica olhando, mas o azar é deles". Ela tem 19 anos.

Um casal de leitores, pais de um garoto de 12 anos, enviou correspondência indignada alertando para o mesmo fato em um local de diversão para crianças e adolescentes. O empreendimento oferece um serviço chamado "atração VIP" (passaporte que permite a entrada em uma atração sem a necessidade de entrar na fila).

Volto a lembrar que nunca falamos tanto sobre educação para a cidadania. Ora, o que significa isso senão ensinar a viver em comunidade e a cultivar conceitos fundamentais como justiça, igualdade, solidariedade, respeito? Mas parece que nosso discurso é vazio, já que continuamos a cultivar a cultura das vantagens, não é verdade? Na "hora do vamos ver", apelamos para a chamada "lei de Gerson".

Creio que é hora de dar um passo importante nos assuntos que envolvem a educação. Precisamos sair da reclamação para alcançar a transformação. Já reclamamos o suficiente da falta de limites das crianças e dos jovens, da forte influência da mídia no comportamento deles, da falta de respeito que eles demonstram com a autoridade dos pais e dos professores etc.

Acontece que estamos implicados com todos esses assuntos até os ossos, por isso precisamos agir e assumir nossa parcela de responsabilidade, e não apenas reclamar dos outros. Quando decidimos que a educação para a cidadania é uma questão importante para os mais novos, precisamos dar valor a essa nossa decisão e nos empenhar pessoalmente.

*Texto publicado originalmente no Folha Equilíbrio

Escrito por Rosely Sayão às 10h00

Crianças têm raciocínio lógico diferente dos adultos

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Categoria: Vídeos
Escrito por Rosely Sayão às 17h12
Qual a hora de o filho começar a ficar sozinho?
Mensalmente, eu me reúno com grupos de pais para trocar idéias a respeito de educação. São encontros muito interessantes e estimulantes. Em geral, os grupos são formados por pais que têm filhos com idades próximas, e aí percebemos o quanto a educação pode variar de família para família e de filho para filho, mesmo seguindo alguns princípios semelhantes.

Em uma dessas últimas reuniões, em que os filhos dos participantes têm entre 6 e 13 anos, o tema foi bem instigante: como e quando começar a soltar os filhos para o mundo ensinando a responsabilidade e a autonomia. Soltar no mundo significou, nessa reunião, sem a presença dos pais.

Uma das mães contou um fato bem interessante: num fim de semana, em que estava com a família no campo, queria ir com o marido assistir a um espetáculo, as filhas maiores queriam brincar com amigas e o caçula, de seis anos, queria ficam em casa assistindo a um filme. Pois essa mãe encheu-se de coragem e deixou o filho em casa, sozinho, por um período de pouco mais de uma hora. E a orientação dela ao garoto foi clara. Deixou o telefone com ele e disse que, caso ele quisesse apenas conversar, deveria ligar para as tias ou irmãs porque ela e o pai estariam ocupados. Mas, caso ele precisasse dos pais, deveria ligar que eles voltariam imediatamente. Essa mãe disse que ficou tranqüila porque conhece bem o filho e sabe que ele é sossegado. Se ocorresse o mesmo com uma outra filha, por exemplo, que não teria tomado tal atitude.

Outras mães deram depoimentos bem diferentes: uma delas disse, por exemplo, que não tem coragem de deixar o filho de oito anos nem 15 minutos sozinho em casa até que a empregada chegue mas que, depois do que ouviu, iria tomar coragem para ter uma atitude de desligamento seguro. Outra, ainda, contou que começou a fazer a filha de 13 anos a ir para a aula de inglês de ônibus. Outra tem o costume de pedir que os filhos levem a cachorra na rua para um pequeno passeio.

Hoje, consideramos o mundo perigoso para os filhos e fazemos de tudo para protegê-los. Mas, talvez essa atitude seja muito mais arriscada. As crianças, com tutela permanente dos pais, não conseguem aprender a ter autonomia e responsabilidade com elas mesmas, questões fundamentais da educação. Mais cedo ou mais tarde elas cairão no mundo, então é mais seguro soltá-los aos poucos, mais cedo, ensinando e acompanhando de perto o que eles fazem.

Quando eles entram na adolescência, talvez já seja tarde para soltar ensinando e cuidando. Sabem como é: adolescente vai a uma festa levado pelos pais, no meio decide ir para outra, e vai. Muitas vezes avaliar os riscos que pode correr. E depois volta para que, no horário combinado, os pais o encontrem no mesmo lugar.

Cada família deve escolher o momento de começar a deixar os filhos sozinhos para realizar algumas atividades. Mas, depois dos sete anos, certamente as crianças já têm condições de realizar várias tarefas sozinhas. Ir à padaria ou à banca de revistas próxima, esperar um adulto chegar num breve intervalo de tempo, atravessar a rua etc. são alguns exemplos Mas eles farão isso bem só se perceberem que os pais confiam e exigem que ele faça como foi ensinado. E esse ensinamento é um processo lento que exige a presença firme e segura dos pais.
Escrito por Rosely Sayão às 16h52
Educar é ensinar a superar limites

Uma mulher entrou no elevador com a filha de mais ou menos quatro anos. Assim que entraram, a garota se apressou para apertar o botão e a mãe logo informou qual era o número. A garotinha, que era uma graça, respondeu imediatamente:

- Eu já “sabo”, mãe.
- Não é “sabo”, filha, é sei.
- Mãe! Eu “sabo” que é  eu sei.

Esta é uma boa oportunidade para falar a respeito de uma importante limitação das crianças em relação às regras. Assim que elas descobrem uma regra, seja por conclusão própria ou por aprendizado – elas ficam aprisionadas nas tais regras,

Com a idade que tem a garota do diálogo, ela está descobrindo o funcionamento das regras, de todos os tipos. O problema é que, quando descobre ou aprende, ela passa a universalizar o uso, como ela fez com o verbo saber. Se correr resulta em eu corro, se beber em eu bebo e fazer em eu faço, claro que saber só pode resultar em eu “sabo”!

O que eu quero dizer é que o maior problema na educação de crianças e jovens talvez não seja o de colocar limites a eles e sim o oposto. Talvez nossa maior tarefa seja exatamente a de ajudar os mais novos a superarem os limites que têm.

Não será fácil para essa mãe convencer a filha de que ela deve falar “eu sei” e não “eu sabo”. E sabem por quê? Porque a garota está fixada em uma regra. A menina não tem culpa se os verbos da nossa língua não têm, todos, conjugação regular, certo?

Pois assim é com o comportamento. Quando uma criança aprende, por exemplo, que morder produz um efeito que ela busca, ela descobre uma regra. Daí em diante, ela irá morder sempre que a situação que enfrentar for semelhante à primeira em que mordeu e que conseguiu o resultado que queria. O comportamento dela não significa, portanto, falta de limites e sim excesso de limite! O que ela precisa é aprender a superar tal limite e esse aprendizado é demorado, na maioria das vezes.

Modificar nossa compreensão a respeito dessa questão é bem importante porque assim pode mudar também nossa atitude frente às crianças e aos jovens. Quando pensamos que eles se comportam de determinadas maneiras por falta de limites ficamos enfadados, desanimados e até impotentes. Mas, se pensarmos que o que provoca tais comportamentos é, na verdade, um excesso de limites e que eles precisam de nós para conseguir superá-los, nossa atitude pode se tornar mais potente e a nossa prática educativa mais generosa.

Por falar nisso: generosidade é virtude essencial para quem educa, não é?

 

Escrito por Rosely Sayão às 14h47
Academia de Amarelinha?!

Uma conhecida, que é profissional da educação e acompanha o blog, deu um alerta depois de ler o texto a respeito da importância do brincar na infância. Na terça-feira passada, participei de uma mesa em um congresso sobre Educação e o professor Yves de La Taille (veja entrevista dada por ele aqui no blog em 12/05/2006) fez um comentário semelhante, então resolvi compartilhar com vocês a preocupação deles, que é minha também.

Atualmente, a brincadeira está se transformando em atividade quase profissional para muitas crianças! Há escola de futebol, de natação, de capoeira, de dança etc. Muitos pais, quando percebem que o filho apresenta uma queda por determinada brincadeira, logo pensam em matricular a criança numa dessas escolas.

Então, vamos deixar bem claro: brincar de jogar futebol é bem diferente de freqüentar uma escolinha de tal esporte; gostar de brincar de dançar não significa que a criança queira aprender balé; ser louco por estar na água não tem o mesmo sentido de querer aprender a nadar. Perceberam o que estamos fazendo ao agir assim? Estamos, simplesmente, acabando com a brincadeira dessas crianças.

Brincar, para ser uma atividade infantil prazerosa, de descobertas e tipicamente infantil exige liberdade de criação e não comporta horários previamente marcados para começar e terminar. A criança, quando brinca, em geral quer a participação dos adultos de outra maneira que não como instrutor. Brincar é uma atividade lúdica, e aprender a dançar ou a jogar futebol são atividades de outra natureza, muito mais parecidas com a escolar do que com a atividade de brincar.

Além disso, a criança não precisa aprender a brincar. Ela inventa, aprende com a própria cultura, com outras crianças, e na imitação do mundo adulto. Uma criança que gosta de brincar de vender sapatos não precisa ser matriculada em um curso de vendedor, certo?

Precisamos resistir a essa pressão social que nos leva a pensar que preparar as crianças para o futuro significa oferecer a elas condições precoces de treinamento e de instrução. Comecei a ler um livro que, até o momento, se mostra bem interessante. Assim que terminar, posso contar a vocês a minha apreciação. Mas, só pelo título já dá para perceber que o que as autoras defendem é justamente o tempo para a brincadeira. Chama-se “Einstein teve tempo para brincar”, da Editora Guarda-Chuva.

Para finalizar, deixo a frase do professor Yves que, em tom bem humorado, mas igualmente crítico, falou: “Desse jeito, logo teremos Academia para ensinar a jogar Amarelinha”!!

Um bom final de semana a todos.

Escrito por Rosely Sayão às 12h19
Elogios em demasia podem atrapalhar os filhos

Recentemente, a mãe de uma garota de sete anos que enfrenta algumas dificuldades no processo de alfabetização escolar colocou-me suas inquietações. Ela achava que a filha estava com a auto-estima baixa, que não enfrentava bem as frustrações e que desistia muito rapidamente das lições difíceis para ela e até das brincadeiras que não davam certo logo.

Procurei investigar com essa mãe como ela agia habitualmente com a filha e logo descobrimos, juntas, que ela, com a intenção de estimular a inteligência e a auto-estima da filha, sempre elogiou tudo o que ela fazia. Percebemos também, em nossa conversa, que os elogios eram tão numerosos que, sem perceber, eles perderam o sentido de incentivo para a garota.

Nossa conversa foi tão proveitosa para essa mãe que, apenas duas semanas após, ela me deu um retorno entusiasmado: estava conseguindo, finalmente, ajudar a filha a enfrentar seus obstáculos com esforço em vez da já habitual desistência.

O que essa mãe percebeu para conseguir mudar sua atitude com a filha? Que o excesso de elogios atrapalhou a menina. Por quê? Porque a garota acabou por construir a idéia de que deveria conseguir realizar as coisas sempre de pronto e facilmente. Quando tinha de investir esforço para tentar finalizar algo, quando não conseguia resolver as dificuldades que enfrentava, desistia porque provavelmente acreditava que não fosse capaz.

Quando uma criança faz algo com facilidade, é sinal de que ela já estava preparada para aquilo. Elogiar o filho quando ele faz algo dessa natureza não tem sentido principalmente por dois motivos: porque os pais apreciam mais o resultado obtido do que o processo que a criança realizou e porque reforçam a rapidez e a facilidade e não o esforço.

Essa mãe passou a elogiar a filha apenas quando ela se esforça, independentemente do resultado que consegue com isso. E mais: está também incentivando a garota a se aprimorar. Sempre que ela se esforça, a mãe a encoraja e diz que ela tem condições de fazer ainda melhor. Aos poucos, a garota está apreendendo que, mais importante do que o resultado, é o processo anterior a ele e que isso exige esforço e concentração da parte dela.

Também lentamente, a garota começa a mostrar sinais de que está aprendendo o que precisa. E a mãe também tem aproveitado muito essa experiência: agora ela não tem pressa de ver a filha ler e escrever porque sabe que o que mais importa não é o resultado, ou seja, o êxito da filha.

Todos nós podemos aprender algo com essa bela história, não é verdade? E, pelo que me parece, esse foi apenas o início de uma grande mudança de rumo na relação dessa mãe com a educação da filha. No meu entender, essa foi a questão mais importante desse episódio.

Escrito por Rosely Sayão às 11h58