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do Blog da Rosely Sayão
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A criança e a morte
A Derci enviou um pedido que sensibilizou muita gente. Então, vamos conversar sobre o assunto já que o tema da morte diz respeito a todos nós. Afinal, por mais difícil que seja encarar a idéia, o fato é que a morte faz parte da vida. A criança pequena, que vive num mundo fantasioso e quase mágico, não consegue pensar a esse respeito. Tanto que, quando morre alguém próximo, a criança com menos de seis, cinco anos, sofre a perda no sentido da ausência da pessoa que conhecia, mas não consegue ainda ter a dimensão do fato e não imagina que ela mesma, um dia, irá morrer. A criança pequena é onipotente e, por isso, se julga imortal. Já a criança a partir dos sete, oito, nove anos (sempre estendo o intervalo de idade porque as crianças são diferentes), quando enfrenta a perda de uma pessoa próxima é atingida de modo diferente. Em primeiro lugar, ela pensa que os pais também podem morrer e isso provoca grande sofrimento e angústia. O próximo passo é concluir que ela mesma, um dia, irá morrer. E, por mais doloroso que seja, esse é um processo que humaniza. Isso porque não somos mortais apenas porque iremos morrer; somos mortais também porque temos a certeza de que iremos morrer. Por isso, talvez não seja uma boa idéia poupar os mais novos – de qualquer idade – do conhecimento da morte. A criança pode conhecer a idéia da morte de várias maneiras: sabendo que uma pessoa que conhece morreu, participando dos rituais sociais de despedida, observando a ajuda mútua no luto e, inclusive, sofrendo com o evento. Entendo a angústia da Derci assim como a de todas as pessoas que passam ou passaram por situação semelhante. Mas, não devemos proteger a criança daquilo que é inevitável, não é mesmo? Sei que a intenção de esconder o fato (ocultando ou colocando outras explicações) dela é boa em sua origem, mas não é boa no que provoca. Mais cedo ou mais tarde a criança irá descobrir a existência da morte e poderá ficar, então, jogada no vazio da ausência de palavras a respeito. Precisamos lembrar que não é tanto o que falamos para a criança que a angustia e a desespera. Esse efeito é provocado mais por aquilo que não falamos, por aquilo que silenciamos. A melhor maneira de contar o fato para a criança é com franqueza e de modo direto. Depois disso, é ouvir o que ela tem a dizer, a perguntar, a lamentar. Claro que essa notícia pode provocar sofrimento, não devemos esperar coisa diferente, não? Mas, que sofrimento? A própria criança nos dará as pistas sobre quais caminhos seguir para oferecer o que ela precisa. Apoio, conforto, aconchego, amparo e a companhia firme e serena dos adultos é o que, em geral, eles demandam nessas horas. Por isso, Derci, respire fundo e se encha de coragem para acompanhar seu filho nesse momento. Educar para a vida supõe isso também.
Escrito por Rosely Sayão às 01h14
![]() A educação para a cidadania
Os comentários da Patrícia e da Luci postados no texto a respeito da fidelidade são bem instigantes, por isso vou partir deles para nossa reflexão de hoje. Cada uma a seu modo, o que elas fizeram foi colocar em questão a vida pública, o conceito em prática da cidadania e suas repercussões sobre a educação dos mais novos. Aliás, a palavra cidadania tem sido muito maltratada atualmente, principalmente pelas escolas. Alguém conhece algum projeto político pedagógico que não faça referência ao conceito de cidadania? Todas as escolas, sejam elas públicas ou privadas, ostentam bordões do tipo “formação e educação para a cidadania”, “o aluno é o futuro cidadão” etc. O problema é que, na prática de tais projetos, ou seja, no cotidiano da vida escolar, não conseguimos visualizar que raios de cidadania é essa que a escola ensina e pratica com seus alunos. O que parece é que, do conceito de cidadania, ficamos com os direitos e deveres sempre divididos: os direitos dirigidos sempre para alguns – em geral, quem está em causa - e os deveres dirigidos aos outros e deles cobrados, não é mesmo? Vou pinçar do comentário da Luci apenas um exemplo que ela deu: as filas duplas nas ruas que contornam as escolas. Todos nós sabemos que essas pequenas infrações são cometidas diariamente pelos pais que deixam seus filhos na escola e querem que, lá, eles aprendam a ser futuros cidadãos. Mas esses mesmos pais se esquecem que, com esse ato, ensinam aos filhos que os deveres podem ser esquecidos momentaneamente de acordo com os interesses pessoais. E os outros que são prejudicados por essas pequenas infrações? Ah, os outros? Que valor têm eles para nós? Quando os pais consideram a segurança do filho e a pressa que têm e se permitem parar em fila dupla “só um minutinho” para deixar o filho na porta da escola, eles colocam os interesses pessoais acima do interesse coletivo e não se dão conta de que, ao agir assim, desdenham o bem comum, tema importante da cidadania. É também por isso que, como a Patrícia ressaltou, tratamos tão mal o espaço de convivência pública: porque acreditamos que tal espaço, em vez de ser entendido como espaço de todos – e que deve, portanto, ser cuidado por todos – é espaço de ninguém. Na cultura do individualismo, cada um só cuida do que é seu, só valoriza o espaço privado, portanto. O problema é que isso colabora na construção da violência e já sentimos na pele os efeitos desse estilo de vida. Aliás, tem sido em nome do temor da violência que a classe média, cada vez mais, tem tirado os filhos das ruas, dos transportes coletivos, da convivência com a diversidade, da escola pública. É por isso que as escolas privadas parecem clubes e as ruas estão sujas com o lixo que lá jogamos. Quem tem filhos precisa pensar não apenas no futuro pessoal dele, mas também no mundo em que ele viverá. Ninguém vive isolado, afinal. É por isso – pelo bem deles - que temos o dever de respeitar o bem comum e ensinar o mesmo aos mais novos.
Escrito por Rosely Sayão às 21h47
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Escrito por Rosely Sayão às 17h49
![]() Crianças hiperativas ou pais hiperestimuladores?
A vida dos adultos está uma correria: é trabalho demais, preocupações idem, o corre-corre diário no trânsito, problemas domésticos, profissionais e muito mais. Isso sem falar no trabalho árduo que educar um filho provoca. Talvez por isso, os pais impõem aos filhos uma rotina quase tão atribulada e estafante quanto a deles. Crianças pequenas, com menos de doze anos, vão à escola, fazem alguma atividade esportiva, uma língua estrangeira, têm vida social etc. Nas férias, fazem viagens com a família ou sem ela, freqüentam acampamentos ou pequenos cursos chamados de “imersão”. Os motivos dos pais parecem bem legítimos: preparar o filho para o futuro, tão incerto, e evitar que ele fique muito tempo parado em frente à televisão, jogando videogame ou inventando pequenas “artes” próprias da infância. Mas, será que isso é bom para eles? Parece que não muito. Uma das maiores reclamações atuais de pais e professores é de um quadro chamado de “hiperatividade com déficit de atenção”. E poderia ser diferente, principalmente para as crianças mais sensíveis a tantos estímulos? Na verdade, nós é que exigimos que elas aprendam a dividir a atenção entre uma grande variedade de atividades, objetos, brinquedos e informações e queremos que elas dêem conta de tudo, não é verdade? Claro que não dá para mudar nem o mundo nem a maneira como as crianças se relacionam com ele hoje. Mas os pais podem, sim, ajudar o filho a aprender a se concentrar um pouco mais nas atividades que exigem atenção mais focada. Mas é bom saber que isso exige esforço por parte da criança e firmeza da parte dos pais. Em primeiro lugar, é bom, por exemplo, orientar o filho a fazer a lição de casa ou estudar em ambiente sem muito estímulo para que ele aprenda, pouco a pouco, a se concentrar em uma atividade única. Perto da televisão, da cozinha, ou de conversas, com rádio ligado, telefone prestes a tocar etc. a criança fica distraída e, portanto, com muito mais dificuldade para se esforçar na concentração. Em segundo, é bom também rever a agenda do filho. Será que ele não está com muito compromisso? Mesmo que ele goste, isso o deixa hiper excitado, o que estimula ainda mais a inquietação. Pequenas mudanças, sem alterar a rotina e sem mudar o estilo de viver da família ajudam o filho a perceber e a aprender que algumas atividades requerem persistência, paciência e perseverança. E os pais podem ajudar o filho nisso. Aos pais mais preocupados com o futuro, um alerta: não é preciso encher o filho de atividades na infância. Ele terá bastante tempo – na verdade, toda a vida adulta - para viver assim. Nada melhor, no momento, do que preservar a infância dele. E, além disso, é preciso lembrar que ficar sem fazer nada por um período ajuda a criança a crescer e a melhor se conhecer.
Escrito por Rosely Sayão às 11h47
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