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Sobre atrasos e responsabilidade

Outro dia fui a uma escola para uma reunião com os professores ao final do período da aula e cheguei perto das 18 horas. Por todo o espaço escolar, havia crianças correndo, gritando, conversando, jogando, brincando, desde as da educação infantil (com menos de seis anos) até as que freqüentam as séries iniciais do ensino fundamental.

Como as aulas já haviam terminado, perguntei por que as crianças permaneciam lá. A diretora me respondeu que muitos pais se atrasam para buscá-las e, por isso, a escola permanece aberta até que o último aluno seja levado para casa. Ela disse, inclusive, que isso pode ocorrer perto das 19 horas. Para uma escola que finaliza as aulas às 17h45, é muito tempo.

Resolvi fazer uma pesquisa rápida com amigos e colegas que trabalham em escolas e todos repetiram a mesma coisa: muitos pais costumam se atrasar para buscar os filhos, e esses atrasos variam de 15 minutos a uma hora. Conhecedoras da situação, algumas escolas até fazem contratos à parte com os pais e cobram por esse período.
Se essa é uma boa saída para a escola, que pode, desse modo, remunerar funcionários especificamente para essa tarefa -afinal, as crianças não podem ficar sozinhas nesse período-, não o é para os alunos.

Uma criança não tem a mesma noção de tempo do adulto. Para ela, o tempo cronológico do relógio não tem muito significado. O decorrer do dia, para a criança com menos de seis anos, é compreendido a partir das experiências que ela vive. Desse modo, ela entende que, terminado o tempo de estar na escola, acaba o período de ficar separada de seus pais ou de sua casa, que os representa nesse momento. Isso quer dizer que um atraso de 15 minutos, se não faz muita diferença para o adulto, para a criança o faz.

Faz parte da rotina escolar o fechamento do dia para que o aluno se organize e se prepare para a mudança de experiência, e isso acontece no horário combinado. A partir desse momento, a criança espera por seus pais ou responsáveis porque sabe que, depois da escola, é hora de encontrá-los e ir para casa. Quando eles demoram, mesmo que por alguns minutos, a criança se ressente. Tem receio de ficar desamparada, sente-se solitária -já que o grupo com o qual se identifica foi desfeito- e experimenta o isolamento, mesmo que ao lado de vários colegas cujos pais são, igualmente, retardatários. Nessa idade, a criança não entende o que é atraso nem os motivos que podem provocar isso na vida de um adulto e, por isso, interpreta que foi abandonada.

Para os alunos mais velhos, que já dominam um pouco mais o tempo cronológico, o atraso dos pais é também problemático, já que eles relacionam a demora com o fato de não serem uma prioridade.

E por que os pais se atrasam para esse compromisso tão sério? Em primeiro lugar, vivemos numa cultura que não dá muita importância à pontualidade. Atrasos são sempre tolerados e até previstos em quase todas as atividades. Em segundo, porque o trabalho exige cada vez mais das pessoas, e elas se comprometem cada vez mais com essa parte de suas vidas. Entretanto, quem tem filho precisa encarar as mudanças que isso provoca na vida -de homens e mulheres- e se programar para dar conta de compromisso tão importante.

Claro que imprevistos ocorrem na vida de qualquer um, mas quem tem filhos precisa contar com essa possibilidade e se organizar para que alguém o substitua nesses momentos. O que não pode acontecer é o que tem ocorrido: atrasos sistemáticos dos pais. Ora, isso é não assumir o devido compromisso com o filho e com o papel de mãe e de pai. Imprevisto nenhum justifica essa situação.

*Texto publicado originalmente no Folha Equilíbrio

Escrito por Rosely Sayão às 11h47
As escolas do futebol

Ontem, dia do primeiro jogo do Brasil na Copa, várias escolas, da educação infantil ao terceiro grau, suspenderam as aulas no período da tarde e da noite ou, pelo menos, próximo do horário do início da partida. Não é compreensível, do ponto de vista ético-profissional, essa escolha que os profissionais da educação fizeram.

Quando questionei uma professora a respeito da atitude tomada pela escola em que ela trabalha, obtive uma resposta interessante. Ela disse que a escolha era da sociedade e a escola, sozinha, não iria mudar isso. Outra, para justificar a decisão da escola, disse que o número de alunos que compareceriam às aulas seria muito reduzido e que, portanto, as aulas não seriam produtivas. E mais: ela acrescentou que o professor também tem o direito de assistir aos jogos.

Claro que a escola, sozinha, não tem condições de mudar a vida de toda uma sociedade. Entretanto, cabe a ela apresentar aos alunos, que estão em formação, os valores que são de fat, importantes para a sociedade e, mais ainda, mostrar que as escolhas feitas sempre produzem conseqüência.

Quem escolhe deve arcar com os ônus e os bônus de sua decisão. Então, se os alunos e suas famílias escolherem assistir ao jogo e faltar à aula, não há problema algum; apenas é preciso que eles saibam que precisarão arcar com as conseqüências dessa atitude. Por isso, não cabe à escola tomar a decisão pelos alunos e por suas famílias e, desse modo, eximi-los de tal responsabilidade. Além disso, se um único aluno comparecer à escola, ela já tem motivo para exercer o seu ofício.

Que tipo de lição as escolas que assim agiram passaram a seus alunos? Que um jogo de futebol, mesmo que seja de um campeonato mundial, tem mais valor do que o conhecimento, do que o aprendizado, do que o estudo. Mas, não é para aprender esse tipo de coisa que os alunos vão para a escola, correto?

Finalmente: o professor também tem o direito de assistir aos jogos? Como?!? E o médico, também não tem? Claro que tem. Todos têm esse direito, desde que isso não comprometa o exercício responsável de sua profissão.

Escrito por Rosely Sayão às 09h02
Criança não namora

Hoje é dia dos namorados e, nas escolas de educação infantil, os professores constatam um acontecimento absurdo: são várias as crianças que levam presentes aos colegas que chamam de namoradinha/o.

Ora, ora, o que é isso? Os pais não pensam no sentido dessa história, que aparentemente não terá maiores conseqüências? Pois, se não pensam , deveriam pensar melhor. Criança brinca de namorar. Brinca. Assim como brinca de médico, de casinha, de papai-mamãe, de bandido e mocinho etc. Tudo isso é brincadeira, um modo lúdico de representar as angústias, de se identificar com os pais, de fantasiar. De viver.

Alguém conhece um pai ou uma mãe que compra um bisturi ao filho que diz que é médico? Não, isso nem pensar, não é verdade? Mas, levar a sério a brincadeira do namoro, muitos levam. Pois é bom saber que isso faz parte dessa hiperexcitação do erotismo da criança que, precocemente, é jogada no mundo adulto.

Não é apenas a mídia que faz isso. Aliás, ela o faz muito bem. Os pais contribuem, e bem, com sua parte. Uma delas é essa tolice de confirmar ao filho pequeno sua possibilidade de estabelecer uma relação amorosa efetiva. Estamos ficando loucos?

E os pais dos adolescentes, então? Muitos embarcam na vida amorosa dos filhos e desembolsam dinheiro para que para que seu filho ou filha faça bonito e a/o namorada/os não fique decepcionado. Não é disso que o filho precisa e sim de ensinamentos a respeito de como viver. Se ele quer presentear a namorada, deve aprender a poupar da mesada para que saiba o que é se comprometer com o que se quer.

Penando bem, a ideologia do consumo tem consumido nossa capacidade educativa, não?

PS: Desejo um dia dos namorados bem gostoso aos adultos que amam e que compartilham sua vida e sua intimidade com um outro.
Escrito por Rosely Sayão às 11h39

Domingo com os filhos

FAMÍLIA E CONFLITOS
O filme "Billy Elliot" é para assistir com a família muitas vezes. O enredo é simples, mas há detalhes que permitem boas conversas com os filhos. A convivência familiar e seus conflitos, a luta dos filhos para dar seus próprios passos e a relação com os professores são alguns temas possíveis. Um filme brilhante. (RS)

Billy Elliot
Direção: Stephen Daldry

LEITURA SEM PALAVRAS
A criança e o adolescente vêem o mundo por uma lente com foco no presente. Os adultos têm o recurso do zoom e podem considerar a complexidade das situações. Essa é uma função dos adultos: apontar a amplitude do mundo. O livro "Zoom", de Istvan Banyai, não contém nenhuma palavra, mas é uma leitura imperdível. (RS)

Zoom
Autor: Istvan Banyai
Editora: Brinque-Book

* Texto publicado originalmente na Folha Equilíbrio

Categoria: Filmes e Livros
Escrito por Rosely Sayão às 08h56
A agressividade infantil
O papo a respeito do tapa na criança pegou fogo, não é verdade? O Antonio Carvalho coloca uma questão bem interessante e é por ela que vou começar nossa conversa. Mas, saibam que este é apenas o primeiro passo nesse tema polêmico e importante de se refletir.

O Antonio pergunta como é que uma criança que nunca apanhou pode chegar a bater nos pais e em outras crianças. Quando um bebê nasce, ele é totalmente incapaz de intervir no mundo, ou seja, ele é absolutamente passivo e tem como recurso de interação e comunicação apenas seu choro e, logo mais, seu sorriso. Como não coordena ainda seus movimentos, nem mesmo seus membros servem como instrumento de ação.

É assim, totalmente submetido à ação dos adultos - que inclusive precisam interpretar seu choro e dar algum sentido a ele - que o bebê vive, até que ele ganha seus primeiros dentes. Estes são, portanto, as primeiras ferramentas que tem e as usa como recurso para manifestar algo ao mundo, para interferir nele. As mães que amamentaram em geral tiveram os seios mordidos pelo bebê. Por que o bebê morde? Porque está bravo com a mãe? Não necessariamente; inicialmente o faz apenas porque pode fazer.

Ocorre que a reação que a mãe tem passa a dar um sentido à mordida, a essa ação do bebê. Claro que nenhuma delas gosta de ser mordida, então o bebê logo apreende que a mordida é uma ação forte, que agride o outro. Mesmo sendo rejeitado pela mãe quando morde, ele continua a morder.

A agressividade é, portanto, uma tendência presente em todos os indivíduos. Uma criança não precisa apanhar para aprender a bater, não precisa ser mordida para aprender a morder. Ela apenas usa os instrumentos que tem para mostrar a hostilidade ao outro quando é por ele contrariada, para anular o outro que quer a mesma coisa que ela, por exemplo.

Mas esse tipo de agressividade precisa ser contido já que vivemos sempre com o outro, e esse é um dos mais importantes eixos da educação: ensinar a respeitar o outro e a conviver com ele segundo as normas sociais. É isso que permite a civilização.
Escrito por Rosely Sayão às 11h25

Ensinar a fazer perguntas certas

Uma escola passou uma tarefa importante aos alunos da segunda série do ensino fundamental: elaborar a prova que eles mesmos fariam. A criançada ficou excitadíssima. A classe foi dividida em pequenos grupos, a professora apresentou as regras e colocou os alunos para trabalhar. As surpresas com que se defrontaram no processo foram muitas.

A primeira foi que eles não sabiam que, para fazer perguntas sobre um conteúdo, é preciso estudá-lo -e muito bem. Ponto para a escola, que soube dar mais valor às perguntas do que às respostas. Afinal, é exatamente isso que sustenta o aprendizado: ensinar a fazer perguntas certas. Além disso, a escola livrou os alunos da tradicional situação que costuma deixá-los estressados e não colabora com o processo de aprendizagem: as avaliações.

A segunda surpresa dos alunos foi descobrir que, para elaborar um trabalho, é preciso dedicação e paciência, pois é necessário fazer rascunhos, reavaliar o que foi feito, reconhecer as falhas do projeto e refazê-lo inúmeras vezes. E, de novo, a escola encontrou uma ótima maneira de ensinar isso. Convidou pais para que contassem como faziam seu trabalho.

Terceira descoberta dos alunos: os adultos, profissionais que são e que já passaram pela escola, também fazem rascunhos, despendem tempo e energia ao elaborar um trabalho e pesquisam, assim como erram e mudam muitas vezes o que já fizeram. E é sobre isso que vamos refletir.

Que conceito a respeito do conhecimento temos transmitido aos mais novos se eles se surpreendem quando percebem que estudar é uma tarefa que não termina nunca? Talvez seja necessário pensarmos melhor nisso, principalmente porque essa geração usa recursos tecnológicos diversos com muita facilidade. Assim é com o videogame, com o computador, com o telefone celular etc. Pode ser que estejamos permitindo que crianças e jovens tenham essa idéia do que seja aprender: um processo rápido, que começa e termina com uma brevidade incrível e que não exige dedicação, esforço, concentração, pesquisa e estudo constantes.

Os pais e professores sabem o tamanho da dificuldade que tem sido cobrar dos alunos e dos filhos uma atitude de apreço ao conhecimento. Eles, de modo geral, têm sido displicentes com tudo o que se refere aos estudos. Precisamos considerar a possibilidade de que isso possa ser resultado de uma grande falha nossa na formação intelectual deles. Mas a hipótese de que falta motivação para o estudo tem sido forte o suficiente para impedir que novas conjecturas sejam construídas. Uma possível é a de que o mundo adulto está tão indiferenciado do mundo infantil e jovem que permite aos mais novos se compararem aos adultos e acreditarem que estão no mesmo patamar no processo de aquisição do conhecimento.

Vejam a história que uma professora me contou. Em uma conversa com um aluno da quinta série que enfrenta dificuldades com a língua portuguesa, ela ouviu dele uma confissão: a de que estava desanimado com o estudo porque achava que nunca conseguiria escrever tão bem quanto ela. Ao explicar que para chegar a escrever como ela seria preciso muito exercício e muito tempo, ele perguntou, espantado, se não se aprendia a escrever bem de uma vez só. Não é interessante a pista que esse aluno nos dá? É a mesma dos que se surpreenderam com o trabalho de um profissional experiente ao executar sua função.

Mais importante do que cobrar êxito na vida escolar dos filhos é ensinar que estudo exige dedicação, esforço, concentração, organização e, principalmente, paciência e sacrifício também. Por que não?

*Texto publicado originalmente no Folha Equilíbrio

Escrito por Rosely Sayão às 10h39
Olho no olho
Logo falarei do tapa como ato chamado de educativo, tema que sempre é polêmico e que provocou discussão acalorada entre os leitores do blog. Mas hoje, me inspirei com um comentário da Sylvia Manzano a respeito de um costume indígena de o adulto se abaixar para falar com crianças.

Eu já confessei a vocês que adoro observar o que ocorre no espaço público porque são cenas do cotidiano que me permitem fazer reflexões a respeito da educação e do nosso modo de vida atual. Por isso, não perco uma oportunidade de observar pais e mães com seus filhos, nas mais diversas situações. De vez em quando vou caminhar em uma praça aqui do meu bairro e lá sempre encontro, pela manhã, muitas mães com filhos pequenos. O que a Sylvia nos contou me fez pensar nas cenas que vejo lá.

É muito difícil observar um adulto que, ao conversar com a criança pequena, olhe para ela diretamente – olho no olho – e que a leve a fazer o mesmo. A impressão que me dá é que as palavras são jogadas ao vento. E vejo que isso já tem conseqüências: as crianças, quando falam com os pais, não olham nos olhos deles.

O olho-no-olho provoca, obrigatoriamente, uma escuta atenta já que isso exige concentração. Provoca, também, compromissos: quem fala se compromete com o que disse e quem escuta se compromete com a pessoa que lhe fala além do que com o que foi dito. O olho-no-olho significa, portanto, comprometimento entre duas pessoas e estabelece uma obrigação moral recíproca.

Quando os adultos falam com crianças, precisam dirigir o olhar delas para si enquanto falam. Essa é a melhor maneira de introduzi-los na relação com o outro. E não há jeito melhor de fazer isso senão colocando-se na altura delas, ou o mais perto possível.

Vou deixar bem claro: não se trata de, a todo o momento, abaixar-se para falar com os filhos e sim de fazer isso sempre que a situação exigir um compromisso maior entre os pais e o filho. Uma recomendação dos pais que deve ser levada a sério pelo filho e uma bronca merecida são alguns exemplos.

E quando o filho fala algo que os pais julgam que exige compromisso da parte dele, devem exigir o olho-no-olho para facilitar ao filho a compreensão de que ele está se comprometendo com o que diz. É assim que começamos a ensinar aos mais novos a virtude da honra, ou seja, da fidelidade a um compromisso assumido.

Educar não é missão simples, não é verdade?
Escrito por Rosely Sayão às 23h46
A relação pais-escola
Vou continuar a conversa respeito da relação da escola com os pais de seus alunos porque esse é um assunto muito delicado e complexo que merece toda a nossa atenção. Vou partir do comentário do Luis Hamilton porque ele tem razão: processar a escola que fez a faixa da mãe sumida ou mesmo procurar outra para matricular o filho são soluções imediatistas que, além de não colocarem o assunto em debate, não resolvem problema algum.

Vou repetir o que eu já disse, mas – parece – que não foi contundente o necessário. De um modo geral todas – eu disse TODAS – as escolas fazem a mesma coisa, ou seja, rotulam ou diagnosticam os pais de seus alunos a partir do que vêem acontecer e até do que imaginam que acontece entre eles e os filhos. Por isso mesmo eu não disse o nome da escola em questão. Trata-se de discutir uma determinada cultura à qual as escolas estão submetidas e não de fazer a malhação do Judas, certo?

Quem tem filhos na escola precisa saber que os professores constroem uma idéia a respeito do tipo de pais que seus alunos têm e, quer queiram ou não, essa idéia influencia, para o bem e para o mal, a educação que praticam com os alunos. Esse é um dos alcances - indevido, por sinal - que tem aquela frase que começamos a discutir: “A educação vem do berço”. E devo fazer agora um mea-culpa: foi influenciada pela psicologia que a escola passou a agir assim.

Bem, a questão é que esses diagnósticos que os professores fazem não os ajudam a trabalhar com seus alunos. Ao contrário: servem apenas como justificativas para explicar o comportamento indisciplinado ou as dificuldades que os alunos enfrentam no espaço escolar. É por isso que a escola precisa,sim, ser observada pelos pais, mas não do modo como tem sido.

Os pais têm ido à escola muito mais para defender o que julgam ser do interesse do filho do que para discutir a educação praticada por ela com todos os seus alunos, futuros cidadãos. Enquanto cada pai e cada mãe se relacionar com a escola com objetivos pessoais, perdemos todos.

Tenho acompanhado uma experiência muito interessante aqui em São Paulo que tenta escapar desse tipo de relação: um grupo de pais que têm filhos matriculados em uma escola está se organizando para formar uma instituição cujo objetivo é construir um novo tipo de parceria com a escola. Uma parceria que não visa diretamente cada filho e sim os alunos de um modo geral. Aliás, aí está um bom motivo para nossa próxima conversa: quais as diferenças entre os papéis de filho e de aluno?

PS: tenho o maior orgulho dos leitores do blog. Os comentários são excelentes e o debate de ótima qualidade. Vez ou outra, uma leitura rápida faz com que o texto ganhe um teor que eu não dei. No texto em que uso exemplos de dois dispositivos de segurança muita gente entendeu que condeno o uso deles. Basta reler o último parágrafo para constatar que não dei esse rumo ao texto.
Escrito por Rosely Sayão às 23h10

AS MUDANÇAS NA ADOLESCÊNCIA

Quem tem filho prestes a entrar na adolescência ou já nessa fase enfrenta uma turbulência de acontecimentos e emoções. As mudanças que ocorrem podem ser rápidas demais -um dia o filho dorme criança e amanhece já adolescente- ou tão suaves que os pais nem se dão conta e continuam se relacionando com a criança que não existe mais. De qualquer forma, é sempre uma aventura radical, tanto para os pais quanto para os filhos, enfrentar essa vicissitude da vida que causa tanta perplexidade a todos. Dois filmes, em especial, tratam dessa questão e ajudam a entender melhor tudo o que entra em jogo nesse período. Em "Aos Treze", é uma garota que passa pela transformação. Já em "Reflexos da Amizade", a história gira em torno de um garoto de mesma idade. Ambos provocam boas reflexões. Aos Treze Direção: Catherine Hardwicker Distribuidora: Fox Reflexos da Amizade Direção: David Duchovny Distribuidora: Playarte *Texto publicado originalmente no Folha Equilíbrio

Categoria: Filmes e Livros
Escrito por Rosely Sayão às 11h28

O BEM E O MAL PARA CRIANÇAS

As questões que as crianças colocam aos adultos são complexas e nem sempre são consideradas como tal. O livro "O Bem e o Mal, o Que São?", de Oscar Brenifier com ilustrações de Clément Devaux, aborda perguntas que as crianças se fazem a respeito do assunto. Pode ser lido diretamente pelos maiores de nove anos ou ser fonte de inspiração para pais que têm filhos menores. O Bem e o Mal, o Que São? Autor: Oscar Brenifier Editora: Caramelo *Texto publicado originalmente no Folha Equilíbrio

Categoria: Filmes e Livros
Escrito por Rosely Sayão às 11h21

COMO SER PAIS E MÃES MELHORES

Um texto escrito em 1915 sobre a relação educativa dos adultos com as crianças pode colaborar com pais e profissionais da educação em pleno século 21? A resposta vem quase imediata: não. Entretanto, quando se trata do livro "Como Amar uma Criança", de Janus Korczak, é preciso reconhecer que ajuda, e muito. Os temas são atuais e, mais do que qualquer livro de auto-ajuda para pais, contribui para a reflexão de quem quer ser uma mãe ou um pai melhor. Como Amar uma Criança Autor: Janus Korczak Editora: Paz e Terra *Texto publicado originalmente no Folha Equilíbrio

Categoria: Filmes e Livros
Escrito por Rosely Sayão às 11h19

A importância de dizer não

A mãe de duas crianças pequenas fez, outro dia, um comentário bem interessante. Ao contar a aventura que é tomar conta de dois filhos menores de seis anos e educá-los, a bem-humorada mulher disse que conseguiria levar a cabo sua árdua tarefa sem a maioria dos recursos que tem, com exceção de dois: as grades de proteção das janelas do seu apartamento e as travas das portas traseiras do carro. Considerei muito perspicaz a maneira como ela condensou nesses dois elementos de segurança a idéia de proteção que tem dominado a relação entre pais e filhos.

Já sabemos que os pais têm tentado proteger os filhos -e isso começa logo na primeira infância- desse mundo que eles julgam perigoso e violento. E, nessa fase em que os filhos devem estar sempre sob a tutela dos pais ou de outros adultos, são consideradas perigosas as características dos ambientes que as crianças freqüentam. Basta dar uma olhada nas escolas de educação infantil para constatar o grau que esse zelo atingiu. Ausência de escadas e de obstáculos, cantos arredondados, chão almofadado e areia tratada são algumas características que os pais gostam de encontrar.

Os cuidados com as crianças pequenas são fundamentais. Entretanto, eles têm sentido duplo: além de proteger, têm também o objetivo de ensinar que elas devem começar a se proteger. O autocuidado, tão necessário na adolescência, precisa ser ensinado desde os primeiros anos. Mas, nesse afã de evitar incidentes, os adultos têm se esquecido desse detalhe tão importante. É que, ao andar, correr e brincar em ambientes tão limpos de pequenos riscos, a criança apreende que ela mesma não precisa se cuidar e que o mundo é livre de qualquer ameaça. Assim, em vez de perceber que precisa se desviar de um canto de mesa, por exemplo, ela corre em linha reta considerando exclusivamente o seu objetivo.

Mas há uma outra questão, ainda mais contundente, embutida na fala da jovem mãe. A trava no carro, que evita que a criança tente abrir a porta com o veículo em movimento, e as grades de proteção nas janelas e sacadas, que impedem que a criança, acidental ou intencionalmente, se debruce e corra sérios riscos, apontam para a fragilidade das negativas que os adultos colocam à criança. Por que os pais dependem desses artefatos de segurança para garantir a integridade das crianças? Porque não acreditam que o "não" seja respeitado pelos filhos. E por que isso ocorre?

Vejamos o funcionamento da trava do carro. A criança curiosa certamente irá tentar abrir a porta mexendo no mecanismo. Ao se defrontar com o não-funcionamento, ela poderá tentar mais algumas vezes, mas irá desistir por um único motivo: porque aprende que ali não há alternativa. E quando são os pais que dizem ao filho que ele não deve mexer em determinado objeto? Frente à insistência das crianças, os pais desistem de impedir que elas façam o que, inicialmente, ouviram que não deveriam fazer. Ao contrário das travas das portas dos carros, os pais não funcionam até que a criança entenda que não haverá alternativa possível. Os pais não se dão conta de que, ao relevar o comportamento da criança de fazer algo que foi proibido pelo menos temporariamente, é a palavra "não" que perde seu valor. E isso é sério na formação da criança. Por esse motivo é que os pais realmente precisam de artefatos de segurança.

Não se trata, de modo nenhum, de prescindir desses dispositivos, e sim de revisar as condutas tomadas com os filhos. São poucas as situações que merecem um "não" categórico dos pais. Nesses casos, a negativa precisa ser honrada. E isso cabe aos pais.

 

*Texto originalmente publicado no Folha Equilíbrio.


 

Escrito por Rosely Sayão às 19h36