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Educar, cozinhar, transformar

Muitos de meus leitores pedem receitas. “O que eu faço?”, “Como resolvo isso?” e outras perguntas semelhantes, todas ligadas ao relacionamento familiar e à educação dos filhos, são formuladas diariamente por pessoas que acompanham meu trabalho e querem ser mães e pais melhores. Eu não dou receitas por um motivo muito simples: elas não existem.

Mas, a vontade de atender a esses pedidos, que considero todos legítimos – quem é que nunca ficou sem saber o que fazer frente à determinada situação que os filhos arrumam? - é uma tentação. Então, resolvi dar uma receita hoje. E, como não poderia deixar de ser, para falar em receita preciso começar pela culinária.

Quem leu meu memorial sabe que um dos lugares da casa que eu mais gosto de estar é na cozinha. Sabem o que me fascina no ato de cozinhar? A transformação. Como é que pode um punhado de cenouras, ovos e leite transformarem-se num vistoso suflê? Essa transformação, para mim, parece mágica. Mágica que podemos fazer com nossas mãos, isso não é maravilhoso?

Essa é a ponte, para mim, entre educar e cozinhar: a transformação que podemos produzir nas duas atividades, uma tão distinta da outra, mas com tantas características em comum.

Quem cozinha precisa ser paciente e persistente; quem educa também. Para cozinhar é preciso prestar atenção em todos os detalhes; para educar também. Cozinhar é um ato de extrema generosidade; educar também. Cozinhar dá um trabalho danado; educar também. Para cozinhar é preciso despir-se de todos os preconceitos; para educar também. E a lista dos ingredientes não pára por aí.

As crianças também são extremamente curiosas com a transformação. Quando descobrem que podem transformar algo, ficam interessadíssimas. Não é à toa que “quebram” tantos brinquedos... É para transformar.

Lembrei-me disso quando uma professora de educação infantil me contou que a atividade que ela faz com seus alunos que eles mais adoram é produzir, com eles, massa de modelar. Colocar a mão na massa junto com os filhos pequenos e produzir material gostoso de brincar pode ser uma grande diversão para pais e filhos nesses dias de férias escolares. Um refresco para quem exerce essa tarefa tão árdua que é educar. A criançada não se cansa de admirar a massa que elas mesmas ajudaram a fabricar, por isso ficam muito mais interessadas na brincadeira. Vamos para a receita.

Ingredientes
2 xícaras de chá de farinha de trigo
1 xícara de chá de sal
1 colher de chá de cremor tártaro (você encontra em supermercados, com os temperos)
2 colheres de sopa de óleo de cozinha
1 colher de chá de anelina comestível (escolha suas cores preferidas)
2 xícaras de chá de água

Modo de fazer
Misture os ingredientes secos, depois os úmidos. Deixe o óleo por último. Leve ao fogo médio em panela comum, mexendo sem parar, até que a massa solte da panela (como brigadeiro). A massa começa a formar um grude na colher, é assim mesmo. Depois que solta, retire da panela e deixe esfriar o suficiente para poder manusear. Sove por alguns minutos e... Pronto!

Guarde em saco plástico ou recipiente bem fechado, que dura várias semanas.

Boa diversão!

Escrito por Rosely Sayão às 23h25
Papel dos pais e da escola

Os assuntos trazidos pelos leitores nas correspondências são diversos. Mães e pais falam de seus problemas cotidianos, contam como é o relacionamento com os filhos e comentam as dificuldades e os êxitos. Também questionam suas próprias decisões e pedem ajuda nessa tarefa tão árdua quanto solitária de educar. Mas há um tema campeão de ocorrência: a vida escolar.

Os pais estão bastante ocupados com os estudos. Eles perdem a tranqüilidade quando os filhos não rendem o que poderiam, querem saber como motivá-los para as atividades escolares e para as extracurriculares, acompanham as lições de casa, estudam com os filhos, pesquisam e até fazem trabalhos com e, às vezes, para eles. Uma preocupação constante é com a decisão que tomaram ao escolher a instituição escolar. Essa escolha, aliás, é permanentemente posta em dúvida. Cada vez que eles discordam de um passo da escola, acham que devem reavaliar a decisão. Essa postura provoca insegurança em todos os envolvidos: pais e filhos.

Em tempos de crise nas escolas particulares, elas também ficam inseguras com suas atitudes, porque temem descontentar os pais e, desse modo, perder alunos. Prova disso são os artifícios que algumas escolas encontram para garantir boas notas no boletim quando, na verdade, os resultados das avaliações nem sempre são bons. A questão que devemos pensar é: por que tanta pressão sobre a vida escolar dos filhos?

Por que tanto empenho na tentativa de que os filhos apresentem bom rendimento escolar?
Certamente muitos pais têm resposta pronta a essas perguntas. Eles dizem que se preocupam com o êxito escolar do filho porque querem que ele tenha as melhores condições para enfrentar o futuro. Mas será que a busca do bom rendimento constrói essa possibilidade? Enfrentar a escola com todas as obrigações é uma tarefa difícil para crianças e adolescentes.

Além de aprenderem a se concentrar e a acompanhar as explicações dos professores, os mais novos nem sempre são compreendidos, não raramente sofrem pequenas injustiças, enfrentam dissabores e, quase inevitavelmente, defrontam-se com fracassos. Será que a melhor lição a aprender nessa fase não seria justamente enfrentar essas batalhas sozinhos, sem a companhia constante dos pais?

Mas os pais, pressionados pelas escolas, têm exigido o máximo dos filhos. Quando as crianças não rendem o esperado, em vez de serem encorajadas pelos pais a uma maior dedicação, recebem como resposta a manifestação do descontentamento, e isso provoca um afastamento em relação aos pais. Quando isso ocorre, os pais se julgam na obrigação de acompanhar mais de perto ainda a vida escolar e passam a dedicar a isso quase todo o tempo que têm.

O fato é que essa importância exagerada que os pais têm dado aos estudos dos filhos tem provocado um efeito desastroso. As crianças não têm aprendido mais, não têm criado gosto pelo conhecimento, não têm se esforçado para vencer seus desafios escolares. E ainda fica uma questão: como os pais se dedicam tanto ao rendimento dos estudos dos filhos, outras áreas da formação das crianças e dos jovens ficam descobertas. Alguns exemplos são: o ensino de algumas virtudes, a educação moral e ética, a conquista da autonomia possível e o ensino ao amor à vida, em todos os sentidos que isso implica.

A escola reclama que os pais delegam a ela muitas coisas que não dizem respeito a seu trabalho. É verdade. Mas, se ela responsabilizar menos os pais pelo comportamento do filho no espaço escolar, talvez eles possam se dedicar mais intensamente àquilo que mais lhes diz respeito na educação dos filhos.

*Texto publicado originalmente no Folha Equilíbrio

Escrito por Rosely Sayão às 10h11
Direito de ser pai

Ontem, no programa Momento Família que faço no UOLNews, um pai perguntou se deveria ir à justiça para ganhar o direito de pagar pensão à filha de pouco mais de um ano  – a mãe recusa receber – e vê-la com regularidade. Ele disse que a mãe da menina só permite que ele a visite quando eles – pai e mãe – estão de bem.

Para falar a verdade, esse é um fenômeno bem comum. Após a separação de um casal com filhos, quem paga o preço das mágoas, ressentimentos e sofrimentos que restaram de um projeto de vida em comum que foi  desfeito muitas vezes são os filhos. Aliás, quanto menores eles são, mais cara fica a conta debitada nas costas deles.

Que uma separação é difícil, inclusive para adultos com maturidade, é. Mesmo quando os dois decidem que a saída é a separação, os dois sofrem. Não é mesmo fácil superar esse momento. É nessa hora que as pessoas acertam as contas consigo mesmas, mas em geral acreditam que é com o ex que precisam acertar.

Disputas pela divisão de bens acumulados em conjunto, brigas pelo valor da pensão a ser paga aos filhos, luta pela guarda e controle rigoroso de visitas são algumas das estratégias que os ex usam nesse momento. Na maioria das vezes, eles nem se dão conta de que os filhos ficam vulneráveis e se tornam alvos fáceis nessa luta que travam. E o pior é que, em meio a essa confusão, os pais acreditam que, de fato, agem em benefício dos filhos. Mas ocorre que a situação se volta contra eles.

É recente – aliás, bem recente – a criação e a manutenção de um vínculo forte entre o pai e seus filhos, que resiste à separação do casal. Os homens não querem mais abdicar de seu papel de pai, e eles têm razão nisso. Aliás, não é apenas um direito deles, é dever também. E as mulheres precisam aceitar o fato.

Como temos a tradição de os filhos ficarem quase sempre com a mãe após a separação, parece que nós, mulheres, ainda não nos acostumamos com o fato de que é preciso dar o espaço para a relação de nossos filhos com seu pai. Mas temos essa obrigação, não é verdade?

Escrito por Rosely Sayão às 00h02
Educação escolar reprovada

Ontem, o jornal O Estado de S. Paulo publicou uma reportagem bem interessante sobre educação. Adorei o título: “As crianças já estão na escola; agora só falta elas aprenderem”.

A matéria trata dos problemas que ocorrem na escola pública. A classe média, em geral, não se preocupa com esse ensino porque seus filhos freqüentam escolas privadas. Mas, se considerarmos que a rede pública atende 90% dos alunos do ensino fundamental e 88% dos que freqüentam o ensino médio, essa passa a ser uma questão de todos.  Afinal, se a maioria das crianças e jovens brasileiros se forma mal nas escolas, o país irá mal e a minoria ficará pior do que já está num futuro próximo. O futuro dos filhos da classe média também depende da qualidade do ensino das escolas públicas.

Há uma frase nessa matéria que é bem forte e vai direto ao ponto: “os professores fingem que ensinam e os alunos fingem que aprendem”.  É verdade. As constantes faltas dos professores, denunciadas pelos alunos, em matéria de hoje são negadas pelos diretores das escolas. Vai tudo bem; segundo eles, os alunos se enganaram. Isso não é puro fingimento?

A progressão continuada, que é encarada como aprovação automática, tornou-se o grande vilão da história. A Sylvia não disse que tem de ter um culpado para todos os problemas? Pois os professores já encontraram os culpados para o fracasso escolar. Nas escolas públicas é a progressão continuada, nas privadas é a pressão e o poder de intervenção dos pais dos alunos.

Mas, em escolas públicas há professores comprometidos com seu trabalho e, como conseqüência, alunos com bom aprendizado, e em escolas privada há professores que tratam seu trabalho com descaso e, portanto, seus alunos não aprendem bem. A questão escolar, em meu entendimento, concentra-se em dois pontos: o  modo de funcionamento da escola e a formação dos professores, que precisam ter compromisso ético com seu trabalho.

Quando é que vamos nos implicar verdadeiramente com o problema da educação escolar?

Escrito por Rosely Sayão às 09h55
O valor da aparência

A sociedade atual dá um valor imenso à aparência. De vez em quando, assisto a alguns programas que passam nos canais abertos de nossa tv. Como faço isso raramente,  sempre me surpreendo quando me deparo com atrizes que têm traços que me são familiares, mas que não consigo identificar. Depois de um tempo de estranhamento consigo reconhecer, afinal. Com tanta plástica, as pessoas ficam parecendo sósias mais jovens delas mesmas. Que loucura!

Claro que esse fenômeno ecoa na educação. Mulheres e homens que têm filhos – filhas, principalmente – ensinam, nas entrelinhas de seus atos e discursos, que a aparência é fundamental. E não se trata apenas de uma aparência pessoal cuidada. É preciso seguir o padrão, caber dentro dos parâmetros impostos. Não é a toa que os jovens padecem, na atualidade, dos mais diversos tipos de transtornos alimentares, por exemplo.

A mãe de uma garota de 11 anos me contou que a filha estava começando a apresentar problemas alimentares relacionados à aparência. Por várias vezes conversou com a filha, que acreditava estar com sobrepeso, a respeito da pouca importância que a família dava ao modelo de corpo em voga para a idade dela, mas de nada adiantou. A garota respondeu, em uma das conversas, que a mãe valorizava o corpo magro, sim, tanto que só comprava produtos sem gordura. Essa mãe tão cuidadosa não tinha se dado conta das lições que estava ensinando à filha, sem saber.

Hoje estive em uma loja de roupas íntimas femininas e pude observar três adolescentes tentando escolher um sutiã. Nada que a vendedora mostrava era satisfatório. O interessante é que elas procuravam uma peça que escondesse o que elas consideravam defeitos no corpo, pelos comentários que faziam. E dado momento, descobriram um sutiã corpete. Foram à loucura. Haviam encontrado o que queriam, afinal. Devo dizer que a peça era muito semelhante ao antigo espartilho.

Três garotas lindas, com a beleza física quase perfeita da juventude em explosão, só não compraram um espartilho em sua versão moderna porque o valor da peça era mais alto do que podiam pagar. Não é lamentável?

Escrito por Rosely Sayão às 00h39

Separação de pais e filhos

Alguns jovens têm me interpelado com uma angústia: como viver a própria vida sem que isso magoe seus pais? E não se trata de adolescentes que descobrem que podem e devem começar a fazer suas próprias escolhas, responsabilizar-se por elas e se comprometer com o presente e o futuro, mas que ainda estão sob a tutela dos pais. Refiro-me aos que estão prestes a entrar na vida adulta, acima dos 20 anos. É interessante pensar sobre isso, já que é inevitável que eles assumam o comando da própria vida.

Nosso mundo tem uma característica peculiar no que diz respeito aos relacionamentos amorosos: eles se tornaram particularmente frágeis, porque, quando resultam mais em desgaste, sofrimento e compromisso do que em satisfação e paixão -mesmo que num determinado intervalo de tempo-, podem ser descartados. A idéia de investir energia, dedicação e fidelidade sem um retorno satisfatório não vinga mais porque estamos mais para a avaliação constante da relação custo-benefício dos relacionamentos. As pessoas estão sempre disponíveis para recomeçar, esse é o fato.

Uma das conseqüências desse estilo de viver contemporâneo tem sido a solidão. Como quase todos os relacionamentos são, em tese, descartáveis, eles já nascem marcados para morrer. O famoso "até que a morte os separe" transformou-se decisivamente. Hoje as pessoas ficam juntas até que a vida as separe, não é verdade?

Ocorre que permanece um anseio de proximidade, de intimidade, de pertencimento afetivo e emocional que perdure às agruras da vida e não dependa apenas das alegrias compartilhadas. É nesse contexto que surge a idéia de o filho ser um objeto que atenda a tal necessidade, já que contém a idéia de relacionamento duradouro. A relação entre pais e filhos é, atualmente, a única que permanece "até que a morte os separe". Todos os outros relacionamentos podem ser rompidos a qualquer momento. Vivemos na era dos "ex": ex-marido, ex-mulher, ex-sogro, ex-cunhado.

Mas tal prefixo não pode ser adicionado às palavras mãe, pai e filho. É a hegemonia das relações de parentesco de sangue sobre as de aliança. Como as outras relações de parentesco por sangue (tios, primos, avós e até mesmo irmãos) perderam importância e não são cultivadas com tanta proximidade, o relacionamento familiar ficou restrito às relações entre pais e filhos. O lugar de filho fica, portanto, sobrecarregado porque destinado a suprir os anseios afetivos e emocionais dos pais. Ter filhos tem um alto custo.

Exercer o papel de mãe e de pai é uma tarefa árdua e angustiante. É preciso abdicar das certezas, das seguranças e da idéia do bem-estar pessoal para freqüentar com muita regularidade a instabilidade e a incerteza, investir no bem-estar de um ser dependente e mais frágil, aceitar restrições na vida e, inclusive, limitar as ambições pessoais. Tanto custo leva, quase naturalmente, a cobranças.

Essa é uma circunstância importante que tem provocado dificuldades para os jovens, que não sabem como conciliar a própria vida com as aspirações dos pais. Na verdade, o que eles querem é terminar a relação de dependência com a consciência limpa, sem grandes rupturas e sem provocar dor e sofrimento.

Temos de admitir que isso é extremamente difícil. Qualquer separação é sofrida, e, como os adultos têm experimentado sucessivas separações afetivas, a dos filhos tem sido evitada. Esse é um dos motivos que levam jovens a hesitar a entrar no mundo adulto. Nesse momento, a responsabilidade não é tanto dos pais; é mais dos filhos. Afinal, eles precisam arcar com os ônus de suas escolhas e rumos e já têm condições para tanto.

*texto publicado originalmente no Folha Equilíbrio

Escrito por Rosely Sayão às 22h45

O PORQUÊ DAS COISAS

Os escritores de livros para crianças são os adultos que melhor entendem o universo infantil porque conseguem construir uma linguagem que permite à criança uma comunicação verdadeira com o adulto. Ou seja, as mensagens transmitidas têm uma lógica diferente da usual, mas acessível à criança. O livro "Mania de Explicação", de Adriana Falcão, é um verdadeiro dicionário que permite aos pais perceber como usar a linguagem para que a criança compreenda o que eles querem dizer. "Raiva é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes." Há explicação melhor do que essa para uma criança?


Mania de Explicação
Autora: Adriana Falcão
Editora: Salamandra

Categoria: Filmes e Livros
Escrito por Rosely Sayão às 23h25

PARA ENTENDER OS JOVENS

Como entender os jovens se eles mesmos têm dificuldade para se entender? Começar a viver a juventude é uma experiência extraordinária que provoca pasmos e perplexidades. Pois temos disponíveis alguns livros que permitem uma aproximação delicada e ao mesmo tempo radical com essa experiência que já vivemos, mas em outra época. Pode ser bem instigante a leitura de dois desses livros, um escrito no final da primeira metade no século passado e outro já escrito em pleno século 21. O primeiro é "O Apanhador no Campo de Centeio", de J.D.Salinger, e o segundo é "Doze", de Nick McDonell.

O Apanhador no Campo de Centeio
Autor: J.D. Salinger
Editora: Editora do Autor

Doze
Autor: Nick McDonell
Editora: Geração

Categoria: Filmes e Livros
Escrito por Rosely Sayão às 23h24
Um tapinha dói

Podemos nos aproximar um pouco mais do assunto do tapa na criança com intenção educativa. Depois de várias introduções diferentes ao tema ( veja "A Agressividade Infantil", "Educação e Autoridade", "Obediência X Limites") para que o assunto não fosse tratado de maneira simplista tampouco passional, chegamos a um ponto interessante .

Vamos começar com o aspecto mais objetivo possível. Primeiro, é bom lembrar que, diferentemente da educação escolar, que segue uma metodologia e se constrói a partir de teorias do conhecimento, na educação familiar não há medidas certas ou erradas. Há as que funcionam e as que não funcionam. Mas, é claro que, ao avaliar as medidas educativas, devemos sempre considerar determinados princípios como, por exemplo, o respeito, a dignidade, a integridade.

O tapa é uma medida que funciona? Bem, não podemos negar que ele provoca, sim, um efeito no comportamento da criança. Entretanto, esse efeito é efêmero. O medo de apanhar nunca promoveu efeitos duradouros. Prova disso é que uma criança nunca apanha uma vez só. Em geral, ela precisa apanhar várias vezes para que o efeito do tapa seja atualizado. Quando pensamos que a educação não tem como meta o presente e sim o futuro, essa medida perde bastante de sua eficácia.

Quanto ao medo que ele provoca na criança, que deixa de fazer algo por medo de apanhar, isso é o de menos. A criança se deixa educar, inicialmente, por medo mesmo. Medo de perder o amor dos pais, fundamentalmente.

Os maiores problemas do tapa são seus outros efeitos colaterais. Apesar de não ter a intenção de humilhar, o fato é que o tapa humilha a criança. Apesar de não ter a intenção de violentar a integridade física da criança, o tapa provoca isso; apesar de não ter a intenção de agredir, o tapa agride.

Vou recorrer aos ditados populares de que tanto gosto: de boas intenções, o inferno está cheio. Em resumo: o tapa até pode ter intenção educativa, ou seja, ter uma boa intenção, mas sua ação não se mostra coerente com aquilo que pretende. Quando alguém prejudica um outro, mesmo sem a intenção, o que vale? A intenção ou a ação?

Muitos pais apanharam quando crianças, e sobreviveram. Mas, devemos reconhecer que os tempos são diferentes. Neste momento, o que deve importar aos pais é a construção de uma autoridade moral que lhes permita educar os filhos até o final da adolescência. Se o uso da autoridade física parece ser interessante quando os filhos são pequenos, ao que recorrer quando eles crescerem?

Podemos dizer, sem dúvida alguma, que uma das maiores invenções do século 20 foram os direitos humanos. Vamos ignorar isso na educação de nossos filhos em pleno século 21?

O tapa é, queiramos ou não, um castigo cruel. Muitos outros tipos de castigo não são cruéis. Falaremos a esse respeito brevemente.

PS: Não tenho atualizado o blog com a regularidade anunciada, ou seja, as segundas, quartas e sextas. Voltarei a fazer desse modo assim que for possível. Agradeço a compreensão.

Escrito por Rosely Sayão às 16h57