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Feminismo e educação
Vou encarar a provocação do internauta Eduardo que qualificou os textos e comentários do blog como feministas. Antes de tudo, um reconhecimento: sou, sim, batalhadora incansável da ampliação e do aperfeiçoamento do papel da mulher em nossa sociedade, tanto quanto de seus direitos. Creio que a maioria das mulheres que fazem comentários também são. Já fui, na juventude, feminista de carteirinha. Devo confessar: o movimento, do qual participei nas décadas de 60 e 70, gerou muitos equívocos. Um deles levou muitas mulheres a procurarem a igualdade entre os gêneros. Mas, dei o passo da luta pela igualdade para a busca de eqüidade.

Agora, a questão da educação. Por um bom tempo a tarefa de educar os filhos era responsabilidade da mulher. Com as mudanças que ocorreram, principalmente a partir dos anos 60, a mulher emancipou-se: passou a exercer o trabalho remunerado e a planejar e a desejar uma carreira profissional, a reivindicar o direito de desfrutar da vida sexual não apenas como meio de reprodução - por sinal, passou a ter condições de controlar melhor essa função -, ganhou o direito de, legalmente, constituir nova parceria após uma separação. Esses fatos, aliados a tantos outros, tiveram influência decisiva na mudança da família.

Essas mudanças contribuíram para que o homem passasse a participar mais ativamente da educação dos filhos. Hoje, temos um número bem maior de pais interessados na qualidade da relação com os filhos, preocupados com as questões educativas. Mas, ainda falta muito pai nessa jogada.

Para as mulheres, isso é um dilema. Em geral, ficam insatisfeitas se têm de arcar sozinhas com a educação dos filhos, mas também não aceitam facilmente a interferência do pai de seus filhos, principalmente quando as opiniões dele diferem das suas.

Ser feminista, hoje, significa lutar para que as crianças e os jovens tenham a referência educacional do casal enquanto eles estiverem juntos – isso significa conflitar e negociar os princípios educativos a serem praticados com os filhos – e a do pai e a da mãe, quando eles estiverem separados.

Quando ao blog em especial, uma observação: se os homens nos deixam conversando apenas entre nós a respeito da educação dos mais novos, corremos o risco de cair mesmo num discurso sem contraposição. Então, compareçam mais!
Escrito por Rosely Sayão às 19h09
Quem não enfrenta problemas com os filhos?
Ontem não consegui blogar. Problemas com o computador, que venho enfrentando há tempos. De repente, parou tudo. “Morreu”, dizem os que trabalham no ramo. Morreu? Máquina não tem vida, então não morre. Máquina pára, e ponto final.

Chamei um técnico. Ele veio e ficou horas trabalhando, até conseguir resolver os problemas, que eram vários. Incompatibilidade de programas, vírus, programas indesejados e outras coisas mais.

- Vírus, ataque, programa espião? Mesmo com todos os programas preventivos que comprei e instalei? – perguntei.

Diante da resposta afirmativa dele, dada apenas com um leve aceno de cabeça, fiz nova investida.

- E tem como impedir que isso aconteça novamente?

- Tem sim. É simples – respondeu.

Fiquei feliz. Finalmente eu encontrara alguém competente e sério que resolveria de uma vez por todas esses contratempos infernais.

- O que tenho de fazer?

- Não ter computador nem usar a internet.

Ele não estava brincando, falava com seriedade.

OK, entendi.

Moral da história: impossível não enfrentar problemas com os filhos. Nem a melhor educação garante isso. Só não enfrenta esse tipo de problema quem não tem filhos.

Sábio esse técnico, não?
Escrito por Rosely Sayão às 14h05
Para ser mãe é preciso disponibilidade
Estive no sábado em Fortaleza para participar de um congresso de educação. Em pleno sábado de feriado prolongado, mais de 500 professores se reuniram para reciclar conhecimento, refletir, dialogar. Ponto para a educação!

No aeroporto – ah, como a gente gasta tempo com os atrasos dos vôos – pude observar um fato bem interessante. Um garoto entre nove, 10 anos, mais ou menos, estava na companhia da mãe enquanto ela aguardava para ser atendida por uma companhia. Ele já deveria estar bem cansado pela espera porque a fila era longa, mas agüentava firme e forte sua tarefa. A partir de um momento, passou a tagarelar com a mãe, que estava acompanhada por uma amiga e com ela conversava também. O que eu testemunhei foi uma situação muito bonita.

Em primeiro lugar, a mãe soube administrar muito bem a conversa com o filho e a com a amiga. Depois de, por duas vezes, falar ao filho que ele deveria esperar sua vez para falar e o filho insistir, parece que ela percebeu que a situação exigia um outro tipo de atitude da parte dela já que o filho estava, pacientemente, acompanhando-a numa atividade sem qualquer interesse para ele. Passou, então, a dar atenção aos dois.

O que me deixou maravilhada foi perceber como essa mãe, mesmo num ambiente ruidoso, mesmo conversando com o filho ao mesmo tempo em que trocava idéias com a amiga, não perdeu um lance da conversa com o garoto. Ela ouviu tudo – tudo mesmo, inclusive as entrelinhas e as demandas que ele fez em meio à conversa – e a tudo deu uma resposta. Ela acompanhou verdadeiramente o filho na conversa. Essa mãe mostrou ter disponibilidade para o filho, mesmo quando pedia para ele esperar sua vez na conversa, inclusive quando dizia que ele não podia interromper a amiga enquanto ela falava.

Eu me lembrei, nesse momento, de quantas conversas já presenciei entre pais e filhos que mais pareceram monólogos do que diálogos. É isso: para ser mãe ou ser pai é preciso disponibilidade interna. Essa mãe que encontrei casualmente no caminho tem. Num mundo em que os adultos se ocupam mais consigo mesmos do que com os filhos, é ótimo ter a oportunidade de ver uma mãe sensível no exercício de seu papel.
Escrito por Rosely Sayão às 15h05
Não confie em ninguém com menos de 18 anos

Uma jovem internauta lembrou em seu post de uma coluna em que eu comentei que os pais não deveriam confiar nos filhos. Ao ler a crítica dela, eu me lembrei imediatamente de uma música que fez muito sucesso numa época e cujo primeiro verso dizia “Não confio em ninguém com mais de 30 anos”. Essas duas idéias foram a inspiração para nossa conversa de hoje.

 Segundo o Houaiss, confiar significa entregar a alguém uma responsabilidade, uma missão, e é esse o sentido que vou tomar. Quando os pais “confiam” que o filho irá fazer isto ou aquilo ou que não irá fazer algo que não deveria, eles encarregam o filho de tomar conta de si mesmo, não é? Passam a responsabilidade para ele. A história funciona mais ou menos assim: os pais aconselham o filho, explicam, ensinam, e, depois de um curto tempo, delegam a ele a responsabilidade de ser e de viver a vida como eles – os pais -  esperam.

Vamos analisar um exemplo: o jovem com menos de 18 anos que já sabe dirigir, mas que não tem carteira de habilitação ainda, é claro. Se os pais “confiarem” que o filho não irá pegar a chave do carro emprestada para dar um “rolê” rápido com os amigos, deixarão a chave disponível pela casa. Só que ele pode não resistir à tamanha tentação. E então? Será que os pais poderão dizer que confiaram no filho mas que ele não correspondeu?

Na verdade, os pais delegaram ao filho uma responsabilidade que ele ainda não tinha condições de arcar, ou seja, se eximiram de assumir a própria responsabilidade; a autonomia – ou seja, a capacidade de se autogovernar - chega só com a maturidade. Enquanto ela não chega, é dos pais a incumbência de tutelar os filhos.

Essa história de confiar nos filhos na verdade nada mais é do que torná-los adultos muito antes da hora. E isso não funciona. Ser criança e ser jovem supõe experimentar, transgredir, ousar, desafiar, ser impulsivo e muito mais. Quando confiamos a eles a responsabilidade de tomar conta deles mesmos, roubamos essas possibilidades.

Fica uma pergunta: se não confiamos que adultos acatem todas as regras em vigor – por isso os  jogos têm juízes e penalidades previstas, por isso há multas para transgressões de trânsito, por isso não compramos doces quando fazemos dieta, por exemplo – por que é que queremos confiar que os filhos, que não são adultos ainda, acatarão?

Escrito por Rosely Sayão às 13h00
Os preconceitos de quem educa
Ontem, no programa Momento Família que faço com a Lillian, a mãe de um garoto com menos de seis anos perguntou se deveria se preocupar com o fato de o filho querer fazer sempre o papel da “Bela Adormecida” quando brinca com o irmão. Como a questão tem a ver com o tema da sexualidade que temos tratado, vou associá-la ao comentário postado por um jovem internauta que afirmou que é homossexual e contou suas dificuldades em relação a isso. Vamos conversar sobre os preconceitos do adulto que educa crianças pequenas.

Vivemos numa cultura repleta de preconceitos, que são idéias formadas antecipadamente, sem uma avaliação crítica. Como somos todos educados em uma mesma cultura, os preconceitos existentes são transmitidos pela educação. Ocorre que quem educa tem o dever de tentar melhorar a geração seguinte. Aliás, é por isso que temos filhos ou que nos tornamos professores: porque temos a esperança de que o futuro da humanidade seja melhor do que o presente que vivemos. Por isso, é preciso que nossos preconceitos sejam conhecidos e que façamos uma análise crítica deles.

O tema da sexualidade é um dos mais ricos em preconceitos e estereótipos e, como disse o jovem internauta, a questão da homossexualidade é um belo exemplo disso. Basta analisar a pergunta da mãe do garoto que gosta de fazer o papel de “Bela adormecida” para perceber como nossos preconceitos atuam.

O mundo infantil do faz-de-conta não tem limites, mas quando a questão da sexualidade entra em cena parece que nos esquecemos disso. A preocupação da mãe tem alvo certo: a identificação do filho com um papel feminino, ou seja, a sexualidade dele. Sem perceber, ela interpretou um fato com um olhar preconceituoso, não é verdade? E não é preciso mais do que isso para a transmissão de um preconceito porque as crianças têm sensibilidade aguçada para perceber e ler as entrelinhas de nossas ações, de nossos olhares, de nossas avaliações.

É preciso mais do que uma geração para superar preconceitos, mas se quem educa não estiver atento a seus preconceitos e às preocupações deles derivadas, só colabora para solidificar ainda mais tais idéias.
Escrito por Rosely Sayão às 12h13
Crianças e sexualidade
Uma freqüentadora do blog lançou uma questão: como os pais devem se comportar com os filhos pequenos quando a questão é a sexualidade? Bem, essa é uma conversa que vai longe então vamos, hoje, dar só o primeiro passo nessa discussão. Vamos falar do mundo em que essas crianças vivem.

Este mundo tem dado uma importância enorme ao corpo, às sensações, ao erotismo e, portanto, ao sexo. E vejam que eu escrevi sexo agora, e não sexualidade. Vamos chamar de sexualidade os valores, a moral, as posturas sociais e culturais em vigor, os conceitos e preconceitos a respeito do tema etc.e de sexo, tudo o que se refere ao orgânico, ao aparelho reprodutor, à anatomia, ao físico, portanto.

O mundo atual está repleto de estímulos eróticos: as crianças estão expostas - quer os pais queiram ou não - ao sexo adulto e à sexualidade interpretada pelo adulto. É possível protegê-los um pouco, só um pouco, disso tudo. É que, mesmo quando uma criança pequena não assiste a programas de televisão nem tem acesso à mídia dirigida ao adulto, só no trajeto de casa para a escola ou em passeio com os pais já está submetida a esses estímulos. Por isso, nossas crianças reagem: suas manifestações sexuais têm sido, em geral, intensas.

Isso faz com que muitos pais imaginem que seus filhos são precoces nessa questão. Não são: eles apenas não conseguem controlar sua excitação e, por isso, agem, falam e brincam em torno do assunto. Tudo o que precisam dos adultos é, portanto, um pouco de contenção para que consigam se desvencilhar do tema.

A criança tem sua maneira própria de viver a sexualidade, o que acontece, aliás, com intensidade na primeira infância. Entretanto, a sexualidade da criança é bem diferente da do adulto e neste mundo, em que o lugar da criança tem sido roubado, temos tido dificuldade em estabelecer as diferenças e tratar, com elas, a questão.

Continuaremos esta conversa. Espero a contribuição de todos que são pais de crianças pequenas e dos que têm filhos que já passaram dessa fase para enriquecer o debate e para a troca de experiências. Esta é a melhor parte de um blog, não é verdade?

Escrito por Rosely Sayão às 12h34