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Viagens de Formatura
Muitos pais que responderam à enquete a respeito da viagem de formatura permitiriam que seus filhos fossem se a escola assumisse a responsabilidade pelo evento. Essa parece ser a alternativa mais cuidadosa, não é verdade? No entanto, boa parte das escolas que já passou por essa experiência desistiu de participar e algumas até deixam claro que são contrárias ao evento em razão da dificuldade que tiveram em controlar os alunos na viagem. Por isso, talvez essa escolha não seja tão segura quanto parece.

É que a autoridade do professor, no mundo atual, se restringe ao enquadre escolar. Alguns educadores do espaço escolar sequer conseguem construir uma relação de respeito com os alunos, quanto mais de autoridade. Isso ocorre porque os jovens não respeitam mais ninguém? Não, isso se deve à crise do conceito de autoridade em nosso mundo.

O que significa essa crise? Que hoje, não há mais consenso social a respeito do que seja autoridade. Se um professor compreende que autoridade é uma coisa e outro professor da mesma escola compreende diferente, já temos uma crise instalada. E hoje, cada pai, cada mãe e cada professor têm uma concepção diferente a respeito de como agir com autoridade, não é mesmo?

Isso quer dizer que os professores que conseguem construir uma posição de assimetria com seus alunos – sim, isso precisa ser construído e requer bastante dedicação e trabalho - sabem que essa relação está circunscrita à sua aula e ao contexto escolar. A partir do momento em que se desfaz essa situação pactuada, a relação de autoridade termina. Em uma viagem de lazer, os alunos entendem que não há relação professor-aluno estabelecida, e eles têm razão; essa relação permanece apenas em viagens de estudo – que muitas escolas realizam – e se os professores ficam na orientação e acompanhamento diuturnos de seus alunos.

Quando um grupo de jovens se reúne para uma celebração de formatura fora do contexto escolar, tudo pode acontecer; isso inclui o fato de jovens, em geral ajuizados e bem educados em casa, perderem o controle sobre o que fazem ou deixam de fazer.

Será que vale a pena deixá-los expostos a tal situação e, portanto, tão vulneráveis?
Escrito por Rosely Sayão às 14h59
Quando os filhos mentem

No final de semana em que se comemora o dia das mães, um presente para elas e para os pais também: uma entrevista com o professor Yves de La Taille. O trabalho dele eu já conhecia pela leitura de seus livros e artigos e admirava há tempos. Pessoalmente, tive a sorte de encontrá-lo uma vez em um debate e, depois, por pura coincidência, num vôo de ida e volta a um congresso em que ambos participamos. Foi lá que tive a chance de conhecê-lo um pouco e de, inclusive, fazer o convite para esta entrevista, que ele prontamente aceitou. Considero um privilégio ter a palavra do Yves aqui entre nós. Yves, obrigada.

O professor Yves é docente e pesquisador no Instituto de Psicologia da USP e especialista em moralidade. Os pais que tiverem interesse em aprender mais com o trabalho dele podem – e devem – consultar os seguintes livros:

LIMITES: TRÊS DIMENSÕES EDUCACIONAIS –  Yves de La Taille - Editora Ática

NOS LABIRINTOS DA MORAL – Mario Sergio Cortella e Yves de La Taille – Editora Papirus


Rosely Sayão: Yves, não há mãe e pai que não se defronte, mais cedo ou mais tarde, com mentiras dos filhos. O que eles devem considerar, de fato, como mentira?

Yves de La Taille: Vamos definir a mentira. Tecnicamente falando, ela consiste em dizer, intencionalmente, algo que se sabe não ser verdadeiro. A mentira se distingue, portanto, do erro e da ilusão. Vejamos agora o lado moral. A moral costuma condenar a mentira porque, quase sempre, ela corresponde a uma vontade de prejudicar outra pessoa, de privá-la de uma verdade à qual ela tem direito. Nem sempre é o caso. Por exemplo, se um pai ou uma mãe procuram invadir a vida privada dos filhos – e eles não têm esse direito, a não ser que esteja dramaticamente em jogo a saúde física ou mental deles, fato raro – estes não têm outra saída a não ser escondê-la pelo silêncio e até pela mentira. Mas, casos desse tipo são raros.  Como eu disse, quase sempre a mentira traduz um problema moral, pois representa alguma violência dirigida a quem se mente. Logo, temos um tema de educação moral.

Rosely: E como os pais precisam reagir frente a essa situação, já que é um tema delicado da educação?

Yves: Em primeiro lugar, os pais devem, eles mesmos, serem exemplos de pessoas que não mentem. Ora, nem sempre é o caso, até mesmo em casa. Alguns falam abertamente em sonegar impostos – sonegação implica mentir. Outros aconselham os filhos a dizer aos professores que não ‘conseguiram’ fazer a lição de casa porque estavam passando mal, quando na verdade foi pura preguiça – é mentira deslavada! Outros ainda valorizam em alto e bom som jogadores de futebol que cavam pênaltis – outra forma de enganação. Um último exemplo: há pais – e não são raros nesse caso – que, ao invés de dizer a seus filhos que não querem participar de tal ou tal atividade com eles, lhes dizem que ‘não podem’. Ora é, mentira, e as crianças rapidamente percebem o engodo. Em resumo, se elas percebem que a mentira é vista como fazendo parte do jogo normal das relações sociais, as crianças terão a tendência em tolerá-la e, elas mesmas, empregá-la.
Em segundo lugar, é preciso lembrar que a moral é, antes de mais nada, uma empreitada humana para valorizar o bem.  Ora, não raramente ela é apresentada apenas como algo que combate o mal. É um erro filosófico e pedagógico. Não é tanto a mentira que deve ser condenada, é a verdade que deve ser claramente valorizada. Logo, de nada adianta esperar que a criança minta para falar no valor da verdade. Tal valor deve ser apresentado antes e sempre. Moral é vacina, não remédio.
Em terceiro lugar, eu diria que a firmeza dos educadores em defender os valores morais, entre os quais a verdade, é condição necessária a uma formação ética bem sucedida. Assim como a criança compreende, - bem cedo no caso – que a lei da gravidade faz os objetos inapelavelmente caírem, ela deve perceber que as leis morais têm a mesma força e consistência. Não se trata de castigar a toda hora, trata-se de nunca deixar de falar que a verdade é um bem e, logo, a mentira um mal.
Em último lugar, lembraria que não há relação social pacífica e rica sem confiança mútua. Ora, a mentira quebra justamente os laços de confiança. Ela é uma via de rápido acesso à violência. É preciso explicar isto à criança. E também aos adolescentes que, por ventura e estranhamente (mas certamente em razão de um processo educacional falho) ainda não tenham tomado consciência deste fato.

 

Escrito por Rosely Sayão às 00h07
Continuação

Rosely: O pai de um garoto de 5 anos ficou bravo porque o filho contou, na escola, a respeito de uma viagem com a família que eles não fizeram e a mãe de uma criança da mesma idade castigou-a porque ela trouxe um brinquedo emprestado da escola quando, de fato, trouxera sem pedir ou ser autorizada. A mãe de uma menina de 10 anos descobriu que a filha usava o dinheiro do lanche para comprar cards. Um adolescente de 16 anos perdeu a licença para sair por um mês porque foi a um lugar diferente do que havia dito aos pais. Todas essas situações podem ser consideradas mentiras e, portanto, exigem uma atitude educativa dos pais?

Yves: A primeira situação é mais ambígua, uma vez que se trata de uma criança bem pequena; é que, nesta idade, além das crianças fantasiarem muito (notadamente movidas por desejos que gostariam que se realizassem ou que se tivessem realizado), elas ainda não têm clareza a respeito das dimensões morais da mentira. Penso que não se trata de ficar bravo. Trata-se de falar com a criança sobre a verdade e seu valor, e isto de forma paciente, generosa e firme.
Os outros casos representam claramente a vontade de enganar. Vale para elas o que disse anteriormente: mostrar o valor da verdade, o direito das pessoas a acesso a ela e a violência decorrente da falta de confiança. O caso do adolescente é mais grave, não somente pela idade (16 anos) como pelo conteúdo da mentira: negou a seus pais a condição de responsáveis pelo seu sustento e educação, arriscou-se (vai saber que outro lugar é este – lembram da tragédia dos dois alunos do Colégio São Luis?) e certamente preparou, de longa data, a sua enganação. Foi uma quebra de confiança pesada. Não sei, evidentemente, de quem se trata. Seria preciso ver se tal episódio não é conseqüência de uma longa série de quebras de confiança de parte a parte.

Rosely: Você disse que os pais devem ser exemplos de pessoas que não mentem e cita algumas situações. Vou citar outro exemplo: pessoas que ligam para falar de trabalho em horário impróprio e os pais mandam dizer que não estão. Sem dúvida é uma mentira, mas ela não ajuda a sustentar as relações sociais e a preservar a vida privada? E como se portar com o filho que testemunha esse tipo de situação?

Yves: Como eu disse anteriormente, nem toda mentira, no sentido técnico da palavra – ou seja, dizer intencionalmente algo que se sabe não ser verdade – apresenta problema moral. Às vezes a moral até exige que se minta. Por exemplo, se escondo, na minha casa, um homem procurado por algum esquadrão da morte e se um membro desse esquadrão me pergunta se conheço tal homem, certamente mentirei ao responder que não, a fim de protegê-lo. No exemplo que você deu, trata-se de avaliar se, por um lado, a pessoa que telefona tem o direito de saber que o pai está em casa e, por outro, se a mentira visa algum bem. Salvo casos excepcionais, penso que a casa deve ser um lugar protegido, notadamente do trabalho (embora aconteça cada vez menos, notadamente por causa do celular que transforma seu pobre proprietário numa presa fácil, em casa ou em qualquer lugar), logo, penso que a mentira, nesse caso, se justifica. Mas é preciso explicar tudo isso ao filho. Se ele for pequeno, apenas notará que se empregam mentiras.

Rosely: Como construir pactos de confiança entre pais e filhos já que eles ocupam lugares bem diferentes e assimétricos?

Yves: Nas relações assimétricas, portanto naquelas nas quais alguém depende de outro, esse outro deve ser altamente merecedor de confiança. Por exemplo, se viajo de avião, estou, literalmente, nas mãos do piloto (eis a assimetria na relação). Logo, só me resta confiar nele. Nas relações entre pais e filhos, algo semelhante acontece: o filho depende, para inúmeras coisas, dos pais e estes, portanto devem imperativamente mostrar-se dignos de confiança. Porém, a recíproca deve paulatinamente valer. À medida que a criança cresce, ela vai adquirindo mais liberdade, e, logo, mais responsabilidade. Esse ponto deve ser sublinhado: merecer confiança é a contrapartida da liberdade. Alguém que eu vigio o tempo todo, alguém que somente pode fazer, sob meus olhos, o que eu mando, para esse alguém não se coloca tanto a questão da confiança, pois o próprio fato de ser vigiado incessantemente mostra que é a desconfiança que vale. Merecer confiança se coloca para as pessoas livres. Ora, voltando às crianças, a educação visa justamente dar-lhes condições de viver de forma livre e autônoma. Nesse caso, merecer confiança dos pais (e de todo mundo, aliás) é condição necessária. E os pais devem dizê-lo claramente, e cobrá-lo.
Mas quero insistir num ponto: no início do desenvolvimento moral – quando a criança tem apenas 4 ou 5 anos – a situação não é simétrica, e se ela não confiar nos adultos, tal desenvolvimento fica prejudicado. A criança precisa primeiramente confiar para, depois, compreender que também deve ser digna de confiança. Por essa razão é tão importante os pais não prometerem sem cumprir, não falarem uma coisa e fazerem outra, não valorizarem pequenas e grandes enganações. Enfim, é importante os pais darem valor às palavras, notadamente às palavras empenhadas.

 

Escrito por Rosely Sayão às 00h05
Como a Madonna
Essa notícia eu li no UOL: A cantora Madonna admitiu que às vezes se sente "um desastre de mãe", devido às pressões que enfrenta por causa de sua carreira. A rainha do pop admite que é difícil conciliar a vida profissional e a familiar, o que às vezes provoca um distanciamento entre as duas. "É uma luta encontrar um ponto de equilíbrio entre minha carreira e meus filhos", disse a cantora. "Sempre digo a mim mesma: meu Deus, sou um desastre de mãe. E me dá vontade de ir para casa ninar meus filhos", acrescenta. "Mas, outras vezes, quando passo muito tempo com meus filhos, penso: meu Deus, só quero ser artista".

Pronto: agora as mães de todo o mundo já podem dizer que têm algo em comum com a cantora. Não é mesmo fácil para qualquer mulher separar a vida familiar da vida profissional. Estabelecer essa fronteira tem sido algo extremamente trabalhoso para nós, mulheres.

O trabalho exige cada vez mais dedicação e comprometimento. Queremos tirar dele prazer e satisfação; além do dinheiro necessário para uma vida simples, queremos também o preciso para uma vida mais sofisticada e confortável segundo um certo estilo de vida produzido pela ideologia do consumo, é claro. Além disso, acreditamos que é preciso ter ambições cada vez maiores. Afinal, é isso que sustenta uma carreira num mundo competitivo, nos ensinaram.

E a família? Ah, como o empenho exigido por ela é desgastante! É filho desobediente desde que tem meses de vida, que exige que a mãe repita milhares de vezes a mesma coisa, que preocupa com problemas de saúde, de escola, de relacionamento. Isso sem falar na energia gasta na manutenção do relacionamento amoroso: é preciso pactuar diariamente o projeto de vida com o parceiro.

Ser mulher e ser mãe no mundo contemporâneo é atividade de alta complexidade. Não temos mais referências sociais compartilhadas a respeito do que se espera da mãe: cada uma tem que inventar o seu papel diariamente, sabendo de antemão que terá de improvisar e que os personagens com quem atua nem sempre estão dispostos a facilitar o seu desempenho.

Por isso essa ambigüidade, tão bem expressa por Madonna: quando a mulher está num papel, pensa que deveria estar ocupando o outro. E no que pode dar isso? Em culpa, é claro. Estamos ficando íntimas demais desse sentimento.
Escrito por Rosely Sayão às 00h10
Que filhos deixaremos para este mundo?
Toda sexta-feira recebo de um amigo um poema ou o trecho de uma prosa. O que recebi hoje irei compartilhar com vocês.

Lembrando Hannah Arendt, a educação é a prática de preparar os mais novos para a tarefa de renovar o mundo. Educar significa, portanto, ter um compromisso com o futuro da humanidade. Quando educamos nossos filhos, que futuro estamos forjando? Esta deve ser a nossa pergunta de cada dia.

Um bom final de semana.



Prezado Senhor Futuro,
Com a minha maior consideração:

Estou lhe escrevendo esta carta para pedir-lhe um favor. O senhor saberá desculpar-me o incômodo.

Não, não tema, não é que queira conhecê-lo. O senhor há de ser muito solicitado, haverá tanta gente que quererá ter o prazer; mas eu não. Quando alguma cigana me toma a mão para ler-me o porvir, saio correndo em disparada antes que ela possa cometer tal crueldade.

E, no entanto, você, misterioso senhor, é a promessa que nossos passos perseguem querendo sentido e destino. E é este mundo, este mundo e não outro mundo, o lugar onde o senhor nos espera. A mim e aos muitos que não acreditamos nos deuses que nos prometem outras vidas nos mais longínquos hotéis de Mais Além.

E aí está o problema, senhor Futuro. Estamos ficando sem mundo. Os violentos o chutam, como se fosse uma bola. Jogam com ele os senhores da guerra, como se fosse uma granada de mão; e os vorazes o espremem, como se fosse um limão. A este passo, temo, mais cedo do que tarde, o mundo poderá ser não mais do que uma pedra morta girando no espaço, sem terra, sem ar e sem alma.

Disso se trata, senhor Futuro. Eu lhe peço, nós lhe pedimos, que não se deixe desalojar. Para estar, para ser, necessitamos que o senhor siga estando, que o senhor siga sendo. Que o senhor nos ajude a defender a sua casa, que é a casa do tempo.

Quebre-nos esse galho, por favor. A nós e aos outros: aos outros que virão depois, se tivermos depois.

Saúda-te atentamente,
Um Terrestre

Eduardo Galeano
Escrito por Rosely Sayão às 13h29
Filhos são vítimas de balas perdidas de tiroteitos entre os pais

Os comentários postados a respeito da guarda compartilhada nos permitem constatar uma realidade nada favorável aos filhos de muitos ex-casais: a estes tem sido negado o direito de conviver com seus pais.

A pensão alimentícia é apenas uma arma nas mãos desses pais, que se esquecem que quem tem filhos aposta no futuro da humanidade. São os filhos que irão administrar, num futuro não muito distante, este mundo em que vivemos. Serão eles que darão os rumos que seguiremos, serão eles que irão imprimir um estilo de vida em sociedade. Será que os pais estão atentos a questão tão crucial quando educam – ou deseducam – seus filhos nesse contexto de separação?

Hoje não é problemático ser filho de pais separados, como já foi considerado um dia. O problema no mundo contemporâneo é que esses filhos são alvos fáceis das balas perdidas trocadas na guerra entre seus pais. Quem os protege dessa situação tão arriscada?

E pensar que nos preocupamos tanto com a violência do mundo em que eles vivem e crescem! Deveríamos - isso sim - nos preocuparmos com a violência que geramos no ambiente em que eles vivem. Travar brigas, inclusive usando a justiça como estratégia de batalhas, seja pela guarda, seja pela pensão, seja pela posse dos filhos, é mostrar desprezo por estes e aos direitos que eles têm, como o da vida com ambos os pais, mesmo e inclusive quando eles não estão mais juntos.

Que sejam exemplos os casais que conseguem superar seus dramas pessoais em relação ao casamento acabado e a opinião que têm a respeito do ex-parceiro/a em favor de seus filhos.

PS: A polidez é uma virtude que anda em baixa nas relações interpessoais hoje em dia. Alguns poucos comentários aqui no blog são pouco delicados e agressivos. O que nos interessa, aqui, é expor idéias e inclusive estabelecermos conflitos, mas a prática do respeito é fundamental para quem educa ou opina a respeito do tema.
Escrito por Rosely Sayão às 12h04
Guarda compartilhada
Vamos aproveitar o embalo e conversar um pouco mais a respeito da participação dos pais na educação dos filhos. E, para isso, vou abordar o tema indicado por uma internauta: a guarda compartilhada.

A separação do casal não é algo novo entre nós: já na década de 60 essa prática passou a fazer parte da vida em sociedade. A novidade fica por conta da responsabilidade educativa com os filhos que nasceram enquanto a união existiu.

No início, quando um casal se desfazia os filhos ficavam, quase sempre, com a mãe. O fato é que muitos pais – homens - separavam-se da vida anterior e não honravam a paternidade. Cabe aqui uma nota de rodapé. Isso não ocorreu com tanta freqüência por responsabilidade exclusiva dos homens. As mulheres, de uma forma ou outra, também colaboraram bastante para tal situação, como o fazem até hoje. Em uma sociedade machista, as mulheres também reproduzem os valores característicos dela.

Alguns pais, entretanto, passaram a reivindicar condições efetivas para o exercício do direito - resultante do dever - de participar da formação dos filhos, de desfrutar da companhia deles. Vamos convir que tudo isso fica bem prejudicado quando os pais se encontram com seus filhos apenas nas férias destes ou nos finais de semana. E, assim, surge a guarda compartilhada.

Para os filhos, isso é enriquecedor. Para mães e pais, ainda é algo que provoca perturbação. É que não temos história social a esse respeito, estamos na fase de construção de uma experiência e os pioneiros sempre arcam mais com os ônus de sua condição.

E por que não tem sido fácil trilhar esse caminho? Principalmente porque ainda é difícil para os adultos enfrentarem a separação. Mesmo quando ela resulta de um consenso entre o ex-casal sobram mágoas, ressentimentos e decepções que recaem sobre os filhos. É que os papéis de ex-marido e de ex-mulher são confundidos com os de pai e de mãe.

É preciso reconhecer que, para dar conta da guarda compartilhada, é preciso ser muito maduro e maturidade é item em falta no mundo adulto. Mas, temos a obrigação de superar nossos limites em favor das gerações mais novas.

Falaremos muitas outras vezes desse assunto já que, hoje, apenas colocamos o tema em debate.
Escrito por Rosely Sayão às 09h38