Receba o boletim
do Blog da Rosely Sayão
Este blog é atualizado às segundas, quartas e sextas.
Visitas
|
Barrados na escola
Outro dia uma reportagem na Folha colocou em evidência um fato bem interessante. Duas garotas foram impedidas de entrar na escola porque trajavam roupas inadequadas ao espaço escolar. As duas protagonistas da história, adolescentes, discordaram que suas vestes fossem escandalosas. A escola afirmava o contrário. E, para falar a verdade, as fotos publicadas não permitiram que eu formasse uma opinião para tomar algum partido. Mas, de qualquer maneira, o fato rende um bom debate já que tem sido corriqueiro.Vamos reconhecer: os pais não têm ajudado muito nessa história. Têm sido benevolentes demais com os filhos ao permitir que vistam o que querem desde que são bem pequenos e se poupando, dessa maneira, de um árduo trabalho educativo, ou ao omitirem-se de opinar sobre o assunto. Fazem vista grossa quando os filhos se vestem de modo exagerado ou até compactuam com roupas insinuantes ou impróprias para determinados lugares. Além disso, se rendem com facilidade ao fatídico argumento que crianças e jovens usam com freqüência: “-Todo mundo usa!”. E as escolas? Estas, mesmo quando se dão conta de que não há ninguém ensinando essa moçada, entre outras coisas, de que a roupa no corpo comunica algo aos outros, de que há roupas apropriadas para determinados lugares e ocasiões e de que há regras – implícitas ou explícitas – de convivência quando se freqüenta o espaço público, também se exime de assumir a responsabilidade. O ponto máximo a que chegam é moralizar a questão com os alunos ou decretar proibições e punições. Isso me faz lembrar de uma cena de um filme que adorei: “Invasões Bárbaras”. O personagem central, por sinal professor, ao ouvir o comentário de um amigo que criticava com violência os jovens da atualidade, fez um único comentário: ”-Eles aprenderiam se houvesse quem os ensinasse”. Aí está: crianças e jovens, hoje, estão abandonados à sua própria sorte porque não assumimos a responsabilidade educativa que temos em relação a eles. Por isso, são impedidos de entrar na escola porque não estão vestidos adequadamente em vez de lá aprenderem algo a respeito do assunto. Em tempo: Educar é um processo longo que nunca apresenta resultados imediatos.
Escrito por Rosely Sayão às 23h19
![]() Shopping do livro
Estive na Bienal do Livro na semana passada. Achei um horror, considerando o aspecto do incentivo à leitura que, me parece, deveria ser um dos objetivos do evento. Creio que a feira pode produzir efeito oposto nas gerações mais novas que lotavam o local. Uma pessoa da organização me informou que havia, naquele dia em que caiu uma dessas chuvas torrenciais e que deixou o Anhembi sem iluminação, mais de 1000 – isso mesmo, mil – ônibus que vieram das escolas trazendo os estudantes para esse programa.Programa ensandecido para eles, certamente, a não ser pelo fato de que, desse modo, livravam-se das aulas naquele dia. As cenas que testemunhei eram, no mínimo, bizarras. Professores caminhando ao lado de filas de alunos, com apitos estridentes que serviam para localizar os responsáveis pelo grupo. Alunos correndo de lá para cá, gritando, fazendo brincadeiras barulhentas, buscando desesperadamente algum famoso. Gabriel, o Pensador, estava lá. Fiquei com medo da gritaria e do empurra-empurra que eles fizeram quando o compositor tentou sair de um lugar e encaminhar-se a outro, onde autografaria seu livro. Quase derrubaram uma parede divisória entre os espaços das livrarias e editoras. Na frente do estande de uma rádio dirigida ao público jovem, uma fila enorme. O que eles faziam lá? Tentavam a sorte: em três arremessos, quem acertasse duas bolas na cesta de basquete ganhava uma camiseta com a logomarca da emissora e um CD de músicas que eles costumam tocar. Duvido que a maioria dos professores tenha realizado com os alunos um trabalho anterior que produzisse alguma finalidade à estada deles lá. Caso tenham feito, não funcionou. Procurando bem, não vi um aluno entretido com um livro ou, pelo menos, interessado em olhar para ele. Eles estavam lá como se estivessem no Playcenter ou em qualquer outro passeio que a escola promove. Para ter uma relação com o livro e a leitura é preciso concentração e, na feira, com milhares de estímulos de todos os tipos, isso era impossível para crianças e jovens; para ler e absorver o que se lê é preciso silêncio, e lá a barulheira era tanta que era impossível ouvir o que uma pessoa falava, mesmo estando bem próxima dela. Para desfrutar da leitura não se pode ter pressa, e na Bienal todo mundo corria. Se o que queremos é encorajar e incentivar nossos filhos e alunos a lerem com gosto e a desfrutarem dessas viagens instigantes – às vezes até dolorosas – que os livros nos possibilitam, levá-los a um evento desse tipo não colabora em nada. Melhor seria introduzi-los no ritual de freqüentar uma biblioteca, por exemplo. Mas, já se o que queremos é incentivar ainda mais o consumo, seja este do que for, aí uma visita à Bienal é a coisa certa a fazer.
Escrito por Rosely Sayão às 00h03
![]() Quem é Rosely Sayão
Nasci em São Paulo, em 1950. Cursei o primário em grupo escolar, fiz cursinho e exame de admissão para entrar no ginásio, depois fiz o curso científico, sempre em escola pública. Repeti o primeiro ano do segundo grau com louvor e distinção.Nem sei bem ao certo porque escolhi fazer psicologia já que, na época, não era um curso muito conhecido. Prestei vestibular na PUC de Campinas e lá fiquei por cinco anos, o tempo de duração do curso. Durante esse período trabalhei como vendedora em livraria, substitui professores em aulas de matemática para o ginásio em escolas particulares – adoro matemática - e trabalhei na faculdade em troca do valor da mensalidade. Tive vontade, muitas vezes, de deixar o curso porque odiava pegar em ratos e boa parte do trabalho era experimental, mas, persisti. Quando me formei passei a trabalhar como professora de colegial, depois passei ao curso de terceiro grau. Fiz carreira acadêmica e, após 12 anos, desisti dela. Ao lado do trabalho em educação, dediquei-me também ao trabalho clínico. Casei-me logo após me formar e tive dois filhos: uma menina que nasceu em 1975 e um menino, nascido em 1978. Separei-me quando o divórcio chegou, no início dos anos 80. Pensei que o fato de estudar educação e ser psicóloga me ajudaria no ofício de mãe. Qual o quê! A educadora e psicóloga só me tomavam depois que as crianças estavam dormindo e, assim, só me permitia que eu soubesse tudo de errado que havia feito durante o dia, como qualquer mãe. Mas, tanto eles quanto eu conseguimos superar muitos de meus enganos e equívocos e, assim, eles se tornaram pessoas de bem. Tenho o maior orgulho de meus filhos; foi na relação com eles que aprendi a ser mãe e os ensinei a serem filhos. Meu trabalho de escrita pública começou no jornal Notícias Populares, em 1989. Lá, escrevi diariamente uma coluna de orientação sexual, chamada “Tudo sobre Sexo” até que o jornal deixou de sair. Em 1993 passei a escrever também a coluna “Sexo” no caderno semanal Folhateen. Por causa disso, muita gente pensa que sou sexóloga ou especialista em sexualidade. Mas não sou. A sexualidade funcionou como um bom pretexto para eu conversar com os leitores a respeito da vida. Publiquei vários livros, alguns em parceria com um grande amigo e companheiro de idéias a respeito da educação, o Julio Groppa Aquino. Hoje, escrevo semanalmente no caderno Equilíbrio, da Folha de S.Paulo, a coluna “SOS Família”. Dou assessoria a algumas escolas, sou chamada para fazer palestras para pais e professores, sou colunista da Band News FM, faço, com a Lillian, o programa “Momento Família” no UOL News e me reúno mensalmente com grupos de pais para refletir a respeito da educação familiar. Adoro cozinhar e comer. Como neta de italianos e árabes, foi na cozinha e em torno da mesa que aprendi a me relacionar com a família. Como sempre chamei meus filhos para cozinhar comigo, desde que eles eram pequenos, eles também curtem muito e hoje que eles são adultos, ainda é na cozinha que atualizamos nossas relações. Tenho muita preguiça de sair, mas, de vez em quando, faço algum esforço. Adoro cinema em casa, música, ler e escrever, o que me dá bastante trabalho, por sinal. Sou consumidora voraz de utilidades e inutilidades domésticas, principalmente as de cozinha. Atualmente, estabeleci um desafio em minha vida: aprender a tocar piano. Devagar, vou indo. Tenho poucos, mas excelentes amigos. Socialmente, sou bastante tímida. Sou do signo de áries, e os que compartilham da minha intimidade dizem que isso é fogo. Adoro produzir conversas sobre a educação e a vida no mundo contemporâneo, e é isso que vou fazer aqui, com vocês.
Escrito por Rosely Sayão às 16h14
![]() |